testemunho

Missa em memória de Dom Luciano no Arsenal da Esperança

Missa no sábado, 30/8, lembrou os 8 anos do falecimento de Dom Luciano Mendes de Almeida, ex-arcebispo de Mariana (MG) e ex-bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, responsável pela Região Belém. A celebração foi presidida por Dom Angélico Bernardino, arcebispo emérito de Blumenau que conviveu com Dom Luciano quando esteve à frente da Região São Miguel. Assista à homilia de Dom Angélico, no Arsenal da Esperança:

No final, Dom Angélico reforçou dois pensamentos de Dom Luciano:

VÍDEOS: No feriado de 9 de julho, a Igreja celebra o dia de Santa Paulina

Nos avisos da semana iniciada em 06/07/2014, o Pe. Julio lembrou a história de Santa Paulina, considerada a primeira santa brasileira e alertou sobre o desafio de entender a realidade, os interesses por trás da Copa do Mundo e o acirramento da violência contra as manifestações e os movimentos sociais:

No final da celebração, Solange Boim Colomina, integrante da comunidade, deu um testemunho de fé:

Depois disso, o Pe. Julio propôs um exercício de partilha, ao som do canto “Conheço um Coração”, do Pe. Joãozinho:

Para finalizar a celebração, a comunidade cantou “Utopia”, de Zé Vicente:

Tempo Comum: Corpus Christi

Dom Edmar Peron

Entre as solenidades do Senhor, durante o Tempo Comum, temos a do Santíssimo Sacramento do Corpo e do Sangue de Cristo. Tal celebração tem suas raízes na devoção eucarística, muito florescente a partir do século XII, que realçava a presença real de Cristo no sacramento e sua adoração. O papa Urbano IV, ao prescrever essa solenidade para toda a Igreja, no dia 11 de agosto de 1264, com a Bula “Transiturus de hoc mundo”, procurou situar a presença eucarística em seu contexto original: a celebração da morte e ressurreição de Cristo: “Este é o memorial… salvífico, no qual reconsideramos a grata memória da nossa redenção, no qual somos afastados do mal e revigorados no bem, e progredimos no crescimento das virtudes e das graças” (Denzinger Hünermann 846, = DH).

Esta festa é celebrada com missa, seguida de procissão, sendo consagrada, na missa, a hóstia que será levada em procissão; tal procissão e bênção ocupam o lugar dos ritos finais. As três orações da missa permaneceram as mesmas do missal de 1570, contudo – salientemos – a liturgia da Palavra foi enriquecida com leituras próprias para cada um dos anos: A, B e C. Enquanto as orações refletem respectivamente a eucaristia como memorial da paixão de Cristo, sacramento da unidade e prefiguração do gozo da vida divina, as leituras nos apresentam o mistério eucarístico a partir do êxodo (ano A), da Páscoa e da Aliança (ano B) e do Pão da Vida (ano C).

O sentido teológico é aquele que foi colocado por Jesus Cristo: “Fazei isto em memória de mim”. Colocar outro seria incorrer no erro gravíssimo de separar a “hóstia consagrada” do “mistério pascal” do Senhor (o que, às vezes, infelizmente, vemos acontecer – !?). Em cada santa missa, portanto, a Igreja torna presente o Senhor, faz a memória d’Ele, do seu mistério pascal, fato já acontecido, único, irrepetível e sempre atual (1Cor 11,23-26). Desse modo, a cada geração é dada a possibilidade de participar do mesmo sacramento do Senhor até que Ele venha! “Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!”.

A comunhão eucarística é, pois, participação sacramental na vida de Jesus Cristo – vida doada, vida entregue – pois o cálice de bênção é comunhão com o sangue de Cristo, e o pão que partimos é comunhão com o corpo de Cristo (1Cor 10,16). Essa comunhão vai nos configurando com Jesus: “Este pão é comido, mas na verdade não é consumido; é comido, mas não mudado, porque não é de modo algum transformado naquele que come, mas, se é recebido de modo digno, aquele que o recebe é a ele amoldado” (Bula Transiturus: DH 847).

Por fim, com a procissão, somos chamados a participar do esforço missionário de toda a Igreja: levar Cristo pelas ruas, fábricas, lojas, shoppings… Seria deficiente a espiritualidade que valorizasse o tapete e a procissão, mas não desse testemunho de Cristo diante do mundo.

