Santa Sé

Conselho de Cardeais analisa trabalhos das congregações vaticanas

“Os trabalhos se desenvolvem em um clima de grande serenidade”, afirmou o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi, a respeito da segunda reunião do Conselho de Cardeais, que acontece no Vaticano, desde o dia 3.

O grupo, coordenado pelo cardeal Oscar Andrés Rodrigues Maradiaga, de Honduras, avalia os trabalhos e as competências das congregações vaticanas e analisa a possível reestruturação da Secretaria de Estado. Nestas primeiras sessões estiveram em pauta as congregações sobre as Causas dos Santos, Educação Católica e Evangelização dos Povos.

“Durante estes dias, talvez se possa completar a primeira rodada de reflexão sobre as congregações e, em seguida, dos Pontifícios Conselhos. De toda forma, ressalta-se que se trata de uma primeira análise que será inserida num quadro mais amplo”, explicou padre Lombardi.

O Conselho de Cardeais tem como função ajudar o papa Francisco no projeto de reforma da Cúria Romana e no governo da Igreja. Fazem parte do grupo, além do cardeal Maradiaga, os seguintes bispos: Giuseppe Bertello (único italiano e único curial presente), Francisco Javier Errázuriz Ossa (Chile, único emérito do grupo), Oswald Gracias (Índia), Reinhard Marx (Alemanha), Laurent Monsengwo Pasinya (República Democrática do Congo), Sean Patrick O’Malley (EUA), e George Pell (Austrália). O Conselho conta, ainda, com o secretário dom Marcello Semeraro, bispo de Albano (Itália).

Representante vaticano na ONU defende inclusão social para combater a fome no mundo

Debelar a fome no mundo superando as exclusões sociais, promovendo justiça e respeito por todo ser humano: foi a recomendação do observador permanente da Santa Sé na ONU, Dom Francis Chullikatt, expressa nesta terça-feira à segunda comissão da 68ª sessão da Assembleia Geral, em Nova York.

“A fome, como todas as formas de pobreza, é causada pela exclusão social”, explicou e denunciou o arcebispo: “Os atuais níveis de produção são suficientes para que todos possam se alimentar, mas milhões de pessoas ainda padecem a fome”.

“Isso é verdadeiramente vergonhoso”, comentou o representante do vaticano, acrescentando: “1,3 bilhão de tonelada de alimento é desperdiçado a cada ano e, citando palavras do Papa Francisco, ressaltou que “quando o alimento é desperdiçado, é roubado da mesa dos pobres”.

Citando ainda o Pontífice, Dom Chullikatt pediu que se “superem as tentações do poder, da riqueza e do interesse pessoal para servir à família humana”. Significa trabalhar para “promover uma vida digna para todos”. Significa “pensar nos que vivem à margem da sociedade – explicou – e no bem-estar das gerações presentes e futuras”.

O observador vaticano convidou a entrelaçar os temas da segurança alimentar com a não discriminação e acesso ao alimento para todos.

“Muitas vezes – denunciou – o acesso ao alimento se torna uma arma para controlar ou subjugar os povos, ao invés de ser um instrumento para construir comunidades pacíficas e prósperas.”

Daí, alguns princípios orientadores para uma efetiva distribuição do alimento: em primeiro lugar, o princípio da subsidiariedade, que significa conceber “as atividades humanas em nível mais local e direto possível a fim de assegurar o máximo da participação”, explicou.

Nisso, “as realidades maiores têm a responsabilidade de dar apoio às menores”, recomendou. Em seguida, evidenciou que subsidiariedade significa não somente dar alimento às pessoas, mas ajudá-las a ser autossuficientes. Por fim, Dom Chullikkatt ressaltou que “a fome é um problema humano que requer soluções baseadas na comum humanidade”.

Fonte: News.VA

Fé a serviço da vida

Dom Demétrio Valentini

O debate em torno da religião retorna, de tempos em tempos. Muitas vezes exposto à emotividade, dado que ele envolve sentimentalmente as pessoas. Tanto mais é preciso usar o bom senso e o discernimento.

Nestes dias este debate está se intensificando, em decorrência de alguns eventos. Seja a propósito do intento de um Promotor de proibir qualquer símbolo religioso em espaços públicos, seja a propósito da ratificação pelo Congresso Nacional do acordo celebrado entre o Brasil e a Santa Sé, seja sobretudo a propósito da veiculação de notícias de exploração financeira envolvendo uma igreja acusada de extorquir dinheiro de seus membros e aplicá-lo para enriquecimento pessoal.

Dada a complexidade do assunto, é bom invocar, de princípio, a prática de Cristo. Ele soube ser muito crítico diante de normas religiosas que careciam de sentido humano. Ao mesmo tempo, soube respeitar os gestos que traduziam a fé do povo, como a oferta da viúva no templo, ou o pedido insistente da mulher Cananéia para a cura de sua filha.

