Reflexões

Mensagem do Papa Francisco para o 48º Dia Mundial das Comunicações Sociais

O Pontifício Conselho para as Comunicações divulgou, em 23 de janeiro, a mensagem do papa Francisco para o 48º Dia Mundial das Comunicações Sociais, que será celebrado em 1º de junho, sob o tema “Comunicação a serviço de uma autêntica cultura do encontro”.

O Santo Padre pede uma comunicação que supere a imensa distância que, apesar dos meios de comunicação, ainda separa ricos e pobres. Papa Francisco alerta para o perigo que corremos com a rapidez das comunicações. Essa velocidade louca muitas vezes impede a reflexão e o discernimento, e impede uma equilibrada comunicação de si mesmo.

Leia a íntegra da mensagem do papa Francisco.

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Papa Francisco encontra o clero de Roma

“Mesmo agora que sou Papa me sinto ainda um sacerdote”. Esta é uma das passagens chaves do diálogo que o Papa Francisco teve, na manhã desta segunda-feira, com os sacerdotes da Diocese de Roma, a sua Diocese, reunidos na Basílica São João de Latrão. A acolher o Papa, 20 minutos antes do previsto, foi o Cardeal Vigário Agostino Vallini, que na sua saudação comentou como este encontro tenha sido programado pelo novo Bispo de Roma, logo após ter sido eleito.

“O que é o cansaço para um Sacerdote, para um Bispo e mesmo para o Bispo de Roma?” O Papa Francisco desenvolveu o seu pronunciamento introdutivo, detendo-se neste questionamento. E confiou que a inspiração lhe veio após ler a carta enviada por um sacerdote idoso, que justamente lhe falava sobre este cansaço, um “cansaço no coração”. “Existe – disse o Papa – um cansaço do trabalho e isto todos conhecemos. Chegamos de noite, cansados de trabalhar e passamos diante do Tabernáculo para saudar o Senhor. Sempre – advertiu – é necessário passar pelo Tabernáculo”:

“Quando um sacerdote está em contato com o seu povo, se cansa. Quando um padre não está em contato com o seu povo, se cansa, mas mal e para dormir deve tomar um comprimido, não? Ao invés disso, aquele que está em contato com o povo – que de fato o povo tem tantas exigências, tantas exigências! Mas são as exigências de Deus, não? – este cansa realmente e não tem necessidade de tomar comprimidos”.

Existe, porém, um “cansaço final” – prosseguiu Francisco – que se vê antes do “crespúsculo da vida” onde “existe a luz escura e o escuro um pouco luminoso”. É “um cansaço que vem no momento em que deveria existir o triunfo”, mas ao invés disto “vem este cansaço”. Isto – afirmou – acontece quando “o sacerdote se questiona sobre sua existência, olha para trás, ao caminho percorrido e pensa nas renúncias, aos filhos que não teve e se pergunta se não errou, se a sua vida “falhou”. É justamente sobre o “cansaço do coração” de que o sacerdote escrevia na carta.

O Papa citou então, o cansaço em tantas figuras bíblicas, de Elias a Moisés, de Jeremias até João Batista. Este último, afirmou, na “escuridão da prisão” vive o “escuro de sua alma” e manda os seus discípulos perguntarem a Jesus se Ele é realmente aquele que estão esperando. O que pode fazer então um sacerdote que vive a experiência de João Batista? Rezar, “até dormir diante do Tabernáculo, mas estar ali”. E depois “procurar a proximidade com os outros padres, e sobretudo, com os bispos”:

“Nós, Bispos, devemos ser próximos aos sacerdotes, devemos ser caridosos com o próximo e os mais próximos são os sacerdotes. Os mais próximos do Bispo são os sacerdotes. (aplausos). Vale também o contrário, eh! (risos e aplausos): o mais próximo dos padres deve ser o bispo, o mais próximo. A caridade para com o próximo, o mais próximo é o meu bispo. O Bispo diz: os mais próximos são os meus padres. É bonita esta troca, não? Isto, acredito, é o momento mais importante da proximidade,entre o bispo e os sacerdotes: este momento sem palavras, porque não existem palavras para este cansaço”.

