Papa Francisco

VÍDEOS: Presente de São Miguel, bênção de Bodas de Prata e avisos da semana

Estão disponíveis na secretaria da igreja São Miguel Arcanjo o texto que servirá de base para o Sínodo dos Bispos sobre a família, a ser realizado em outubro, e o Documento 100 da CNBB sobre “Paróquia: comunidade de comunidades”, o qual será tema de um encontro na comunidade. Mais detalhes nos avisos da semana, gravados na missa das 18h no domingo, 03/08/2014:

No final da celebração, o Pe. Julio lembrou dos doentes da comunidade e dos familiares que estavam celebrando a partida de algum parente. Ele também presenteou uma paroquiana com um quadro de São Miguel Arcanjo e abençoou um casal que comemorava 25 anos de matrimônio:

Vaticano divulga instrumento de trabalho para Sínodo dos Bispos

O secretário geral do Sínodo dos Bispos, cardeal Lorenzo Baldisseri, apresentou à imprensa, na quinta-feira, 26,  o Instrumentum laboris (instrumento de trabalho) que norteará as atividades da 3ª Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos. Convocada pelo papa Francisco, a Assembleia será realizada de 5 a 19 de outubro de 2014, com o tema “Os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização”.

Na ocasião, dom Lorenzo explicou que o documento, composto por mais de 45 páginas,  está dividido em três partes: “Comunicar o Evangelho da família hoje”, “A Pastoral da Família face aos novos desafios” e “A abertura à vida e a responsabilidade educativa”.

“O instrumento de trabalho é resultado da pesquisa promovida pelo Documento Preparatório, que incluía um questionário com 39 perguntas enviado a todas as dioceses do mundo. O questionário “foi acolhido de maneira positiva e teve ampla resposta, tanto do povo de Deus quanto da opinião pública em geral”, declarou o cardeal.

Temas abordados

A primeira parte do texto trata do desígnio de Deus, do conhecimento bíblico e magisterial e a sua recepção, da lei natural e da vocação da pessoa em Cristo. “O escasso conhecimento dos ensinamentos da Igreja exige dos trabalhadores pastorais mais preparação e compromisso para favorecer a compreensão por parte dos fiéis, que vivem em contextos culturais e sociais diferentes”, explicou o cardeal.

Já a segunda parte aborda os desafios relacionados à família, como “casais que vivem juntos, separados, divorciados, divorciados que voltaram a se casar, seus filhos, mães adolescentes, os que estão em irregularidade canônica e os que pedem o matrimônio sem ser crentes ou praticantes”. De acordo com dom Lorenzo, “compete à responsabilidade dos pastores a preparação para o matrimônio, hoje cada vez mais necessária, para que os noivos amadureçam a sua escolha como uma adesão pastoral de fé ao Senhor, para construir a família sobre bases sólidas”.

Por fim, a terceira parte é dedicada a temáticas relativas à abertura à vida, as dificuldades na recepção do magistério e sugestões pastorais.

Avaliação das Conferências

O “instrumentum laboris” é entregue aos membros de direito da Assembleia Sinodal. Até a data da reunião, ele é estudado e avaliado pelas Conferências Episcopais, com a proposta de suscitar questões pastorais a serem debatidas e aprofundadas durante os trabalhos da Assembleia Extraordinária e, depois, na ordinária que está marcada para o período de 4 a 25 de outubro de 2015, no Vaticano, com o tema “Jesus Cristo revela o mistério e a vocação da família”.

Dom Lorenzo observou, ainda, que o instrumento de trabalho apresenta visão da realidade familiar no contexto atual, iniciando reflexão profunda cujo desenvolvimento se realizará em duas etapas, previstas para a Assembleia Geral Extraordinária (2014) e Ordinária (2015). Segundo o cardeal, os resultados da Assembleia Extraordinária serão utilizados para a preparação do “instrumentum laboris” da Assembleia Ordinária e, após aprovação do papa Francisco, seguirá para publicação final.

Baixe o texto completo.