Espiritualidade pascal: um povo santo

Dom Edmar Peron

A espiritualidade do tempo pascal quer gerar mulheres e homens santos: um povo santo! O Batismo já nos fez participar sacramentalmente da vida nova, dom de Deus; no entanto, ela precisa manifestar-se em nós a cada dia. Como nos ensina o Apóstolo Paulo, fomos batizados em Cristo Jesus, batizados em sua morte, para que “assim como Cristo foi ressuscitado dos mortos pela glória do Pai, assim também nós vivamos uma vida nova” (Rm 6,4). É isso, somos chamados a viver uma vida nova. Testemunhas dessa vida são os santos e as santas, homens e mulheres que ouviram a voz do Bom Pastor e o seguiram; cristãos de ontem e de hoje que buscaram com grande empenho, “as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus” (Cl 3,1-4). Vários deles são comemorados ao longo do tempo da Páscoa, dentre os quais quero destacar alguns.

Em primeiro lugar, Maria, aclamada por Isabel como “Mãe do Senhor” (31/05), e José, seu esposo, o Operário de Nazaré (1º/05). Depois: Filipe e Tiago (03/05), e Barnabé (14/05), Apóstolos do Senhor; Rita de Cássia, a santa que tornou possível o que todos consideravam impossível, experimentando em sua própria vida, especialmente nos momentos mais difíceis, o quanto Deus é bom (século 15 – 22/05); Catarina de Sena, doutora da Igreja, que uniu à profundidade da vida contemplativa uma incansável atividade missionária, sendo mensageira da paz (século 14 – 29/04); Filipe Neri, padre dedicado à evangelização da juventude, que difundia alegria por onde passava, fruto de sua união com Deus e de seu bom humor (século 16 – 26/05); Carlos Lwanga e seus 21 Companheiros, jovens mártires africanos, testemunhas da fidelidade a Cristo, em meio aos mais terríveis tormentos: o próprio Carlos foi queimado vivo (século 19 – 03/06); João XXIII e João Paulo II, inscritos na lista, isto é, no cânon dos santos no dia 27 de abril: “Foram sacerdotes, bispos e papas do século XX. Conheceram as suas tragédias, mas não foram vencidos por elas. Mais forte, neles, era Deus; mais forte era a fé em Jesus Cristo, Redentor do homem e Senhor da história; mais forte, neles, era a misericórdia de Deus que se manifesta nestas cinco chagas [do Senhor]; mais forte era a proximidade materna de Maria” (Papa Francisco, na homilia da canonização). Por fim, você pode certamente continuar a lista com pessoas que conhece, as quais são hoje, gente santa, testemunhas de Cristo, que por nós morreu, foi sepultado e ressuscitou dos mortos, “conforme as escrituras” (1Cor 15,3-5a).

Podemos, pois, afirmar com toda segurança: somos todos chamados à santidade, como nos ensina o capítulo 5, da Lumen Gentium, Constituição Dogmática sobre a Igreja, do Concílio Vaticano II: “Todos os fiéis se santificarão cada dia mais nas condições, tarefas e circunstâncias da própria vida e através de todas elas […], manifestando a todos, na própria atividade temporal, a caridade com que Deus amou o mundo” (41).

“Esta é, pois, a vontade de Deus: a santificação de vocês” (1Ts 4,3).

O Papa afirmou que a Igreja, sem testemunho, é estéril

A Igreja não é uma universidade da religião – afirmou o Papa Francisco na Missa em Santa Marta na manhã desta terça-feira na qual deixou uma mensagem clara: a Igreja sem testemunho é estéril.Na sua homilia o Santo Padre percorreu o caminho do martírio de Estevão, o primeiro mártir da Igreja. O primeiro de tantos testemunhos:
“Martírio é a tradução da palavra grega que também significa testemunho. E assim podemos dizer que para um cristão o caminho vai no rasto deste testemunho, sobre estas pegadas de Jesus para dar testemunho d’Ele e tantas vezes este testemunho acaba por dar a vida. Não se pode entender um cristão sem que seja testemunha e dê testemunho. Nós não somos uma religião de ideias, de pura teologia, de coisas belas, de mandamentos. Não, nós somos um povo que segue Jesus Cristo e dá testemunho de Jesus Cristo – e este testemunho às vezes chega a dar a vida.”