A partir deste ponto, iniciou-se o diálogo do Papa Francisco com os sacerdotes, aos quais pediu para sentirem-se livres para perguntar qualquer coisa. Respondendo à primeira pergunta, o Papa Francisco disse que no serviço pastoral, não deve se “confundir a criatividade com fazer alguma coisa nova”. A criatividade – afirmou – “é buscar o caminho para que o Evangelho seja anunciado” e isto “não é fácil”. Criatividade “não é somente mudar as coisas”. É uma outra coisa, vem do Espírito e se faz com a oração e se faz falando com os fiéis, com as pessoas. O Papa, então, recordou uma experiência vivida quando era Arcebispo de Buenos Aires. Com um sacerdote, disse, procurava entender como tornar a sua igreja mais acolhedora:

“Ah, se passa tanta gente aqui, talvez seria bonito que a igreja ficasse aberta durante todo o dia…Boa idéia! Também seria bonito que tivesse sempre um confessor à disposição, alí…Boa idéia! E assim foi”.

Esta – acrescentou – é uma ‘corajosa criatividade’. Também em relação aos cursos em preparação ao Batismo “é necessário superar o obstáculo dos pais e das mães que trabalham toda a semana e no domingo gostariam de repousar”. Então, é necessário “buscar novos caminhos”, como uma “missão no bairro” promovida pelos leigos. E esta é a “conversão pastoral”. A Igreja, “também o Código de Direito canônico nos dá tantas, tantas possibilidades, tanta liberdade para buscarmos estas coisas”. É necessário – destacou – procurar os momentos de acolhida, quando os fiéis devem ir à paróquia por um motivo ou outro. E criticou severamente quem, numa paróquia, está mais preocupado em pedir dinheiro por um certificado que pelo Sacramento e assim “afastam as pessoas”. É necessário, ao invés disto, “a acolhida cordial”: “que aquele que venha à igreja se sinta como na sua casa. Se sinta bem. Que não se sinta explorado”:

“Um sacerdote, uma vez – não da minha Diocese, de uma outra -, me dizia: ‘Mas, eu não faço pagar nada, nem mesmo as intenções da Missa. Tenho alí uma caixa e eles deixam aquilo que querem. Mas Padre: tenho quase o dobro do que tinha anteriormente. Porque as pessoas são generosas, e Deus abençoa estas coisas’.

“Se, ao invés disto, a pessoa vê que existe um interesse econômico, então se afasta”, observou Francisco. O Papa então, respondeu a quem lhe perguntava como ele se define agora, visto que, como Arcebispo de Buenos Aires, gostava definir-se simplesmente como ‘sacerdote’:

“Mas, eu me sinto padre, é sério. Eu me sinto padre, sacerdote, é verdade, bispo…Me sinto assim, não! E agradeço ao Senhor por isto. (aplausos) Teria medo de sentir-me um pouco mais importante, não! Isto sim, tenho medo disto, pois o diabo é esperto, eh!, é esperto e te faz sentir que agora tu tem poder, que tu pode fazer isto, que tu podes fazer quilo…mas sempre girando, girando em volta, como um leão – assim diz São Pedro, não! Mas graças a Deus, isto não perdi, ainda, não! E se vocês virem que eu perdi isto, por favor, me digam e se não puderem me dizer privadamente, digam publicamente, mas digam: ‘Olha, converta-te!’, porque está claro, não?” (aplausos)|

Após, o Santo Padre falou sobre os sacerdotes misericordiosos. Um padre enamorado – disse – deve sempre recordar-se do primeiro amor, de Jesus, “retornar àquela fidelidade que permanece sempre e nos espera”. Para mim, isto é “o ponto-chave de um sacerdote enamorado: que tenha a capacidade de voltar à recordação do primeiro amor”. E acrescentou: “uma Igreja que perde a memória, é uma Igreja eletrônica: não tem vida”. Assim, é necessário guardar-se dos padres rigorosos e negligentes. O sacerdote misericordioso – afirmou – é aquele que diz a verdade mas acrescenta: “Não te apavores, o Deus bom te espera, Caminhemos juntos”. A isto acrescentou: “devemos tê-lo sempre sob os olhos: acompanhar. Ser companheiros de caminho”. “A conversão sempre se faz assim – disse – a caminho e não no laboratório”.

“A verdade de Deus é esta verdade, digamos assim dogmática, para dizer uma palavra, ou moral, mas acompanhada do amor e da paciência de Deus, sempre assim”.