Fonte: CNBB

A oração pela paz nunca é em vão

«Agora, Senhor, ajuda-nos! Doa-nos a paz, ensina-nos a paz, guia-nos para a paz. Abre os nossos olhos e corações e doa-nos a coragem de dizer: “nunca mais a guerra!”; “com a guerra tudo se destrói!”. Infunde em nós a coragem de realizar gestos concretos para construir a paz… Torna-nos disponíveis para escutar o grito dos nossos cidadãos que nos pedem para transformar as nossas armas em instrumentos de paz, os nossos medos em confiança e as nossas tensões em perdão». Foi a oração do Papa Francisco pela paz na Terra Santa. Mais uma vez o Pontífice rezou e pediu para rezar pela paz, não obstante a linguagem que se fala naquelas terras ainda tenha um acre sabor de ódio, de violência e de sangue de muitos inocentes. «Dirijo a todos vós – disse no domingo 13 de Julho aos fiéis reunidos na praça de São Pedro para recitar com ele o Angelus – um sentido apelo a continuar a rezar com insistência pela paz na Terra Santa à luz dos trágicos eventos dos últimos dias». E recordando o encontro de 8 de Junho passado com o patriarca Bartolomeu e com os presidentes Peres e Abbas – «juntamente com os quais invocamos o dom da paz e escutamos a chamada a interromper a espiral do ódio e da violência» – reafirmou com força que, embora alguns possam pensar «que tal encontro tenha sido realizado em vão», é precisamente «a oração que nos ajuda a não nos deixarmos vencer pelo mal nem nos resignarmos ao predomínio da violência e do ódio sobre o diálogo e a reconciliação».

Portanto, um apelo duplo. Às partes interessadas e a quantos têm responsabilidades políticas: «a não poupar oração nem esforço algum para fazer cessar todas as hostilidades e obter a paz desejada para o bem de todos»; aos fiéis: a seguir o exemplo da Virgem Maria, da sua oração silenciosa. E a praça respondeu com um silêncio eloquente.

Pouco antes o Papa Francisco recordou a parábola do semeador que lança as sementes em qualquer terreno, mas só de um deles colhe frutos. É importante continuar a lançar a semente boa, depois será o terreno que frutificará. Contudo, este terreno deve ser preparado.

Fonte: News.Va

O Pontífice a um grupo de economistas: “Basta descartar!”

No sábado, 12 de Julho, o Papa Francisco encontrou-se com os participantes no Seminário internacional realizado na Casina Pio IV no Vaticano, sobre o tema «Por uma economia cada vez mais inclusiva», tratado também na sua exortação apostólica Evangelii gaudium. No seu discurso improvisado, o Pontífice criticou o «reducionismo antropológico» imperante. «Creio que este momento seja o tempo mais acentuado de reducionismo antropológico», afirmou, e depois se perguntou: «Quando o homem perde a sua humanidade, o que nos espera?». A resposta está na evocação de outro tema apreciado pelo magistério do Papa Bergoglio: «De facto, verifica-se – disse – uma política, uma sociologia, uma atitude “do descartável”: descarta-se o que não serve porque o homem não está no centro. E quando ele não se encontra no centro, significa que no centro há outra coisa e que o homem está ao serviço dela». Eis então o mérito dos congressistas, que se reuniram para estudar as novas modalidades para «salvar o homem, no sentido de que volte ao centro: no centro da sociedade, dos pensamentos, da reflexão. Levar o homem, outra vez, para o centro».

De resto, o próprio cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson, presidente do Pontifício conselho «justiça e paz», explicou ao Pontífice o sentido do encontro dos setenta representantes do sector público e do mundo comercial, económico, académico reunidos por dois dias no Vaticano. O objectivo, afirmou, é «responder ao desafio de promover um sistema económico e social adequado aos desafios do século XXI». E «a vontade – acrescentou – é de oferecer um contributo para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária».

Fonte: news.Va

“Oremus pro Pontifice nostro Francisco”

Cardeal Odilo Pedro Scherer

No dia 29 de junho, a Igreja celebra a festa solene dos apóstolos Pedro e Paulo. De fato, é a comemoração do martírio desses dois “príncipes dos apóstolos”, cujo sangue foi derramado em Roma em testemunho por Jesus Cristo e pelo Evangelho; seus túmulos são venerados em Roma também em nossos dias.