Assassinado Estevão, lê-se nos Atos dos Apóstolos, que eclodiu uma violenta perseguição contra a Igreja em Jerusalém. E desta forma – sublinhou o Papa – os cristãos dispersaram-se na região da Judeia e da Samaria. E estas pessoas aonde quer que chegavam davam testemunho de Jesus dando assim início à missão da Igreja – afirmou o Papa Francisco:
“O testemunho seja na vida quotidiana, seja com algumas dificuldades e, também seja na perseguição com a morte, sempre é fecunda. A Igreja é fecunda e mãe quando dá testemunho de Jesus Cristo. Ao invés, quando a Igreja se fecha em si própria, julga-se – digamos – uma universidade da religião, com tantas belas ideias, com tantos belos templos, com tantos belos museus, com tantas belas coisas, mas não dá testemunho, torna-se estéril. O cristão também. O cristão que não dá testemunho fica estéril, sem dar a vida que recebeu de Jesus Cristo.”

“E hoje pensando nestes dois ícones – Estevão que morre e a gente, os cristãos, que fogem, andando por todo o lado devido à violenta perseguição – perguntemo-nos: Como é o meu testemunho? Sou um cristão testemunha de Jesus ou sou um simples numerário desta seita? Sou fecundo porque dou testemunho, ou fico estéril porque não sou capaz de deixar que o Espírito Santo me leve para a frente na minha vocação cristã?”

Fonte: News.Va

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2014

Fez-Se pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza (cf. 2 Cor 8, 9)

Queridos irmãos e irmãs!

Por ocasião da Quaresma, ofereço-vos algumas reflexões com a esperança de que possam servir para o caminho pessoal e comunitário de conversão. Como motivo inspirador tomei a seguinte frase de São Paulo: «Conheceis bem a bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, Se fez pobre por vós, para vos enriquecer com a sua pobreza» (2 Cor 8, 9). O Apóstolo escreve aos cristãos de Corinto encorajando-os a serem generosos na ajuda aos fieis de Jerusalém que passam necessidade. A nós, cristãos de hoje, que nos dizem estas palavras de São Paulo? Que nos diz, hoje, a nós, o convite à pobreza, a uma vida pobre em sentido evangélico?

A graça de Cristo

Tais palavras dizem-nos, antes de mais nada, qual é o estilo de Deus. Deus não Se revela através dos meios do poder e da riqueza do mundo, mas com os da fragilidade e da pobreza: «sendo rico, Se fez pobre por vós». Cristo, o Filho eterno de Deus, igual ao Pai em poder e glória, fez-Se pobre; desceu ao nosso meio, aproximou-Se de cada um de nós; despojou-Se, «esvaziou-Se», para Se tornar em tudo semelhante a nós (cf. Fil 2, 7; Heb 4, 15). A encarnação de Deus é um grande mistério. Mas, a razão de tudo isso é o amor divino: um amor que é graça, generosidade, desejo de proximidade, não hesitando em doar-Se e sacrificar-Se pelas suas amadas criaturas. A caridade, o amor é partilhar, em tudo, a sorte do amado. O amor torna semelhante, cria igualdade, abate os muros e as distâncias. Foi o que Deus fez connosco. Na realidade, Jesus «trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana, amou com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-Se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, exceto no pecado» (CONC. ECUM. VAT. II, Const. past. Gaudium et spes, 22).

A finalidade de Jesus Se fazer pobre não foi a pobreza em si mesma, mas – como diz São Paulo – «para vos enriquecer com a sua pobreza». Não se trata dum jogo de palavras, duma frase sensacional. Pelo contrário, é uma síntese da lógica de Deus: a lógica do amor, a lógica da Encarnação e da Cruz. Deus não fez cair do alto a salvação sobre nós, como a esmola de quem dá parte do próprio supérfluo com piedade filantrópica. Não é assim o amor de Cristo! Quando Jesus desce às águas do Jordão e pede a João Batista para O batizar, não o faz porque tem necessidade de penitência, de conversão; mas fá-lo para se colocar no meio do povo necessitado de perdão, no meio de nós pecadores, e carregar sobre Si o peso dos nossos pecados. Este foi o caminho que Ele escolheu para nos consolar, salvar, libertar da nossa miséria. Faz impressão ouvir o Apóstolo dizer que fomos libertados, não por meio da riqueza de Cristo, mas por meio da sua pobreza. E todavia São Paulo conhece bem a «insondável riqueza de Cristo» (Ef 3, 8), «herdeiro de todas as coisas» (Heb 1, 2).