“Na Igreja – acrescentou – existem certos escândalos mas também tanta santidade e esta é maior. E existe também esta “santidade cotidiana”, escondida, “aquela santidade de tantas mães e de tantas mulheres, de tantos homens que trabalham todo o dia pela família”. Palavras estas acompanhadas de um encorajadora convicção:

“Eu ouso dizer que a Igreja nunca esteve tão bem como hoje. A Igreja não cai: estou seguro disto, estou seguro!”

O Papa então, voltou ao tema das periferias existenciais, retomando as suas palavra sobre “conventos vazios” e a generosidade para com os mais necessitados. Por fim, refletiu sobre o tema da família, e em particular sobre a delicada questão da nulidade dos matrimônios e sobre as segundas uniões. Um problema – recordou – que Bento XVI tinha no seu coração. “O problema – disse – não pode ser reduzido à questão do fazer a comunhão ou não, porque quem coloca o problema somente nestes termos não entende qual é o verdadeiro problema”.

“É um problema grave” – observou – “de responsabilidade da Igreja em relação às famílias que vivem esta situação”. A Igreja – afirmou ainda – neste momento deve fazer alguma coisa para resolver os problemas das nulidades matrimoniais. Um tema sobre o qual falará com o grupo dos 8 Cardeais que se reunirão nos primeiros dias de outubro, no Vaticano. E será tratado também no próximo Sínodo dos Bispos, pois é uma verdadeira periferia existencial” Por fim, o Papa Francisco recordou que no próximo 21 de setembro recorre o 60º aniversário de sua vocação ao sacerdócio. (JE)

Fonte: Arquidiocese de São Paulo

Fraternidade e Cidadania

Dom Demétrio Valentini

Já foi lançada pela CNBB a Campanha da Fraternidade deste ano de 2012. Como todo mundo já sabe, seu tema é a Saúde Pública, e seu lema retoma o sonho do livro do Eclesiástico, “que a saúde se difunda sobre a terra”.

Lançada em Brasília, a Campanha já se faz presente nas milhares de comunidades, espalhadas pelo Brasil. Aí está um dos fatores que garantem a rápida ressonância da Campanha. Ela valoriza as comunidades. Ela conta com a capilaridade da Igreja. Aciona as lideranças, em cujas mãos coloca os subsídios que municiam a reflexão em torno do tema proposto. E aproveita o tempo da quaresma para motivar a participação e estimular compromissos concretos, que traduzam as sugestões que o tema vai apresentando.

Desta maneira, podemos afirmar que a Campanha da Fraternidade é a maior experiência que se realiza no Brasil, de reflexão conjunta, de debate aberto, em torno de um determinado assunto de interesse social.

A partir desta constatação, se percebe o alcance político da Campanha da Fraternidade. Ela proporciona um clima favorável para aquilo que o povo brasileiro é arredio, e não gosta de fazer: refletir e debater os problemas que envolvem a vida do povo.

De fato, temos uma tradição de pouca participação nos debates políticos. Os próprios partidos não conseguem sustentar esse debate, eles que teriam a incumbência constitucional de apresentar propostas para o adequado enfrentamento dos problemas existentes. Assim, eles não se caracterizam por suas propostas política. . Mas se limitam à estratégia eleitoral de alcançar o poder, sem dizer para que o buscam.

Temos no Brasil uma grande carência de debate político. A Campanha da Fraternidade, com seus limites de iniciativa suscitada por motivações religiosas, é ainda a instância que mais sustenta e articula uma reflexão séria, em cima de dados reais, sobre problemas concretos da sociedade.

O tema deste ano serve de exemplo. Traz uma reflexão muito bem fundamentada, em cima de dados muito interessantes, relativos às questões ligadas ao campo da saúde pública. É tão vasto este campo, que ele precisa ser abordado com conhecimento de causa, com disposição de enfrentá-lo com responsabilidade, e com a certeza de contar com o respaldo do Estado e da sociedade.

Os médicos costumam discernir os casos de “alta complexidade”. A Campanha deste ano nos apresenta também um tema de “alta complexidade” que requer as atenções de todos.

Nos tempos da Constituinte, em que se buscava critérios norteadores para definir a lei básica da Nação, se formulou a sentença, que parecia dar conta do problema de maneira exaustiva. Afirmava-se que “a saúde é direito de todos e dever do Estado”.

A sentença ainda pode continuar vigente. Mas sua compreensão foi adquirindo nuances muito concretas, com incidências muito práticas. O fato de ser “dever do Estado” não exime a sociedade de suas responsabilidades com a saúde pública. A começar pelo dever de acompanhar de perto as políticas públicas relativas à saúde, participar dos conselhos paritários, onde é possível levar as demandas da população e urgir a ação do Estado. E, sobretudo, fiscalizar a aplicação dos recursos públicos, para que sejam distribuídos de maneira equitativa e adequada às condições existentes.