São Pedro representa a unidade da Igreja e o pastoreio universal das ovelhas do rebanho do Senhor, conforme encargo por ele recebido do próprio Jesus, após a ressurreição: “apascenta os meus cordeiros… apascenta as minhas ovelhas” (cf Jo. 21,15-17). Pedro também foi encarregado de “confirmar os irmãos na fé” (cf Lc 22,32) e esta missão já lhe é reconhecida pela Igreja apostólica; o próprio Paulo foi confrontar sua pregação com Pedro, “para verificar se eu não estava correndo em vão” (cf Gl 2,2.7-9).

São Paulo representa a Igreja “em missão”, anunciando o Evangelho a todos os povos; ele mesmo reconhece que esta foi a missão recebida de Jesus e sua ação missionária ardorosa e incansável o demonstrou bem. A Liturgia desta festa destaca o papel diverso dos dois apóstolos, mas que contribuíram para a mesma missão da Igreja: “por meios diferentes, os dois congregaram a única família de Cristo” (Prefácio da missa).

O Papa, enquanto sucessor de Pedro, representa ambas essas missões da Igreja. Por isso, ele se ocupa e preocupa com a unidade da Igreja na confissão da mesma fé e com a superação das divisões; ao mesmo tempo, anima a Igreja para manter viva e dinâmica a ação missionária, em toda parte. O papa Francisco, como seus predecessores, está profundamente empenhado nesta dupla missão da Igreja de Cristo. Esta mesma dúplice missão também é compartilhada pelo colégio episcopal, junto com o Papa, e por todos e cada um dos bispos em sua diocese.

A missão evangelizadora não é obra apenas de vontades e projetos humanos; a Igreja age e faz a sua parte, “confiada à graça de Deus”, como fizeram Paulo e seus companheiros de missão (cf At. 14,26). Por isso, a oração é necessária, quer para se colocar na sintonia constante com Deus e seu desígnio sobre nós e o mundo, quer para obter do Espírito Santo a fecundidade e o fruto para a sua ação.

Na festa de São Pedro e São Paulo, a Igreja Católica comemora o “dia do Papa” e convida as suas comunidades, em todo o mundo, a fazerem oração pelo Sucessor de Pedro e a renovar a consciência da sua comunhão com ele; ao mesmo tempo, pede que expressem sua adesão ao Papa e sua missão, de maneira concreta, através do “óbolo de São Pedro”; com essa ajuda, o Papa pode realizar, em nome de todos, a caridade em situações de necessidade urgente, como catástrofes, e apoiar a vida e a missão da Igreja em lugares muito carentes.

Nos Atos dos Apóstolos já aparece a origem da prática de “rezar por Pedro”: enquanto o apóstolo estava na prisão, por ordem de Herodes, “a Igreja rezava continuamente a Deus por ele” (At 12,5). Pedro é libertado da prisão por um anjo de Deus. E a Igreja nunca mais deixou de rezar “por Pedro” e o faz ainda hoje, na Oração Eucarística de cada Missa, após a consagração.

E não é outro o pedido do papa Francisco, desde o primeiro momento de sua apresentação ao mundo, após a sua eleição: antes de dar a bênção apostólica ao povo, ele convidou todos a pedirem a bênção de Deus para ele. Em muitas outras ocasiões, ele o fez publicamente e, em privado, encontrando as pessoas: rezem por mim! Já pude testemunhar vários desses pedidos pessoalmente. Portanto, “oremus pro Pontifice nostro Francisco”! No dia do Papa e todos os dias.

A medida do amor de Deus é amar sem medida, disse o Papa durante o Angelus

Perante uma imensa multidão de fiéis reunida na Praça de S. Pedro para a oração mariana do Angelus Papa Francisco começou por recordar que a Igreja na Itália e em muitos outros Países do mundo celebra neste Domingo a festa do Corpo e Sangue de Cristo e comentou o Evangelho de João que apresenta o discurso de Jesus na sinagoga de Cafarnaum sobre o “pão de vida”. Jesus sublinha nas suas palavras – disse o Papa – que não veio a este mundo para dar alguma coisa mas para dar a si mesmo, a sua vida, como alimento para aqueles que têm fome d’Ele. E explicou:

Esta comunhão com o Senhor empenha a nós, seus discípulos, a imitá-lo, fazendo da nossa existência um pão partido para os outros, como o Mestre partiu o pão que é a sua carne.