Em que consiste então esta pobreza com a qual Jesus nos liberta e torna ricos? É precisamente o seu modo de nos amar, o seu aproximar-Se de nós como fez o Bom Samaritano com o homem abandonado meio morto na berma da estrada (cf. Lc 10, 25-37). Aquilo que nos dá verdadeira liberdade, verdadeira salvação e verdadeira felicidade é o seu amor de compaixão, de ternura e de partilha. A pobreza de Cristo, que nos enriquece, é Ele fazer-Se carne, tomar sobre Si as nossas fraquezas, os nossos pecados, comunicando-nos a misericórdia infinita de Deus. A pobreza de Cristo é a maior riqueza: Jesus é rico de confiança ilimitada em Deus Pai, confiando-Se a Ele em todo o momento, procurando sempre e apenas a sua vontade e a sua glória. É rico como o é uma criança que se sente amada e ama os seus pais, não duvidando um momento sequer do seu amor e da sua ternura. A riqueza de Jesus é Ele ser o Filho: a sua relação única com o Pai é a prerrogativa soberana deste Messias pobre. Quando Jesus nos convida a tomar sobre nós o seu «jugo suave» (cf. Mt 11, 30), convida-nos a enriquecer-nos com esta sua «rica pobreza» e «pobre riqueza», a partilhar com Ele o seu Espírito filial e fraterno, a tornar-nos filhos no Filho, irmãos no Irmão Primogênito (cf. Rm 8, 29).

Foi dito que a única verdadeira tristeza é não ser santos (Léon Bloy); poder-se-ia dizer também que só há uma verdadeira miséria: é não viver como filhos de Deus e irmãos de Cristo.

O nosso testemunho

Poderíamos pensar que este «caminho» da pobreza fora o de Jesus, mas não o nosso: nós, que viemos depois d’Ele, podemos salvar o mundo com meios humanos adequados. Isto não é verdade. Em cada época e lugar, Deus continua a salvar os homens e o mundo por meio da pobreza de Cristo, que Se faz pobre nos Sacramentos, na Palavra e na sua Igreja, que é um povo de pobres. A riqueza de Deus não pode passar através da nossa riqueza, mas sempre e apenas através da nossa pobreza, pessoal e comunitária, animada pelo Espírito de Cristo.

À imitação do nosso Mestre, nós, cristãos, somos chamados a ver as misérias dos irmãos, a tocá-las, a ocupar-nos delas e a trabalhar concretamente para as aliviar. A miséria não coincide com a pobreza; a miséria é a pobreza sem confiança, sem solidariedade, sem esperança. Podemos distinguir três tipos de miséria: a miséria material, a miséria moral e a miséria espiritual. A miséria material é a que habitualmente designamos por pobreza e atinge todos aqueles que vivem numa condição indigna da pessoa humana: privados dos direitos fundamentais e dos bens de primeira necessidade como o alimento, a água, as condições higiênicas, o trabalho, a possibilidade de progresso e de crescimento cultural. Perante esta miséria, a Igreja oferece o seu serviço, a sua diaconia, para ir ao encontro das necessidades e curar estas chagas que deturpam o rosto da humanidade. Nos pobres e nos últimos, vemos o rosto de Cristo; amando e ajudando os pobres, amamos e servimos Cristo. O nosso compromisso orienta-se também para fazer com que cessem no mundo as violações da dignidade humana, as discriminações e os abusos, que, em muitos casos, estão na origem da miséria. Quando o poder, o luxo e o dinheiro se tornam ídolos, acabam por se antepor à exigência duma distribuição equitativa das riquezas. Portanto, é necessário que as consciências se convertam à justiça, à igualdade, à sobriedade e à partilha.

Não menos preocupante é a miséria moral, que consiste em tornar-se escravo do vício e do pecado. Quantas famílias vivem na angústia, porque algum dos seus membros – frequentemente jovem – se deixou subjugar pelo álcool, pela droga, pelo jogo, pela pornografia! Quantas pessoas perderam o sentido da vida; sem perspectivas de futuro, perderam a esperança! E quantas pessoas se veem constrangidas a tal miséria por condições sociais injustas, por falta de trabalho que as priva da dignidade de poderem trazer o pão para casa, por falta de igualdade nos direitos à educação e à saúde. Nestes casos, a miséria moral pode-se justamente chamar um suicídio incipiente. Esta forma de miséria, que é causa também de ruína econômica, anda sempre associada com a miséria espiritual, que nos atinge quando nos afastamos de Deus e recusamos o seu amor. Se julgamos não ter necessidade de Deus, que em Cristo nos dá a mão, porque nos consideramos autosuficientes, vamos a caminho da falência. O único que verdadeiramente salva e liberta é Deus.