Em todo o caso, a campanha deste ano mostra a importância de refletir sobre a saúde pública com informações concretas, à luz dos grandes valores envolvidos nesta questão de interesse tão direto da população. Quanto mais informações, maiores serão os consensos, maior o envolvimento da sociedade, maior o compromisso do Estado, sobretudo garantindo os recursos financeiros, que viabilizem as ações indispensáveis para uma verdadeira política de saúde pública.

Campanha da Fraternidade 2010

Pe. Dr. Brendan Coleman Mc Donald

Com um ato solene a terceira Campanha da Fraternidade Ecumênica foi lançada no dia 10 de setembro, no Rio de Janeiro. O tema é “Fraternidade e Economia” e o lema é “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro” (Mt 6, 24). O tema e o lema foram escolhidos no ano passado depois de muitas reuniões e pesquisas. O evento contou com a participação de várias autoridades eclesiásticas e políticas: o secretário geral da CNBB, Dom Dimas Lara Barbosa; o presidente do CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs), pastor sinodal Carlos Augusto Möller; a senadora Marina Silva; o economista e secretário de Economia Solidária do Ministério do Trabalho, professor Paul Singer entre outros.

Sob a responsabilidade do CONIC, a Campanha da Fraternidade de 2010 será ecumênica e estará aberta à participação de todas as denominações cristãs. O objetivo geral da Campanha é “Colaborar na promoção de uma economia a serviço da vida, fundamentada no ideal da cultura da paz, a partir do esforço conjunto das Igrejas Cristãs e de pessoas de boa vontade, para que todos contribuam na construção do bem comum em vista de uma sociedade sem exclusão”.

Portanto a Campanha da Fraternidade 2010 quer unir as Igrejas Cristãs e, principalmente a nossa sociedade, que é formada por pessoas de boa vontade, na promoção de uma economia a serviço da vida, sem exclusões, criando uma cultura de solidariedade e trazendo a paz. A Campanha vai nos ajudar a reconhecer nossa omissão diante das injustiças que causam exclusão social e miséria. Hoje precisamos combinar eficiência econômica, justiça social e prudência ecológica, percebendo a relação e a importância do meio ambiente nas atividades de desenvolvimento econômico, social e cultural.

O Texto-Base da Campanha insiste que a economia existe para a pessoa e para o bem comum da sociedade, não a pessoa para a economia. O lema da Campanha, a afirmação de Jesus registrada no Evangelho de Mateus: “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro” (Mt 6,24) nos propõe uma escolha entre os valores do plano de Deus e a rendição diante do dinheiro, visto como valor absoluto dirigindo a vida (Texto-base, p.47). O dinheiro, embora necessário, não pode ser o supremo valor dos nossos atos nem o critério absoluto das decisões dos indivíduos e dos governos. O dinheiro “deve ser usado para servir ao bem comum das pessoas, na partilha e na solidariedade”. Toda a vida econômica deveria ser orientada por princípios éticos. A medida fundamental para qualquer economia é um sistema que deveria criar reais condições de segurança e oportunidades de desenvolvimento da vida de todas as pessoas, desde os mais pobres e vulneráveis. O capitalismo selvagem trabalho no sentido oposto. Não se importa com a destruição da natureza ou com o fato de que está tornando sistêmica a miséria de milhões de famílias.

Na história humana, marcada por ambições, explorações, injustiças e ganância, a Bíblia se volta decididamente para a defesa dos pobres. No âmbito social, a Bíblia nos mostra profetas acusando reis e gente poderosa que enriquece à custa do povo e não cuida bem daqueles a quem deveriam servir (Is. 3,13-15; Jr 5, 27-29: Ez 34, 2-4 etc.). No âmbito comunitário, a Bíblia fala sobre a diária do trabalhador que deve ser paga no mesmo dia, pois ele precisa disso para viver (Ex 19, 13), e ao socorro que devemos prestar aos pobres (Dt 15, 7-11). No âmbito pessoal somos chamados a evitar corrupção e desonestidade e viver a partilha no amor fraterno. As palavras de João no Evangelho de Lucas (Lc 3, 10-14) nos oferecem uma orientação clara nesta área. (cf. p.48 do Texto-Base).