E todas as vezes que participamos na Missa e nos alimentamos do Corpo de Cristo, continuou o Papa Francisco, a presença de Jesus e do Espírito Santo opera em nós, molda o nosso coração, e nos comunica atitudes interiores que se traduzem em comportamentos segundo o Evangelho:

Antes de tudo, a docilidade à Palavra de Deus, depois a fraternidade entre nós, a coragem do testemunho cristão, a fantasia da caridade, a capacidade de dar esperança aos desesperados, de acolher os excluídos. Deste modo, a Eucaristia faz amadurecer um estilo de vida cristã. A caridade de Cristo, acolhida de coração aberto, nos transforma, nos torna capazes de amar não segundo a medida humana, que é limitada, mas segundo a medida de Deus, isto é, sem medida.

Deste modo, nos tornamos capazes de amar até mesmo aqueles que não nos amam, de resistirmos ao mal com o bem, a perdoar, a partilhar, a acolher, e a nossa vida se tornam “pão partido” para os nossos irmãos. E, vivendo assim, descobrimos a verdadeira alegria, a alegria de nos fazermos dom para os outros, em troca do grande dom que recebemos, sem o nosso mérito.

E o Papa concluiu dizendo que Jesus desceu do céu e se fez carne graças à fé de Maria. Ela, depois de o ter trazido consigo com amor inefável, também o seguiu fielmente até à Cruz e à ressurreição, convidando em seguida os fiéis a pedir a intercessão de Maria para que a todos ajude a redescobrir a beleza da Eucaristia e a fazer dela o centro da vida.

Depois do Angelus o Papa recordou que no próximo dia 26 de Junho celebra-se o Dia das Nações Unidas para as Vítimas da Tortura, e exprimiu a sua condenação por todos tipos de tortura no mundo: Por esta circunstância, reitero a minha firme condenação de qualquer forma de tortura e convido os cristãos a empenharem-se para colaborar na sua abolição e para apoiar as vítimas e os seus familiares. Torturar as pessoas é um pecado mortal, um pecado muito grave!

E por último o Papa dirigiu a sua saudação a todos os presentes, romanos e peregrinos, e de modo particular, e de todos se despediu com o seu habitual “Bom Domingo, bom almoço, rezai por mim, … e arrivederci!”

Fonte: News.Va

“Não há fábricas de paz. Se faz a cada dia”, afirma papa Francisco ao lembrar viagem à Terra Santa

Papa Francisco na Terra Santa“É um grande dom para a Igreja e dou graças a Deus. Ele tem me guiado até aquela Terra abençoada, que tem a presença histórica de Jesus e onde têm sucedido acontecimentos muito importantes para o Judaísmo, o Cristianismo e o Islã”, disse hoje, 28, o papa Francisco, durante audiência geral na Praça de São Pedro, no Vaticano.

Ao relembrar sua viagem à Terra Santa, Francisco falou que o propósito principal desta peregrinação foi comemorar o 50º aniversário do histórico encontro entre o papa Paulo VI e o patriarca Atenágoras. “Esta foi a primeira vez que um sucessor de Pedro visitou a Terra Santa: assim o papa Paulo VI inaugurou, durante o Concílio Vaticano II, as viagens feitas pelos papas para fora da Itália na época contemporânea. Este gesto profético do bispo de Roma e do patriarca de Constantinopla estabeleceu um marco promissor na unidade de todos os cristãos, que desde então têm feito progressos significativos. Assim, a minha reunião com Sua Santidade Bartolomeu, amado irmão em Cristo, foi o ponto alto da visita. Juntos rezamos diante do túmulo de Jesus, acompanhados do patriarca Ortodoxo Grego de Jerusalém, Theophilos III, e do patriarca Armênio Apostólico SB Nourhan, bem como de arcebispos e bispos de diferentes igrejas e comunidades, autoridades civis e muitos fiéis”, lembrou Francisco.

Segundo o papa, no lugar onde se proclamou a ressurreição, é possível ver “a amargura e o sofrimento das divisões que ainda existem entre os discípulos de Cristo”. Para Francisco, isto causa “muitos danos ao coração”. Porém, ressaltou o desejo de curar as feridas ainda abertas e continuar com perseverança no caminho até a plena comunhão.