O Evangelho é o verdadeiro antídoto contra a miséria espiritual: o cristão é chamado a levar a todo o ambiente o anúncio libertador de que existe o perdão do mal cometido, de que Deus é maior que o nosso pecado e nos ama gratuitamente e sempre, e de que estamos feitos para a comunhão e a vida eterna. O Senhor convida-nos a sermos jubilosos anunciadores desta mensagem de misericórdia e esperança. É bom experimentar a alegria de difundir esta boa nova, partilhar o tesouro que nos foi confiado para consolar os corações dilacerados e dar esperança a tantos irmãos e irmãs imersos na escuridão. Trata-se de seguir e imitar Jesus, que foi ao encontro dos pobres e dos pecadores como o pastor à procura da ovelha perdida, e fê-lo cheio de amor. Unidos a Ele, podemos corajosamente abrir novas vias de evangelização e promoção humana.

Queridos irmãos e irmãs, possa este tempo de Quaresma encontrar a Igreja inteira pronta e solícita para testemunhar, a quantos vivem na miséria material, moral e espiritual, a mensagem evangélica, que se resume no anúncio do amor do Pai misericordioso, pronto a abraçar em Cristo toda a pessoa. E poderemos fazê-lo na medida em que estivermos configurados com Cristo, que Se fez pobre e nos enriqueceu com a sua pobreza. A Quaresma é um tempo propício para o despojamento; e far-nos-á bem questionar-nos acerca do que nos podemos privar a fim de ajudar e enriquecer a outros com a nossa pobreza. Não esqueçamos que a verdadeira pobreza dói: não seria válido um despojamento sem esta dimensão penitencial. Desconfio da esmola que não custa nem dói.

Pedimos a graça do Espírito Santo que nos permita ser «tidos por pobres, nós que enriquecemos a muitos; por nada tendo e, no entanto, tudo possuindo» (2 Cor 6, 10). Que Ele sustente estes nossos propósitos e reforce em nós a atenção e solicitude pela miséria humana, para nos tornarmos misericordiosos e agentes de misericórdia. Com estes votos, asseguro a minha oração para que cada crente e cada comunidade eclesial percorra frutuosamente o itinerário quaresmal, e peço-vos que rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde!

Vaticano, 26 de Dezembro de 2013 Festa de Santo Estêvão, diácono e protomártir

Francisco

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Bispos debatem convergência de mídias

O desafio de anunciar o Evangelho na era digital, e por meio da convergência de mídias, foi discutido na quinta-feira, 7 de novembro, durante o Curso de Comunicação para Bispos. O evento, que se encerrou nesta sexta, 8 de novembro, tem despertado o interesse do episcopado pela comunicação para além dos veículos tradicionais.

Reconhecer o ambiente digital como espaço pastoral foi uma das proposições do teólogo e editor da revista italiana La Civiltà Cattolica, padre Antonio Spadaro. O teólogo ressaltou a urgência em se pensar e pôr em prática a pastoral digital. Assim como as tantas pastorais existentes na Igreja, esta criaria comunidades eclesiais com experiências e relações humanas, permitindo e valorizando a participação das pessoas. “As redes sociais não só transmitem mensagem, mas criam relações. A Igreja é chamada a construir humanidade”, afirmou o teólogo.

Padre Spadaro lembrou que a comunicação e o testemunho se complementam. “As palavras do papa Francisco sempre vêm acompanhadas de gestos. Se você não dá testemunho, as pessoas não entendem. Comunicar significa testemunhar. O anúncio do Evangelho que não passa por uma vida autêntica não transmite confiança”, explicou.

O doutor em ciências da Comunicação, Elson Faxina, refletiu com os bispos sobre “Convergências midiáticas na era da cultura digital”. O jornalista falou sobre a busca das pessoas pela inserção em uma comunidade. “Quando eu entro na internet, eu estou não só procurando outro, mas esta é uma busca de si no outro. Não mudou nada na vontade de pertencimento com a era da cultura digital. Tudo é como antes. O que há é uma pluralização de meios, o que mudou foi a forma de comunicar”, disse.