O Texto-Base da Campanha deve ser um instrumento à disposição das comunidades cristãs e de todas as pessoas de boa vontade para enfrentar, com consciência crítica, os temas do desenvolvimento e da justiça, da economia e da vida humana no Brasil e no mundo. Precisamos denunciar a perversidade de todo modelo econômico que vise em primeiro lugar o lucro, sem se importar com a desigualdade, miséria, fome e morte. A Campanha nos convida a lutar para: incluir a alimentação adequada entre os direitos previstos na Constituição Federal; erradicar o analfabetismo; eliminar o trabalho escravo; combater o trabalho infantil; conseguir uma tributação justa e progressiva; garantir o acesso à água e continuar a luta pela Reforma Agrária.

Crismandos: Um dia de reflexão e convivência

No último domingo (07/12), os jovens e adultos que se preparam para o Crisma na paróquia de São Miguel, tiveram a oportunidade de passar um dia em uma chácara, onde juntos puderam refletir sobre o Sacramento o qual estão se preparando e se dessa forma crescerem na convivência fraterna.

Acompanhados de alguns pais, pessoas da comunidade e da querida Silvia, responsável que orienta e prepara esses jovens, estiveram em Mairiporã, na chácara cedida pelo Sr. Ângelo e pela Inês, Ministra da São Miguel.

Após a chegada e um belo café da manhã, um momento de reflexão sobre a importância do Sacramento do Crisma e como nossa vida é construída de fatos e situações que se tornam para nós um sacramento também, dos quais jamais nos esquecemos, pois ficam marcados para a toda a nossa vida: algo que tenha ocorrido com nossos pais, filhos, amigos, enfim pessoas que amamos.

Todos tiveram oportunidade de participar de atividades esportivas e também de deliciar um maravilhoso churrasco, preparado com a ajuda dos pais que lá estavam.

A participação de todos contribuiu para que tudo desse certo e foi o tom marcante do encontro.

O amigo secreto após o almoço ajudou para que pessoas que ainda não eram tão conhecidas, passassem a sê-lo.

Abaixo transcrevemos alguns relatos sobre a experiência vivida nesse dia:

Para mim, a confraternização foi simplesmente perfeita, pois pude conhecer melhor as pessoas com quem faço a crisma. Todos nós nos enturmamos e fortalecemos nossa amizade, além de passar um dia maravilhoso com piscina, churrasco e bagunça. A presença de nossos pais foi fundamental porque assim sabemos que sempre estarão conosco, nos momentos felizes e que nos ajudarão em todas as nossas decisões, fortalecendo nossa fé na igreja.
Leticia

A confraternizaçao foi muito especial para mim. Pude me enturmar mais com os meus amigos.
Queria agradecer a Silvia por ser uma pessoa muito especial para mim.

Victoria

Há momentos que ficam na nossa mente perfeitos, tal como foram vividos.
Gabriela

Às 18:00 hs, o ônibus deixava a chácara retornando à São Paulo após um belo dia marcante para todos.

Veja algumas fotos tiradas durante o dia:

Carta de D. Tomás Balduino

Dom Tomás Balduino *

Queridos Irmãos,
A paz do Senhor esteja com vocês!
Peço-lhes licença para colocar aqui umas reflexões que venho tendo com outros colegas, inclusive dando a forma de carta. Trata-se da concepção de igreja e, de modo especial, de igreja catedral. Fui motivado sobretudo pelo fato da catedral de Goiânia ter de se mudar para uma obra que ficará próxima do atual Paço municipal, em terreno doado por Lourival Lousa, dono do Flamboyant, porém do outro lado da rodovia 153, em local de acesso difícil e distante do povão. Será então uma catedral tipo monumento moderno, atualizado, tudo bem planejado, de concepção semelhante à de Brasília, a mesma que vai se reproduzir futuramente também em Palmas. Enquanto isso, por exemplo, as chamadas catedrais da Igreja Universal do Reino de Deus, que não deixam de ser também portentosas construções, ficam bem perto do povo e se enchem de gente. O que pensar, então, a respeito de nossas igrejas? Isso também faz parte da nossa responsabilidade pastoral.