“Uma vez mais, como fizeram os papas precedentes, peço perdão pelo que temos feito para favorecer esta divisão e peço ao Espírito Santo que nos ajude a curar as feridas que temos provocado aos nossos irmãos. Todos somos irmãos em Cristo e com o patriarca Bartolomeu somos amigos, irmãos, e temos compartilhado a vontade de caminhar juntos, fazer tudo o que podemos: rezar e trabalhar juntos pelo rebanho de Deus, buscar a paz. São muitas coisas que temos em comum e como irmãos temos que seguir adiante”, acrescentou.

O papa Francisco lembrou, ainda, que o segundo propósito de sua viagem foi o de “incentivar a região no caminho até a paz, dom de Deus e compromisso dos homens”. “Eu tenho feito sempre como peregrino, em nome de Deus e do homem, levando no coração uma grande compaixão pelos filhos desta Terra que desde há muito tempo convive com a guerra e tem o direito de conhecer finalmente dias de paz! Por isto, eu exorto os cristãos a deixarem-se ‘ungir’, com o coração aberto e dócil, pelo Espírito Santo, para serem mais humildes, fraternos e reconciliadores. O Espírito ajuda a colocar em prática na vida cotidiana estas atitudes, com pessoas de diferentes culturas e religiões, e assim, ser ‘artesãos da paz’. Não há fábricas de paz. Se faz a cada dia, artesanalmente, e com o coração aberto para receber o dom de Deus”, afirmou.

Francisco destacou também o compromisso das autoridades e do povo da Jordânia em acolher numerosos refugiados provenientes das zonas de guerra. De acordo com o papa, “um compromisso humanitário, que merece e necessita do apoio constante da Comunidade Internacional”.

Recordou que animou as autoridades competentes para que “continuem seus esforços para aliviar as tensões no Oriente Médio, sobretudo na Síria” e a continuar a busca de uma solução equitativa para o conflito palestino-israelense. “Convidei o presidente de Israel e o presidente da Palestina, homens de paz e construtores da paz, a vir ao Vaticano para rezar comigo pela paz”, informou.

“Com esta peregrinação, quis levar uma palavra de esperança, porém, ao mesmo tempo, eu também a recebo dos irmãos e irmãs que ‘esperam contra qualquer esperança’, por meio de tantos sofrimentos, como aqueles que têm fugido de seu próprio país por culpa dos conflitos, ou como muitos que em diferentes partes do mundo são discriminados por causa de sua fé em Cristo. Continuemos próximos deles. Rezemos por eles e pela paz na Terra Santa e em todo o Oriente Médio. Que a oração de toda a Igreja sustente também o caminho até a plena unidade entre os cristãos, para que o mundo creia no amor de Deus, que com Jesus Cristo veio habitar entre nós”, concluiu.

Com informações da Agência VIS

Fonte: CNBB

Vários chapéus, uma só cabeça: a unidade da Igreja

Cardeal Odilo Pedro Scherer

O fato eclesial de maior destaque desses últimos dias foi, sem dúvida, a peregrinação do papa Francisco à Terra Santa, com vários momentos muito significativos. O principal deles foi o encontro com o patriarca ecumênico greco-ortodoxo Bartolomeu I, na Basílica do Santo Sepulcro, no dia 25 de maio.

Francisco quis repetir, 50 anos depois, o encontro histórico de Paulo VI com o patriarca Atenágoras, que aconteceu ainda em pleno andamento do Concílio Ecumênico Vaticano II. Aquele memorável encontro rompeu o gelo entre Roma e Constantinopla, que perdurava há vários séculos, sem que tivesse havido mais nenhum encontro entre um papa de Roma e um patriarca ortodoxo de Constantinopla.

O abraço entre os dois chefes de Igrejas abriu imensas esperanças para o caminho ecumênico, tão desejado pelo Concílio, levando a crer que, em breve, poderia acontecer a reconciliação plena entre as duas Igrejas e a reconstituição da unidade entre católicos e ortodoxos, rompida pelo cisma do Oriente, em 1054. A questão mais complicada nas relações ecumênicas entre as duas Igrejas é eclesiológica, relativa ao primado do sucessor de Pedro e ao exercício do ministério petrino na Igreja.

Em 25 de julho de 1967, iniciando o ano da fé em memória do 19º século martírio dos apóstolos Pedro e Paulo, e já tendo sido encerado o Concílio, Paulo VI escreveu ao mesmo patriarca Atenágoras, com o propósito de avançar no caminho ecumênico: “este desejo leva a uma vontade resoluta de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para que chegue o dia do restabelecimento pleno da comunhão entre a Igreja do Ocidente e a Igreja do Oriente”.