“Em nossa diocese a gente está usando a convergência de mídias para que as pessoas sintam essa sensação de pertencimento? A participação é a forma que temos das pessoas se sentirem gente”, questionou. “Os veículos de comunicação da Igreja precisam fazer a ponte com o nosso plano de pastoral. A rádio interagir com o jornal, com a televisão. A reportagem não é discurso. É história de vida. Temos ainda que inserir os jovens. Aproveitar e estimular o interesse e talento deles em relação às novas tecnologias”, acrescentou.

Fonte: CNBB

Crescer na Fé, a exemplo dos Santos e Santas

Dom Edmar Peron

Temos visto, em nossos dias, uma crescente devoção aos santos e santas, homens e mulheres de fé, que viveram neste mundo a vida de cada dia por causa de Cristo e de seu Evangelho. Eles já chegaram à “cidade do céu, a Jerusalém do alto, nossa mãe. […] Para essa cidade caminhamos apressados, peregrinando na penumbra da fé” (Prefácio). Como lemos no Evangelho, Mateus 5,1-12, “os nossos irmãos, os santos”, foram pobres, aflitos, mansos, justos, misericordiosos, puros de coração, promotores da paz, defensores da justiça, firmes na fé em Jesus Cristo. Enfrentaram a tribulação e saíram vitoriosos. Aguentaram firmes por causa de Cristo e receberam uma grande recompensa no céu. Eles são para nós “exemplo e intercessão”, e não somente intercessores. Podemos, certamente, pedir a intercessão de Maria, Mãe de Deus, e dos Santos e Santas; mas precisamos, principalmente, imitar seus exemplos. “Venerando a memória dos santos, esperamos fazer parte da sociedade deles” (SC 8).

Os santos, cada qual à sua maneira, revelam para nós a “plenitude da misericórdia de Deus”, o Santo; é essa graça, participar da misericórdia divina, que suplicamos “ao celebrar numa só festa os méritos de todos os Santos” (Oração do Dia). É Deus quem, em sua misericórdia, socorre os desesperados. Essa face de Deus é que podemos encontrar ao venerar Santa Rita, Santa Edwiges, São Judas Tadeu: “certos de que eles já alcançaram a imortalidade, esperamos sua contínua intercessão pela nossa salvação” (Sobre as Oferendas). E, desse modo, vamos caminhando, na esperança de passar da “mesa de peregrinos”, o Altar da Eucaristia, ao “banquete” do Reino dos Céus (Depois da Comunhão).

Enfim, nós gostamos de ter em nossas casas e em nossas igrejas os retratos dos santos, seus ícones, suas imagens ou estampas. E fazemos isso não por superstição ou para adorá-los. Não, absolutamente. Adoramos unicamente a Deus, a Santíssima Trindade. “Quadros e imagens são uma lembrança constante de como se vive o Evangelho de Jesus e que temos bons amigos e companheiros de caminhada que estão lá no céu, intercedendo por nós”, escreveu o padre Celso Pedro, em sua reflexão para o último Domingo (www.regiaobelem.org.br).

Encorajados pelo “exemplo e intercessão” dos Santos e Santas, busquemos cada dia crescer na fé; onde estivermos – na família ou no trabalho, na escola ou na diversão – sejamos testemunhas da fé. Fé “que recebemos da Igreja e sinceramente professamos, razão de nossa alegria em Cristo, nosso Senhor. Amém”.

Rastros de luz: Dom Luciano Mendes e Dom Helder Camara

Geraldo Trindade

O arcebispo marianense, Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida, é lembrado pela sua grandeza espiritual. Não foi apenas bispo, mas também companheiro, pastor, irmão de todos; doce e amável no trato. Quem o conheceu teve dele uma acolhida marcante e ímpar. Este próximo 27 de agosto remonta àquele de 6 anos atrás, quando este grande homem despedia-se deste mundo e adentrava aos céus com as palavras “Deus é bom!”.

