adolescente

Via Sacra da Criança e do Adolescente será na próxima sexta-feira

A Pastoral do Menor da Arquidiocese de São Paulo convida todos a participar da Via Sacra da Criança e do Adolescente, na próxima sexta-feira, 11 de abril, com concentração a partir das 8h, no Pátio do Colégio, local da Primeira Estação, e onde Dom Milton Kenan Junior, Bispo Auxiliar de São Paulo, dará a benção inicial.

O objetivo é envolver o maior número possível de crianças e adolescentes. Há mais de 22 anos a Via Sacra é realizada, e surgiu por iniciativa de Dom Luciano Mendes de Almeida.

Uma curiosidade neste ano, é que os personagens da Paixão de Cristo, que participam da Via Sacra, usarão o transporte público. Eles andarão de metrô, anunciando que Jesus Cristo está presente no trabalhador, na mulher, no jovem, em toda a sociedade, e sofre com eles.

A Via Sacra é um momento de oração, anúncio e denúncia que tem como objetivo meditar a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, tendo como pano de fundo a Campanha da Fraternidade, que em 2014 tem como “Fraternidade e Tráfico Humano”, e o lema “É para liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1). Este ano, todos são desafiados a assumir o compromisso com a erradicação do tráfico humano. Crianças e adolescentes vão às ruas da cidade, de uma forma lúdica e envolvente, mostrar que são vítimas em potencial deste negócio. A Igreja, na sociedade é convocada a proteger, defender e promover a vida ameaçada.

Divulgue esta bela iniciativa, onde crianças e adolescentes denunciarão todos os tipos de tráfico humano.

Fonte: Arquidiocese de São Paulo

Via Sacra da Criança e do Adolescente

Unicef lança campanha por uma infância sem racismo

O Unicef – Fundo das Nações Unidas para a Infância – lançou campanha sobre o impacto do racismo na infância com o objetivo de mobilizar a sociedade brasileira para a necessidade de assegurar a equidade e a igualdade étnico-racial desde a infância.

A campanha Por uma infância sem racismo faz parte das comemorações dos 60 anos de atuação do Unicef no Brasil e conta com diversos materiais para divulgar sua mensagem:

* O blog http://www.infanciasemracismo.org.br/ é o canal para contar histórias, ler, copiar, assistir ou ouvir os conteúdos.

* O folder da campanha pode ser baixado em http://www.unicef.org/brazil/pt/br_folderraci.pdf

* Lázaro Ramos, ator e embaixador do Unicef no Brasil, gravou vídeo sobre a situação das crianças negras e indígenas. A versão de 30 segundos está no início desta matéria – abaixo, a versão completa:

Onde nasce Jesus hoje

Arnaldo Zenteno S.J.

Meditando sobre as Crianças trabalhadoras de rua

Onde nasce Jesus hoje?
Onde fica Belém?
Onde está o presépio?
Onde Maria e José te cobrem
com os panos de Amor?

Por que Jesus hoje
Não tem presépio,
e está desnudo
chafurdando nos lixões,
pedindo esmolas
ou limpando pára-brisas
em pleno sol quente
até a boca da noite?

Por que hoje, Jesus,
te roubam a infância
e continuam te matando
os Herodes da modernidade?

Por que Jesus hoje
Tu não mais nos comoves até as entranhas?
Por que, Jesus
Não escutamos os teus prantos?
Por que não te envolvemos
Com o nosso amor?

Por que Jesus hoje
te querem trocar por
um Papai Noel gorducho
com um sorriso vazio
cheio de presentes
para os que têm tanto dinheiro?

Por que, Jesus, hoje
não nos aproximamos,
como os pastores,
de teu presépio nos semáforos?
Por que não te construímos um Presépio?
Já que em nossas Beléns

para ti não há presépio,
nem panos para te cobrir…
Haverá então o nosso Amor!

Onde nasce Jesus hoje?
Onde choras?
De onde nos chamas?
Onde nos esperas?

Às meninas e aos meninos trabalhadores das ruas
Por ocasião da celebração do Natal nas Comunidades Eclesiais, Nicarágua

(Publicado originalmente pela Agência Adital)

Primeira Eucaristia de 2009

Dia 17 de maio, sexto domingo da Páscoa, 31 crianças e adolescentes de nossa comunidade receberam a primeira Eucaristia.