Muito caminho de aproximação tem sido feito ao longo desses 50 anos, mesmo que isso não apareça sempre claramente a todos: foram levantadas as recíprocas excomunhões, instaurou-se um diálogo teológico e mesmo doutrinal entre as duas Igrejas; acontecem gestos de recíproco apreço, como a presença de um representante do Patriarca de Constantinopla na solenidade de São Pedro e São Paulo e de um representante do Papa na festa patronal de Santo André, no patriarcado de Constantinopla. Mais que tudo, foi significativa a presença do próprio patriarca Bartolomeu I na missa de início do pontificado do papa Francisco, no dia 19 de março de 2013.

Agora, no encontro ecumênico de Jerusalém, muito desejado por Francisco e patrocinado pelo Patriarca ortodoxo, esse caminho ecumênico retoma fôlego. A Declaração comum entre os dois chefes de Igrejas deixa claro o propósito de buscar a plena unidade e de não se deixar abater pelas dificuldades que o caminho da unidade plena apresenta. Os discursos diante do monumento ao santo sepulcro recordaram bem: não parecia também o túmulo o fim de toda esperança? E eis que ele está vazio! Jesus venceu até mesmo a morte, último obstáculo para a realização do desígnio de Deus. Pode haver algo impossível para que o sonho da unidade plena da Igreja se realize?!

Claramente, as dificuldades não são desconhecidas ou subestimadas, nem pelo Papa, nem pelo Patriarca. Mas as falas foram repletas de esperança e de convites à perseverança, na firme certeza de que o desejo expresso de Jesus não é a divisão, mas a unidade da sua Igreja. Durante a cerimônia ecumênica, alguém comentou sobre a variedade das vestes dos representantes das Igrejas cristãs, sobretudo dos solidéus, véus e capuzes de ortodoxos, armênios, coptas, católicos latinos, armênios, maronitas, coptas, melquitas… “Os chapéus são diversos, mas… uma só é a cabeça da Igreja”. Mesmo que as tradições rituais, disciplinares e histórico-culturais sejam diversas, a unidade da Igreja se constrói sob a única cabeça do corpo, que é Cristo, Senhor da Igreja.

Sínodo extraordinário: família e evangelização

Cardeal Odilo Pedro Scherer

Nos dias 13 e 14 de maio, o Conselho Ordinário da Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos, formado por 15 cardeais e bispos, reuniu-se em Roma. A pauta principal dos trabalhos foi a preparação da próxima assembleia extraordinária do Sínodo, programada para os dias 5 a 19 de outubro deste ano.

Tratou-se, sobretudo, da elaboração do Instrumentum laboris (Instrumento de Trabalho) da assembleia sinodal, um texto que será publicado em breve e enviado às conferências episcopais e, sobretudo, àqueles que deverão participar da assembleia de outubro.

O Instrumento de trabalho vai recolher as respostas ao questionário, para conhecer a situação atual da família e de várias questões relativas ao casamento e à família, enviado em 2013 às conferências episcopais de todo mundo. As contribuições foram abundantes e serão apresentadas de maneira temática no Instrumentum laboris, para orientar os trabalhos sinodais.

O tema do sínodo extraordinário despertou grande interesse e expectativa por toda parte: várias situações de crise e questões atuais da família e do casamento interpelam a Igreja e sua ação evangelizadora.

Fazem parte do temário a difusão e a aceitação do ensinamento da Igreja Católica sobre o casamento e família; as dificuldades para colocar em prática esse ensinamento no contexto cultural contemporâneo; as situações difíceis que muitos casais e famílias enfrentam, com casamentos desfeitos e refeitos com nova união; sua participação na vida da Igreja e a transmissão da fé aos filhos em tais situações… Mas entram também as questões novas, tais como o fato sempre mais presente em vários contextos culturais de pessoas que não se casam mais, nem constituem uniões estáveis ou famílias; ou os fatos recorrentes, em vários países, de políticas contrárias à família; sem esquecer as uniões civis de pessoas do mesmo sexo.