Mas, sobretudo, Jesus lidava com as multidões com muita responsabilidade. Com freqüência o evangelho observa que Jesus se detinha em “despedir as multidões”. Assim fazendo, com certeza queria preservar o povo dos perigos que rodeavam naquele tempo as manifestações de massa. E queria, a todo custo, manter sua atividade e sua pregação dentro dos objetivos de sua missão, não permitindo que fossem deturpados por equívocos inerentes a utopias que a religiosidade suscita facilmente.

Foi o caso, por exemplo, da multiplicação dos pães. Vendo que o povo queria proclamá-lo rei, Jesus foi rápido nas providências. Embarcou os discípulos, despediu as multidões, e subiu ao monte, para rezar e retemperar sua decisão de continuar coerente com sua missão.

A mesma prontidão de espírito deveria presidir a todos que lidam com a religiosidade do povo.

Pois a religiosidade, por sua força de motivação popular, se presta muito facilmente a explorações, sobretudo de ordem financeira. Basta conferir a escandalosa extorsão de dinheiro que é praticada por gente que invoca a condição de igreja para enganar o povo e mascarar seus objetivos.

Aí se põe uma questão muito séria por suas implicações, mas muito necessária para o bem comum. A atividade religiosa, como qualquer outra, em sua prática externa cai sob o domínio da ética. Toda ação humana precisa se guiar por critérios éticos. E tudo o que cai sob o domínio da ética, cai sob a responsabilidade do Estado, que tem o direito, e o dever, de urgir a coerência ética de qualquer atividade pública. A atividade econômica de qualquer igreja, como de qualquer indivíduo ou instituição, precisa se guiar pelas normas traçadas pelo poder público.

Por razões históricas, o Estado brasileiro se inibiu diante da religião. Desde a proclamação da República, ficou sem parâmetros para discernir o que é incumbência das religiões, e o que é atribuição do Estado. Diante deste embaraço estatal, com facilidade alguns colocam a máscara de igreja para praticar abusos condenáveis, que deveriam ser coibidos pelo Estado.

Uma das vantagens do “acordo” que finalmente o Estado brasileiro acaba de celebrar com a Santa Sé, e que precisa ainda ser referendado pelo Congresso Nacional, é de estabelecer ao menos alguns parâmetros que ajudam a situar campos de competências, preservar legítimas autonomias, e estimular o cumprimento das respectivas responsabilidades.

Pois é urgente recolocar a fé a serviço da vida, e não deixar que ela seja explorada para enriquecimento ilícito e outras falcatruas que o Estado precisa reprimir.

Não se combate drogas com drogas

A Santa Sé advertiu a comunidade internacional, baseando-se na experiência das instituições católicas de saúde dos cinco continentes, que não é possível combater as drogas com drogas.

Assim explicou o bispo José Luis Redrado Marchite, secretário do Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde, em sua intervenção em nome da Santa Sé na sessão da Comissão da ONU contra as drogas, que se realiza de 11 a 20 de março na capital austríaca.

“A atividade capilar das organizações e das instituições da Igreja Católica que trabalham no setor nos diz que o ter substituído as drogas com as drogas agravou ainda mais a situação no curso dos anos, tornando a dependência crônica, e sem responder à questão do sentido da vida que, segundo nosso parecer, constitui o centro do problema”, reconheceu o bispo espanhol.

O representante papal aludia às campanhas de luta contra as drogas aplicadas em vários países que se basearam na distribuição de drogas leves, em certas ocasiões inclusive subvencionadas.

Pelo contrário, afirmou Dom Redrado, “uma sociedade livre das drogas exige dos Estados a forte vontade política de extirpar definitivamente este fenômeno que alguns consideram uma realidade que já faz parte de nosso viver cotidiano e para a qual simplesmente se poderiam limitar os danos”.

A Igreja, afirmou, considera que a luta contra as drogas deve basear-se em uma “estratégia de recuperação do respeito da vida e da dignidade da pessoa do dependente químico”.

Isso exige, acrescentou, “o envolvimento da família como célula educativa primária e a contribuição positiva e multiforme das forças, instituições e associações comprometidas na sociedade para acompanhar aos dependentes químicos a que se inspirem nos nobres princípios e valores do amor e da solidariedade”.

O prelado reconheceu que os programas da Igreja na luta e prevenção das drogas tiveram particular êxito na Espanha, França, Irlanda e Portugal.

A chave do êxito, afirmou, deve-se “a uma intensa atividade de prevenção e de assistência mediante campanhas de sensibilização, seminários, cursos e congressos específicos sobre o tema, a desintoxicação física e a reabilitação do jovem no âmbito familiar e social”.

Para isso, indicou, é necessário garantir “tanto a intervenção médica como a ajuda psicológica e a promoção entre os jovens adolescentes de um estilo e comportamento de vida que sejam uma garantia favorável para sua saúde”.

Agora, concluiu, “a vontade de libertar o tecido social desta ameaça insidiosa que gera o crime e a violência e que contribui para a destruição física e moral de numerosas pessoas e famílias, exige a firme resolução política, a cooperação internacional e a ajuda de toda a comunidade”.

(fonte: Zenit)