Depois de longa preparação e renovando seus compromissos do batismo com o apoio e participação da comunidade comungaram pela primeira vez. Muitos nasceram e cresceram em nossa comunidade e são nossa esperança de Vida e futuro.

Veja algumas fotos e o vídeo abaixo:

Fotos e vídeo cedidos por JPedro

CNBB divulga declaração contra a redução da maioridade penal

Agência Adital

Esteve em pauta nas discussões da última sexta-feira (24), da 47ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada em Indaiatuba (SP), a redução da maioridade penal. Após refletirem sobre o assunto, os bispos se mostraram contrários à proposta do Senado Federal. Para eles, reduzir a idade penal não resolve o problema de criminalidade e violência no País.

A declaração aprovada pela CNBB afirma que “A redução da maioridade penal violenta e penaliza ainda mais os adolescentes, sobretudo os mais pobres, negros, moradores de periferias”. Acrescenta que crianças, jovens e adolescentes não são responsáveis por ações violentas como muitas campanhas querem mostrar, e ressaltam que os verdadeiros culpados, muitas vezes, ficam impunes.

“A realidade revela que crianças, adolescentes e jovens são vítimas da violência. Muitas vezes são conduzidos aos caminhos da criminalidade por adultos inescrupulosos”, informa o texto.

De acordo com a conclusão dos religiosos, é necessário buscar as verdadeiras causas para diminuir a violência no País. Entre os principais fatores geradores de criminalidade considerados pelos Bispos estão a desagregação e falta de estrutura familiar, desigualdade social, perda de valores éticos e religiosos, deficiência das políticas públicas sociais e o narcotráfico.

O documento enfatiza a importância de se desenvolver projetos socioeducativos, seja por meio da Igreja, seja por meio de movimentos sociais, que deem acesso a cursos profissionalizantes e tratamento para recuperação dos dependentes químicos. Os bispos ressaltam, ainda, o valor das ações educativas e não punitivas.

No final da declaração, o texto lembra a todos os brasileiros e brasileiras o cumprimento da premissa básica da Constituição Federal, em seu artigo 227: “Criança e Adolescente Prioridade Absoluta”.

Crianças soldado: a infância assassinada

Maria Clara Lucchetti Bingemer

No último dia 12 de fevereiro, o mundo “celebrou” uma data de tristes características: o dia das crianças soldado. Estima-se que existam 300 mil crianças envolvidas em conflitos armados em mais de 30 países ao redor do mundo. De acordo com o Unicef, a maioria é de adolescentes, mas existem crianças de até sete anos nessa situação. O recrutamento de crianças em guerras se dá geralmente para as linhas de batalha, mas elas são usadas também como espiões, mensageiros, escudos humanos, trabalhadores ou escravos sexuais.

Afeganistão, Birmânia, Burundi, Chade, República Centro-Africana, Colômbia, República Democrática do Congo, Filipinas, Nepal, Somália, Sudão, Sri Lanka e Uganda são os. países onde mais casos se verificam de crianças recrutadas para atuar em guerras e portar armas.

Em 2007, dez destes países assinaram os ”Compromissos de Paris”, onde os países prometem combater a “impunidade” de autores de recrutamento ou utilização ilegal de menores e “investigar e perseguir” essas pessoas, opondo-se à anistia destes crimes nos acordos de paz. A libertação das crianças não deverá estar sujeita a condições e as crianças soldados acusadas de crimes devem ser consideradas “em primeiro lugar como vítimas e violação do direito internacional e não apenas como presumíveis culpados”.

Se a violência e o flagelo maior da nossa época, quando crianças inocentes são forçadas a participar como agentes desse flagelo, a coisa torna-se ainda mais revoltante. Uma criança-soldado não é só aquela que vai combater. É também usada como mensageira, espia e escrava sexual dos grupos armados. A pobreza, a propaganda e os interesses ideológicos continuam a provocar o envolvimento de crianças em vários conflitos.

A maioria das crianças-soldado é raptada de suas casas. Vivem em meios pobres e marcados pelo analfabetismo, sendo, muitas vezes, de zonas rurais. Aquelas que se voluntariam são guiadas pelo desejo de se libertarem da pobreza e fazerem parte de um grupo político e ideológico. Aquelas que sobrevivem aos conflitos ficam física e psicologicamente afetadas e necessitam de apoio psicológico para posteriormente se reintegrarem na sociedade.