Ciente das várias situações problemáticas que a família atravessa, a Igreja não a abandona, pois também conhece o plano salvador de Deus em relação ao casamento e à família; e tem convicção sobre a importância da família para a pessoa, para a sociedade e para a própria vida e missão da Igreja. Por isso, ela quer anunciar de maneira renovada a Boa Nova do casamento e da família, especialmente nas situações mais difíceis e problemáticas que a atingem.

A assembleia extraordinária de outubro próximo não vai esgotar o tema e seus trabalhos estarão orientados para novas reflexões na assembleia ordinária do Sínodo dos Bispos, em outubro de 2015, quando se tratará da pessoa humana e da família à luz de sua vocação em Cristo. Serão dois momentos complementares de um caminho de evangelização, que tem como centro a antropologia cristã e suas implicações para a pessoa, o casamento, a família, a sociedade e a Igreja.

O papa Francisco participou um dia inteiro da reunião, sinalizando para a importância dada por ele ao Sínodo extraordinário de outubro. Ele tem falado também da importância do próprio organismo do Sínodo dos Bispos, criado por Paulo VI no final do Concílio Vaticano II, em 1965, como expressão de colegialidade e da responsabilidade de todos os bispos, junto com o Papa, em relação à Igreja inteira.

Espiritualidade Pascal: chamados a sair de si mesmo

Dom Edmar Peron

A espiritualidade desse tempo da Páscoa inclui, certamente, a mensagem do Papa Francisco para o 51º dia mundial de oração pelas vocações. Ele inicia a sua mensagem com o tradicional texto de Mateus: “A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Portanto, peçam ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para a sua colheita” (9,37-38). Deus é o “Senhor da colheita”; lavrou a terra, semeou, cultivou. E, agora, no tempo da Igreja é hora de trabalhar para colher. Esse campo “é a humanidade, somos nós”. Dessa maneira, a oração de que fala Jesus é para que aumente o número das pessoas que “estão ao serviço do seu Reino”. Pessoas que conseguem contemplar a ação de Deus no mundo, o adoram e, consequentemente, sentem-se interpeladas por ele para, livremente, “agir com ele e por ele”.

E continua o papa Francisco: “Embora na pluralidade das estradas, toda a vocação exige sempre um êxodo, uma saída de si mesmo para centrar a própria existência em Cristo e no seu Evangelho. Quer na vida conjugal, quer nas formas de consagração religiosa, quer ainda na vida sacerdotal, é necessário superar os modos de pensar e de agir que não estão conformes com a vontade de Deus. É um êxodo que nos leva por um caminho de adoração ao Senhor e de serviço a Ele nos irmãos e nas irmãs. Por isso, todos somos chamados a adorar Cristo no íntimo dos nossos corações (1Pd 3,15), para nos deixarmos alcançar pelo impulso da graça contido na semente da Palavra, que deve crescer em nós e transformar-se em serviço concreto ao próximo. Não devemos ter medo: Deus acompanha, com paixão e perícia, a obra saída das suas mãos, em cada estação da vida. Ele nunca nos abandona! Tem a peito a realização do seu projeto sobre nós, mas pretende consegui-lo contando com a nossa adesão e a nossa colaboração”.

Depois, o Papa Francisco convida cada pessoa “a ouvir e seguir Jesus, a deixar-se transformar interiormente pelas suas palavras que «são espírito e são vida» (Jo 6,63)”. Ele afirma que nos fará um bem enorme “participar, confiadamente, num caminho comunitário que saiba despertar em cada um e ao seu redor as melhores energias”.

Enfim, conclui o papa: “Quanto mais soubermos nos unir a Jesus pela oração, a Sagrada Escritura, a Eucaristia, os Sacramentos celebrados e vividos na Igreja, pela fraternidade vivida, tanto mais haverá de crescer em nós a alegria de colaborar com Deus no serviço do Reino de misericórdia e verdade, de justiça e paz. E a colheita será grande, proporcional à graça que tivermos sabido, com docilidade, acolher em nós”.

Continuemos hoje a salvadora experiência de Jesus: percorrer nossa Cidade, testemunhando com nossas vidas “o evangelho do Reino”, cheios de compaixão pelas multidões que continuam “angustiadas e abandonadas como ovelhas que não têm pastor” (Mt 9,35-36). A Páscoa é convite permanente para irmos ao encontro desses irmãos e irmãs: eis o nosso êxodo cotidiano.