1. O sacramento do Templo na Bíblia

O Senhor nos deu um ensinamento bem preciso e nos evangelizou sobre o templo. Enquanto as nações vizinhas do Povo de Israel tinham todas seu templo, os profetas do Senhor diziam que Deus não quer templo. Deus quer acampar com seu povo nômade. Construir um templo seria traição desse caminhar de Deus com seu povo. Até mesmo quando o rei Davi quis levantar um templo, o Senhor mandou o profeta Natan lhe dizer: “Desde que Deus tirou o seu povo do Egito, sempre morou em tenda e nunca pediu templo”. (2 Sm 7,7).
Segundo Isaías (Is 66,1), Deus é aquele que o universo inteiro não pode conter. Tem o céu por seu trono e a terra como escabelo de seus pés. Como pode morar em uma casa edificada pelo homem? O problema é que, de fato, desde o começo, até hoje, o templo tem servido de legitimação do poder dos reis e dos donos do poder. Não é, pois, de graça que o rei e os poderosos dão todo apoio econômico à sua construção suntuosa e em lugar privilegiado. Por isso, os profetas sempre criticaram o templo e pediram que a fé se libertasse e fosse para além do templo.
Alguns profetas, como Isaias e Jeremias, tiveram que assumir o templo como um fato consumado, mas tiraram partido dele como lugar do ensino da Palavra, não como lugar de sacrifício. E Jesus retomou esta tradição profética. Na hora da sua prisão declarou aos seus algozes: “Todos os dias eu ensinava no templo e não me prendestes”. (Mc 14,49). O templo, com efeito, não era tradicionalmente lugar de ensino, mas sim de sacrifício. Fazer daquele lugar um lugar de profecia foi um ato crítico e subversivo.
Depois do exílio da Babilônia, os judeus fiéis se reuniam em sinagogas (casas da comunidade). Começou, então, uma tensão entre o judaísmo da sinagoga (baseado na Palavra) e o judaísmo do templo (baseado nos sacrifícios e no culto). O Cristianismo surgiu no meio do judaísmo das sinagogas e não no do templo. As reuniões dos primeiros cristãos, que marcaram a liturgia até hoje, seguiram o esquema da sinagoga, não do templo. Das sinagogas para as casas. E, de casa em casa, o Evangelho foi irradiando.
Na cena da limpeza do templo o zelo vigoroso demonstrado por Jesus não foi em defesa daquela obra feita pela mão do homem. “Ele se referia ao templo do seu corpo” (Jo 2,21) e também à morada de Deus, isto é “àquele que o ama e cumpre sua palavra” (Jo 14,23) e sobretudo ao faminto, ao sedento, ao migrante, ao nu, ao doente, ao preso, às vítimas da opressão e da exploração. (Cf. Mt 23). Jesus se proclama maior do que o templo (Mt 12,6). Ele veio construir um templo não feito por mão humana (Mc 14,58). Ao celebrar sua oblação perfeita ao Pai Ele optou por fazê-la fora do templo e fora da cidade. O templo novo é o seu corpo ressuscitado (Jo 2,20). No Apocalipse, quando é anunciada a nova Jerusalém, o autor insiste que ela não tem mais templo porque o próprio Deus é o seu templo (Ap 21,22).