Em 1996, a ex-ministra da Educação e Cultura e ex-primeira-dama de Moçambique, Graça Machel, concluiu um estudo de impacto patrocinado pelas Nações Unidas e que a levou a viajar por nações assoladas por guerras civis como Angola, Camboja, Colômbia, Irlanda do Norte, Líbano, Ruanda, Serra Leoa e a antiga Iugoslávia. Durante quase dois anos de pesquisa, a Professora Machel estudou um contingente armado cujas vozes nunca tinham sido ouvidas porque eram jovens demais.

O estudo “O impacto dos conflitos armados sobre as crianças” tirou os jovens combatentes da invisibilidade, o que significou o primeiro passo para trazê-los para a luz da Lei Internacional. Com vitórias legais importantes como legislação contra o recrutamento forçado de crianças para a guerra, especialistas e defensores dos direitos das crianças se encontram agora para fazer uma revisão no documento com um olho no futuro.

“O estudo de Graça Machel cobriu exaustivamente o tema”, afirmou Paula M. Claycomb, do Escritório de Programas Emergenciais do Unicef, que está participando do processo de revisão. “Mas nós estamos agora olhando para os avanços conquistados nos últimos 10 anos, para as mudanças ocorridas e para os desafios que estão à nossa frente”, disse Claycomb, destacando que este deve ser um documento que “realmente enxergue a questão com um olhar no futuro”.

No Brasil, vemos a realidade triste e terrível de crianças serem recrutadas, não talvez para guerras político-ideologicas, mas para outra guerra, talvez mais letal e monstruosa: a guerra do tráfico de drogas. É comum ver nos morros cariocas e em outros lugares onde a droga circula meninos de 12 anos ou até menos fazendo de aviãozinho”, ou seja, portando droga de um ponto para outro.

CF 2009: A violência que atinge nossas crianças e adolescentes

Antônio Coquito

A infância cada vez mais cedo no mundo da criminalidade.

A paz é fruto da justiçaA proposta da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil- CNBB – na Campanha da Fraternidade deste ano, ao chamar a atenção para os caminhos e descaminhos da violência nos provoca a um olhar atento e comprometido com nosso cotidiano, e em especial, com a população infanto-juvenil. Como o tema “Fraternidade e Segurança Pública” e o lema “A paz é fruto da justiça”, a temática põe em destaque a reflexão em torno de um quadro de agressões cotidianas no campo social, político, econômico e cultural; que impedem a concretização de uma sociedade inclusiva e cidadã.

A pobreza ou ser pobre não quer dizer ser violento, mas a negação das condições dignas de sobrevivência, em si já contribuem para o estado de violência. Dados do relatório da Situação Mundial da Infância -2008, do Fundo das Nações Unidas para a Infância – UNICEF, apontam para a existência de cerca 60 milhões de crianças e adolescentes no Brasil, que correspondem a aproximadamente um terço da população. Destes, muitos vivendo em situação social crítica e acometidos por todos os tipos de violência.

Da temática e do cenário, destacamos um alerta presenciado todos os dias nos noticiários e em nosso cotidiano: o envolvimento cada vez mais precoce de crianças e adolescentes com o mundo do crime organizado e do narcotráfico. Neste sentido, a afirmação popular de que crianças e adolescentes têm uma vida pela frente, muitas vezes, não está se confirmando na prática. A realidade tem mostrado que elas são vítimas da violência em suas múltiplas faces. Nossa infância convive com um conjunto de vulnerabilidades como o abandono, as agressões, maus tratos, trabalho infantil, exploração sexual, negação do direito à educação, pedofilia na internet, drogas e criminalidade.

O desafio do debate é irmos além! A sociedade brasileira precisa assumir seu papel protagonista no debate e intervenções nas políticas públicas para a reversão das condições de vulnerabilidade social. Estas que se dão na união de esforços com organizações não governamentais – ONGs, órgãos governamentais, entidades nacionais e internacionais, fóruns e redes na preocupação com o futuro da população infanto-juvenil.

Constatação e atitude

O Relatório Violência nas Cidades da Organização das Nações Unidas -ONU afirma que a violência no Brasil é jovem. Esta análise vai ao encontro dos dados do Mapa da Violência, que de 1996 a 2006 aponta o aumento dos índices que acometem a população de 15 a 24 anos. No período citado, houve um acréscimo de 31,3%, ou seja, os homicídios juvenis subiram de 13.186 (treze mil cento e oitenta e seis) para 17.312 (dezessete mil trezentos e doze). Ao lado destes, um número crescente de crianças envolvidas com o mundo da criminalidade é outra constatação da ONU. Cita o documento: “crianças de 6 anos já fazem parte de quadrilhas do crime organizado com a função de carregar drogas”. Unindo-se a estes dados, um estudo da Organização Internacional do Trabalho – OIT, sinaliza que 15% dos jovens que trabalham no tráfico têm entre 13 e 14 anos.