O “bispo dos pobres”, como era comumente chamado, viveu sua fé na radicalidade e por isso se tornou um eco profundo de que se deve acreditar em Deus e colocar em prática os valores evangélicos. Ele sabia como ninguém amalgamar a vida e a oração, não apenas em sua expressão verbal ou declarativa; mas plena na ação real e concreta. Ele soube, em meio às dores físicas e espirituais, aceitar a cruz por si mesma, pelos outros, pelos sofredores anônimos que padecem e, por isso, tocaram com profundidade a alma de Dom Luciano.

As palavras, os gestos, a vida de Dom Luciano colocam em xeque as nossas palavras, gestos e a nossa vida. O bispo marianense sofria de alto senso de dignidade humana, que, muitas vezes, era incompreendido. Ele sofria com o outro, comportava-se com os outros tratando todos como iguais, dignos de confiança. Ele via em cada pessoa uma criatura amável, linda e admirável. Por tudo isso, ele foi deixando um rastro de luz por onde passou.

A Comenda Dom Luciano Mendes de Almeida de Mérito Social e Educacional, outorgado pela Arquidiocese de Mariana, será no próximo dia 27. A homenagem a Dom Luciano terá início com uma celebração eucarística, na Catedral, às 18h30, seguida da sessão solene, no Centro Cultural Arquidiocesano Dom Frei Manoel da Cruz, onde será conferida a honraria da comenda aos homenageados: Dom Walmor Oliveira de Azevedo (arcebispo de Belo Horizonte), Dom Francisco Barroso Filho (bispo emérito de Oliveira), Dom José Belvino do Nascimento (bispo emérito de Divinópolis), Mons. Flávio Carneiro Rodrigues (diretor do Arquivo Eclesiástico de Mariana), Mons. Júlio Lancelloti (Vigário Episcopal para o Povo da Rua da Arquidiocese de São Paulo) e as Irmãs da Beneficência Popular.

É também neste dia que nossas memórias se misturam pela lembrança de outra figura singular, Dom Helder Camara, que foi arcebispo de Olinda e Recife. Ambos, Dom Luciano e Dom Helder, souberam viver neste mundo a diaconia cristã, do serviço fraterno, alegre e impetuoso, pois eram tomados pela fé em Cristo e em seu projeto de salvação. Eles nos envergonham pela radicalidade e fidelidade ao Evangelho, pois sabiam que o mundo, sofrido, complexo, pluricultural, midiático e ideário é espaço absoluto e completo da ação do evangelizador. Souberam anunciar as verdades da fé cristã no amor ao pobre, ao sofredor, à criança órfã, ao doente abandonado, ao faminto que clamava um pedaço de pão…

Caracterizam estes santos homens a expressão de que souberam revestir de cotidiano as verdades eternas do Reino prometido. Esta atitude exige ser tomado pela pura humildade na mais completa atitude de ser servidor, tornando presente o amor de Jesus aos simples e pequenos. “Quando fizestes a um desses irmãos mais pequeninos, a mim fizestes” (Mt 25, 40).

Missionário lança livro sobre Dom Helder na CNBB

Resgatar a memória sobre dom Helder Câmara. Este foi o principal objetivo da pesquisa do missionário redentorista padre Edvaldo M. Araújo, professor da Faculdade de Teologia e Ciências Religiosas da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Ele é autor da pesquisa Dom Helder Câmara: Profeta-peregrino da justiça e da paz, tese de doutorado que foi agora publica pela editora Ideias e Letras. A obra foi lançada oficialmente na quinta-feira, 08/03, na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em Brasília (DF).

O autor conta que a sua proposta na obra foi realizar um estudo do pensamento de uma pessoa interessante como dom Helder Câmara. “Ele não era teólogo, nem especialista em nada, mas tinha uma visão de teologia pastoral muito grande”, explica Edvaldo.

Sua principal fonte de pesquisa foram as mais de 500 conferências proferidas pelo bispo entre 1964 e 1993, e que revelam o objetivo principal de sua missão: a realização plena do ser humano.

“Dom Helder enfrentou este grande desafio na vida: evangelizar na realidade de injustiça. Um grande profeta de nossa Igreja, que passou por muitas situações na vida, mas sempre procurando discernir a vontade de Deus, procurando ser fiel também ao povo”.

Edvaldo explica que seu estudo sobre dom Hélder revelou as suas propostas na área social e humana. “Percebi como ele teve como fonte em sua atuação o pensamento, o ensino, a doutrina da Igreja. É interessante como ele tentou colocar isso em prática” revela o autor.