2. Templos e catedrais na história da Igreja

Há um paradoxo e uma contradição no fato dos judeus, para os quais o templo se tinha tornado o sacramento da presença divina, não terem querido reconstruir o templo depois de sua destruição no ano 70, enquanto os cristãos, que receberam tantas advertências de Jesus, multiplicaram os lugares de culto.
À medida que a Igreja se incorporou ao Império e se tornou uma Igreja Cristandade, ocupou os antigos templos pagãos e os transformou em templos da nova religião oficial que era a Igreja cristã. Da Idade Média até os nossos dias, as catedrais, construídas nas praças centrais e ao lado do poder político se tornaram símbolos de uma Igreja que o Concílio Vaticano II procurou superar. Segundo a Lúmen Gentium, “Assim como o Cristo consumou a obra da redenção na pobreza e na perseguição, assim a Igreja é chamada a seguir o mesmo caminho. Cristo foi enviado pelo Pai para ‘evangelizar os pobres, sanar os contritos de coração’ (Lc 4,18), semelhantemente a Igreja cerca de amor todos os afligidos pela fraqueza humana, reconhece mesmo nos pobres e sofredores a imagem do seu Fundador pobre e sofredor” (LG nº 8). Dom Hélder Câmara, por exemplo, fiel a este novo espírito, foi na direção da periferia. Escolheu “a igreja das fronteiras” e fez das comunidades de periferia o lugar da cátedra do pastor. Dom Paulo Evaristo Arns, em 1973, vendeu o palácio episcopal e com o dinheiro construiu inúmeros centros comunitários na periferia de São Paulo, onde as Comunidades Eclesiais de Base passaram a se reunir para círculos bíblicos, celebrações da Palavra e da vida e lutar pelos direitos humanos. Mesmo em plena Cristandade, pastores como João Crisóstomo, Basílio e, no Ocidente, Ambrósio e Agostinho insistem que o verdadeiro templo de Deus e a glória da Igreja são os pobres. E João Crisóstomo fazia os pobres sentarem em sua cátedra na Igreja de Constantinopla.
A celebração dos sacramentos polarizada pelo altar, assim como a devoção e o culto dos santos polarizados pelo santuário, tornaram-se, durante séculos, a marca característica das igrejas católicas, infelizmente esvaziadas da Palavra. Inversamente, as igrejas da Reforma protestante deram um lugar primordial ao púlpito e à Bíblia, lida e assumida, com muito empenho, por todos os membros da comunidade. Foi o Concílio Vaticano II que, através das Constituições Dei Verbum e Sacrosanctum Concilium, restabeleceu o equilíbrio original entre o altar e o púlpito, valorizando a Palavra, que passou a integrar as celebrações dos sacramentos e readquiriu o lugar que ela tinha na vida da primitiva Igreja dos Apóstolos e dos mártires. Na construção das novas igrejas começaram até a aparecer soluções arquitetônicas criativas preocupadas em garantir a boa acústica, que favoreça a audição clara, para todos os participantes, de tudo o que é proclamado na liturgia.
As comunidades precisam sim de lugares para se reunirem e terem seu culto. Elas gostam que estes lugares sejam belos, dignos e venerados. Entretanto, é importante esclarecer que o templo é símbolo e sacramento da comunidade viva e deve ser o lugar da comunidade e não o instrumento do poder clerical ou episcopal, construído nos mesmos critérios dos templos que antigamente legitimavam o domínio dos poderosos do mundo.
“Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro (Mamon)”, disse Jesus. (Mt 6,24). O termo “servir” refere-se ao culto e o nome “Dinheiro” é sinônimo de “Mamon”, o ídolo. O povo de Deus, povo sacerdotal, ao mesmo tempo que no templo ou fora do templo, isto é, na vida prática, cultua o Senhor, deve ser uma clara denúncia da monstruosa idolatria que domina no mundo. Em l989, para preparar a conferência do Conselho Mundial de Igrejas sobre “Justiça, Paz e Defesa da Criação”, Ulrich Ducrow escrevia: “Quando vemos os mecanismos de um sistema econômico que, ano após ano, cria milhões de vítimas da fome e milhões de desempregados, quando vemos as florestas morrerem para permitir o lucro das empresas e vemos as superpotências continuarem a louca corrida armamentista, devemos admitir que estamos diante de um monstro demoníaco. De fato, os capítulos 13 a 18 do Apocalipse, com a sua descrição da Fera que sobe do abismo, são ainda a melhor descrição do atual sistema econômico, político e de seus meios de comunicação”. Pois bem, esta terrível idolatria tem seus “Templos”. Os bancos centrais superam em visibilidade arquitetônica qualquer catedral de qualquer parte do mundo. Eles são Templos. Têm seus sacerdotes, seu santo dos santos, seus sacrários de segurança máxima, acessíveis a poucos e onde guardam seu deus. Vamos nos contrapor a isso usando os mesmos critérios de grandiosidade e de poder ou seguiremos os caminhos da pequenez e do não-poder apontados por Jesus como força imbatível na construção do Reino de Deus?
Eram estas reflexões, Irmãos, que queria lhes comunicar, com simplicidade, na certeza de que podem surtir algum efeito prático. Do meu lado fico à disposição de vocês para qualquer reação a isto que não deixa de ser uma fraterna provocação.

Saúdo-os com fraterna amizade no Senhor Jesus, nosso Templo vivo.