Outro dado da ONU é que o Brasil é o país em que mais se morre e mais se mata com arma de fogo no mundo. Os dados da entidade mostram que, só em 2003, foram 36 mil mortos a tiros (em 2004, este número caiu para 32 mil). A cada dia, morrem em média cem brasileiros – 40 são jovens – vítimas das armas de fogo. A população brasileira representa 2,8% da população mundial, mas responde por 7% dos homicídios por arma de fogo em todo o mundo, morre-se mais por arma de fogo (29,6%) do que por acidente de trânsito (25,1%). A taxa de homicídios por arma de fogo no Brasil é cinco vezes mais alta do que nos EUA, um país violento.

Os dados preocupam. Eles trazem à tona a urgência para a efetividade de políticas preventivas com crianças e adolescentes. Por trás dos índices, estão populações em estado de vulnerabilidade total, “presas” fáceis do crime organizado e do narcotráfico. Esta radiografia da violência está denunciando e pedindo emergência de respostas.

Preocupado com a conjuntura, o oficial de projetos para adolescentes do UNICEF Mário Volpi aponta que “infelizmente a presença de crianças e adolescentes em conflitos armados, no tráfico, na prática de atos infracionais vai se tornando banal e adquire ares de normalidade”. Ele fala da necessidade e urgência de atitudes: “é preciso que o Estado, a família e a sociedade se escandalizem, fiquem indignadas e promovam políticas e ações que permitam às crianças e aos adolescentes se desenvolverem num ambiente de respeito aos seus direitos e à sua dignidade humana”.

De acordo com Volpi, “o assassinato de adolescentes no Brasil é maior que muitos países que estão em guerra”. O cenário de cooptação da força ativa da sociedade -nossas crianças, adolescentes e jovens-pelo crime organizado e pelo tráfico de drogas merece atenção de todos os defensores e promotores dos direitos, seja nas entidades e nos governos. O oficial de projetos adverte “não podemos abandonar nossos adolescentes nas mãos de justiceiros, grupos de extermínio, falsos policiais e políticas paralelas de eliminação sumária”. Para Volpi uma grande mobilização social contra o assassinato de adolescentes e a responsabilização de assassinos, somados ao desenvolvimento de políticas de prevenção é a tarefa mais urgente. “Precisamos debater o tema”, atenta Volpi.

Políticas Públicas e a CF 2009

O cenário de pobreza, desemprego, desigualdade social e explosão demográfica das cidades tem favorecido a cultura da violência. Estes dados são apontados como agravantes no Relatório Violência nas Cidades da Organização das Nações Unidas – ONU. Os dados conjunturais do documento citado sinalizam uma radiografia preocupante que refletem diretamente nas formatações das políticas públicas.

Os conselhos de políticas públicas, a sociedade civil e as gestões municipais, estaduais e federal devem considerar estes fatores causadores e suas diversas soluções. Estas que exigem ações amplas e com visões interconectadas. Neste sentido, Volpi fala da necessidade de que “os governos precisam investir na integração de ações da educação, da saúde, da assistência social, da cultura, do esporte e do lazer de forma a garantir que os adolescentes tenham espaços seguros e protegidos para o seu desenvolvimento”. Ele reconhece a existência de programas na área, mas sinaliza “muitos estão atuando isoladamente e sem resultados efetivos”. E complementa as cidades precisam ser reorganizadas a partir de ações integradas para poder contribuir com a participação e o desenvolvimento de cada adolescente”.

A CF 2009 sinaliza o caminho da construção da cultura de paz e da cidadania alicerçada em Isaias na afirmação de “a paz fruto da justiça” (Is 32,17). O documento texto-base da CF 2009 fala da necessidade dos espaços de controle social e elaboração política “a segurança é uma questão sóciopolítica que envolve a todos. Nenhum elemento da sociedade organizada deve ser excluído do processo ou eximir-se de sua responsabilidade”. O texto conclama a que “todos devem, portanto, colaborar na criação e na construção da ordem justa, sem a qual a paz é ilusória e não há segurança”.