Dom Tomás Balduino
Bispo emérito de Goiás

Publicada originalmente no site Adital

O homem médio

DAVID OLIVEIRA DE SOUZA*

Este ano, foram libertadas as pessoas acusadas de extorquir o padre Júlio Lancellotti. A sentença, proferida pelo juiz Julio Caio Farto Sales, surpreendeu pela inconsistência dos argumentos. O magistrado ignora fatos relevantes, como a conclusão do inquérito policial que reconheceu a ocorrência de extorsão e o pedido de condenação dos réus pelo Ministério Público de São Paulo. O que mais assusta, no entanto, é a falta de análise do contexto em que os fatos se deram e os acusados agiram, pois permite interpretações distorcidas, como a que faz o juiz na sentença ao concluir que não é compreensível que um “homem médio” – no caso o padre Júlio – tenha aceitado uma extorsão por tanto tempo. É curioso o fato de que para o referido juiz, um homem médio jamais aceitaria uma extorsão por longo período, porém de bom grado abriria mão das economias de toda uma vida por razões frívolas.

Não se sabe o que o meritíssimo definiu com o termo “homem médio”, mas tudo indica que referiu-se à média dos homens da sociedade, faltando especificar sob que aspecto trata-se a vítima de um “homem médio”. Econômico, social, moral, educacional, religioso? Poderemos ter um homem médio na educação, mas abaixo da média na dimensão econômica? Ou outro homem médio no porte físico, mas acima da média na dimensão moral? Qualquer que seja a resposta tem-se que todo “homem médio” pode ser vítima de violência e, uma vez o sendo, pode reagir de formas diversas, principalmente se a violência em questão for psicológica.

Segundo o Centro Latino-Americano de Estudos da Violência e Saúde da Fundação Oswaldo Cruz, a violência psicológica consiste em agressões verbais ou gestuais com o objetivo de aterrorizar, rejeitar, humilhar a pessoa, restringir sua liberdade ou ainda isolá-la do convívio social. Tem efeito sobre a auto-estima e a autoconfiança. É uma modalidade de violência pouco reconhecida e notificada. No entanto, está na base de problemas de saúde como transtornos de ansiedade e depressão. O processo mostra que padre Júlio foi vítima de violência psicológica contínua. O mesmo tipo de violência sofrida pelos moradores do imóvel irregularmente ocupado na zona leste de São Paulo para onde os réus foram pouco depois de sua libertação, exigindo de forma violenta, segundo relatos das vítimas, o pagamento dos aluguéis que recebiam ilegalmente antes de serem presos.

É fato conhecido que a violência psicológica pode perpetuar-se por longos períodos, principalmente se houver vínculo familiar entre o algoz e sua vítima. São comuns abusos psicológicos de pais contra filhos, de filhos contra pais ou entre empregadores e empregados. O vínculo deixa muitas vezes a vítima aprisionada num conflito mental em que espera, sem sucesso, a mudança de atitude de seu agressor, o qual, por sua vez, alimenta essa esperança com interregnos menos agressivos, até voltar a ser violento. No caso específico de Júlio Lancellotti, somam-se outras dimensões à cena, que justificam o fato de a denúncia formal ter ocorrido apenas três anos após o início da extorsão (a informal fora feita dois anos antes, ao governador, ao secretário-adjunto de Segurança e ao comandante da PM): a dimensão religiosa, que fortalecia a crença na possibilidade de mudança de atitude do agressor; a dimensão histórica, do cidadão que dedicou anos de sua vida à defesa de uma atitude sociedade menos punitiva e mais cuidadora da sociedade diante dos jovens infratores, fazendo com que a condenação do réu representasse simbolicamente a derrota de sua causa; a dimensão biológica, que fez com que reagisse de forma depressiva às ameaças perpetradas contra sua vida. Nenhuma dessas dimensões pode ser ignorada e,se acrescidas dos fatos evidenciados no processo, não deixam dúvidas de que Júlio Lancellotti foi vítima de extorsão continuada.

Um elemento final e muito destacado é o fato de padre Júlio não ter até o momento se pronunciado publicamente em defesa própria, sendo que tantas vezes o fez em favor dos excluídos. O silêncio do padre reproduz a atitude histórica de muitos religiosos em momentos de dificuldade e remonta até o referencial maior dos cristãos, a própria figura de Jesus, a quem Pilatos perguntou insistentemente: “Nada respondes? Vê quantas coisas testificam contra ti?”. E Jesus nada respondeu.

DAVID OLIVEIRA DE SOUZA, 32, é médico pessoal do padre Júlio Lancellotti, professor de saúde coletiva da Universidade Federal de Sergipe e trabalha para a Organização Médicos Sem Fronteiras. É especialista em medicina de família e comunidade pela UERJ, especialista em clínica médica pela UFRJ e mestre em relações internacionais pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris.