dignidade

DE INTERESSE PÚBLICO: MANIFESTO SOLIDÁRIO – Comunidade São Miguel Arcanjo e amigos do Padre Júlio

Nossa cidade clama por socorro; este não é um problema de bairro.

Somos chamados neste ano pela CNBB a refletir sobre a violência que cresce a cada dia. Pensando na cidade de São Paulo são inúmeros os casos que ouvimos e presenciamos.

Neste momento grita em nossos corações as ameaças à vida de JÚLIO RENATO LANCELLOTTI, (pároco da Paróquia São Miguel Arcanjo e vigário episcopal do Povo da Rua) e não só a ele, mas diretamente à população de rua.

Queremos tornar pública nossa indignação à forma truculenta com que esses nossos irmãos vêm sendo tratados pela GCM, RAPA e PM.

Estamos todos de acordo que esta situação não pode e não deve continuar, mas não será com rancor, ódio ou violência que irão disseminar as desigualdades sociais. Alguns poderão desaparecer, mas outros virão.

Precisamos de pessoas comprometidas com o bem comum e a integridade física de nossos irmãos. Há mais de 30 anos contamos com a firme atuação de nosso pároco, buscando por meio de inúmeros esforços e ações, condições mais dignas de vida à população de rua;

-TRABALHO;
-AUTONOMIA;
-SAÚDE;
-EDUCAÇÃO.

Infelizmente neste momento, nos vemos SUFOCADOS com as recentes ameaças lançadas nas redes sociais. Pedimos aos órgãos competentes que tomem as providências cabíveis, a fim de cessar as especulações e difamações que um certo grupo “restrito e oculto” está tentando semear. Reiteramos que não há nenhum interesse ou beneficio pessoal de ninguém em mantê-los nas ruas, todo o trabalho é direcionado para reverter essa situação. No entanto, as condições de nosso país apenas contribuem para o aumento de pessoas vivendo essa triste realidade.

As comunidades do bairro manifestam mais uma vez indignação e aguardam providências.

CHEGA DE VIOLÊNCIA!

Contruir uma Europa em torno da pessoa humana, não da economia – Papa no Parlamento Europeu

Foi uma mensagem de esperança e de encorajamento que o Papa Francisco levou aos Parlamentares Europeus.  Pondo em realce o mundo em mutação, menos eurocêntrico e uma União Europeia cada vez mais alargada, o Papa chamou, no entanto atenção para o envelhecimento deste continente, onde não obstante o projeto inicial de pôr a pessoa humana, dotada de dignidade transcendental, no centro de tudo,  persistem hoje situações em que o ser humano é tratado como objecto que pode ser descartado quando não é útil.

O Papa sublinhou também o paradoxal abuso do conceito de direitos humanos ligado a uma reivindicação cada vez maior dos direitos individuais a despeito da conexão entre direitos e deveres e do contexto social em que as pessoas vivem.

A dignidade transcendente do ser humano leva a ver nele antes de mais um ser relacional. Mas hoje na Europa tende-se a difundir a solidão, agravada pela crise económica e pela falta de confiança nas instituições – afirmou o Papa – acrescentando:

“Tem-se uma impressão geral de cansaço e de envelhecimento, de uma Europa avô que já não é fértil nem vivaz. Os grandes ideais que inspiraram a Europa parecem ter perdido força de atracção em favor do tecnicismo burocrático das instituições” .

Condenando a absolutização das técnicas em relação à afirmação da dignidade e da preciosidade da vida humana, o Papa perguntou-se:

“Como voltar então a dar esperança ao futuro, confiança para continuar os grande ideais da uma Europa unida e de paz, criativa e empreendedora, respeitosa dos direitos e dos próprios deveres?”

O Papa Francisco respondeu a esta pergunta recorrendo a exemplos de arte e filosofia europeias que recordam a união entre Céu e Terra, sublinhando que uma Europa que não é capaz de se abrir à dimensão transcendental da vida é uma Europa que corre o risco de perder, lentamente, o seu “espírito humanístico”, a centralidade da pessoa humana”.

O Papa enalteceu depois o património cristão que contribuiu e continuará a contribuir agora e no futuro para o crescimento sócio-cultural da Europa. E essa contribuição  – disse – não constitui um perigo para a laicidade dos Estados e para a independência das instituições da União. É sim um enriquecimento centrado no principio do humanismo, do respeito da dignidade da pessoa humana.

A Santa Sé está disposta a colaborar – através da COMECE, ao diálogo transparente e profícuo com as instituições europeias –  prosseguiu o Papa recordando as numerosas injustiças e as violências barbáricas cometidas em relação a minorias religiosas, sobretudo cristãs, no mundo, perante o silêncio vergonhoso e cúmplice de muitos.

Recordando que o mote da União Europeia é a “unidade na diversidade” o Papa apelou ao respeito das diferenças, evitando uniformidade, o nominalismo politico, e liberando a Europa de manipulações e fobias. Mas não é tudo:

O desafio de reforçar as democracias europeias implica também a defesa das força politicas expressivas dos povos da Europa. Dar esperança à Europa significa investir nos âmbitos em que se formam os talentos das pessoas; criar condições favoráveis para a vida familiar; dar perspectivas às novas gerações; ao desenvolvimento; à educação a todos os níveis, uma formação que leve a olhar para o futuro com esperança.

O Papa não deixou de referir-se também à importância do empenho em relação ao ambiente e à protecção do Criado, utilizando-o para o bem comum. Recordando que o ser humano é parte fundamental do Criado, o Papa chamou mais uma vez atenção para o facto de milhões de pessoas morrerem de fome no mundo, enquanto que toneladas de comida são deitadas fora.

De entre os elementos indispensáveis para dar esperança à Europa, o Papa indicou também a questão do trabalho, voltando a sublinhar com força a urgência de dar dignidade ao trabalho, o que significa – disse – encontrar novas formas de combinar a flexibilidade do mercado com a garantia do trabalho e a possibilidade de construir família.

Não ficou de lado no intenso discurso do Papa a questão das migrações. Não é tolerável que o Mar Mediterrâneo se torne num cemitério  – disse – solicitando legislações adequadas que saibam ao mesmo tempo tutelar os direitos dos cidadãos europeus e garantir o acolhimento dos migrantes. Mas é necessário também adoptar políticas concretas que ajudem os países de origem dos migrantes no desenvolvimento sócio-politico e na superação de conflitos internos, em vez de politicas de interesse que aumentam e alimentam tais conflitos.

Por fim o Papa Francisco sublinhou o papel da consciência da própria identidade num diálogo propositivo com os Estados que pediram para fazer parte da União Europeia, nomeadamente os países balcânicos; nas relações com os países vizinhos, de modo particular os que se debruçam sobre o Mediterrâneo.

E foi pela história de dois milénios que liga a Europa ao cristianismo que o Papa concluiu o seu discurso, recordando que essa história resta em grande parte por escrever a fim de se construir uma Europa que gira não em torno da economia, mas sim da sacralidade da pessoa humana e dos seus valores inalienáveis.

Chegou o momento de abandonar a ideia de uma Europa amedrontada e debruçada sobre si mesma para suscitar uma Europa protagonista, portadora de ciência, de arte, de música, de valores humanos e também de fé; uma Europa que olha, defende e tutela a pessoa humana.

Fonte: News.Va

Onde vai ser o próximo ônibus?

Cardeal Odilo Pedro Scherer

Queimaram mais um ônibus? Onde será que vai ser o próximo? Todas as manhãs, invariavelmente, os noticiários falam da queima de mais um ônibus em alguma parte da extensa cidade de São Paulo. Na capital, já somam mais de 40, só neste ano; dá mais de um por dia. Na área metropolitana, há muitos outros casos.

Raramente são identificados os autores da façanha; e quando isso acontece, há sempre a alegação que se tratou de um protesto ou represália contra algum outro fato de violência. Já virou rotina e nem mais aparece nas páginas da grande imprensa. Tudo integrado na “normalidade” da vida urbana… Uma normalidade assustadora, em que a morte de pessoas, chacinas, danos ao patrimônio e outros fatos de violência acabam importando pouco, mas deixam a população assustada e refém do crime.

E começam a aparecer tentativas de fazer justiça com as próprias mãos, encontrando simpatia e apoio na opinião pública. Essa é uma situação perigosa, na qual a população se sente ameaçada e desprotegida, passando a apostar em “justiceiros” criminosos, que viram heróis. É a desmoralização da autoridade constituída e o início do caos. Que está acontecendo em São Paulo e em outras grandes cidades do Brasil?!

Há um mal-estar no meio da população, que se vê desatendida em questões básicas no convívio social, como segurança, saúde, educação, moradia… Os preparativos da Copa do Mundo foram a ocasião para que se soltassem os gritos de descontentamento de muitas gargantas, que desejariam ver escolas “padrão Fifa”, hospitais, transporte, moradia, tudo “padrão Fifa”…

Violentos e vândalos à parte, muitas pessoas não desejam mais apenas pão e circo e reclamam investimentos significativos para a melhoria das suas condições de vida e do convívio social. Se dá para investir enormes somas para preparar um evento esportivo, por qual motivo não se pode fazer mais ainda para superar, de fato, a pobreza humilhante das vastas periferias urbanas em todo o Brasil?!

Não há desculpas, menos ainda, aprovação, para os fatos de violência que marcam a vida de São Paulo e de outras cidades. A violência nunca é um meio bom para atingir objetivos honestos. E os fatos de violência não podem ser deixados ao seu curso, pois acabam degenerando em violência sempre maior. Portanto, as autoridades competentes, segundo a tarefa que lhes é própria, precisam agir.

Mas a superação da violência não se consegue apenas pela repressão e ação policial, ou pela força da lei. Estamos diante de um grave déficit de educação para valores altos e construtivos no convívio social. Pouco se ouve falar em valores éticos e morais, orientadores para o convívio e referenciais para um comportamento social aceitável. Tudo ficou relegado ao subjetivo, e cada um vai traçando o padrão de sua conduta, não tendo ninguém que interferir nas suas escolhas…

E se alguém tenta propor valores e referências comportamentais válidos para todos no convívio social, recebe imediatamente uma saraivada de desaprovações e é acusado de impor a sua ética aos outros, ou de interferir na vida privada das pessoas. A ética ficou privatizada e, assim, cada um faz a sua. Também o violento, o desonesto, o antissocial fazem as suas escolhas subjetivas e acham justificativas para as escolhas que fazem. Vale para todos? Eles acham que vale para eles também.

Penso que toda a sociedade tem um dever de casa a fazer: discutir seriamente os referenciais éticos do convívio social. É preciso reconhecer: em ética e moral existe, sim, o correto e o não correto, o aceitável e o não aceitável, o certo e o errado. Se existe, então deve ser assumido e assimilado através da educação.

Boa nova para os pobres

Cardeal Odilo Pedro Scherer

Muito papel e tinta já foram gastos para discutir, se a Igreja deve ocupar-se apenas do “espiritual”, ou se também lhe cabe interessar-se pelas questões mais concretas, referentes à vida do homem neste mundo.

Não é meu propósito, nestas linhas, discorrer sobre esta controvérsia que, ao meu ver, está mal colocada: a Igreja de Cristo, neste mundo, é formada de pessoas e instituições concretas, histórica e socialmente situadas, com as quais ela exerce sua missão.

O papa Francisco, na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (A Alegria do Evangelho, 2013), aponta algumas questões, às quais a Igreja precisa dar especial atenção, se quiser cumprir bem a sua missão. Entre outras, destaca que a evangelização tem uma clara dimensão social e não pode contentar-se apenas com a realização de ritos religiosos, sem repercussão na vida social.

Da adesão à fé cristã, quando verdadeira, decorre um compromisso social amplo e a adoração de Deus implica necessariamente no reconhecimento da dignidade de todo ser humano, amado e querido por Deus, bem como no esforço em prol da fraternidade e da justiça. Reconhecer Deus como criador e origem última das criaturas, leva ao respeito por todas elas.

Até pode parecer novidade que o papa Francisco diga, de maneira tão explícita, que a evangelização possui uma dimensão social e o anúncio do Evangelho de Cristo tem inevitáveis implicações comunitárias. No entanto, Francisco retoma conceitos já consolidados no ensino social da Igreja, com a clareza e simplicidade que lhe são próprias, citando documentos de Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI, dando-lhes novos destaques.

De fato, nada é mais antigo e originário no Cristianismo do que os dois amores inseparáveis – a Deus e ao próximo. Desde os primórdios, os cristãos aprenderam que “a fé sem as obras é morta em si mesma”; e que as obras da fé incluem sempre a prática do amor fraterno, a atenção aos pobres, doentes e desvalidos, sem exclusão de ninguém. Paulo, ao se confrontar com os outros apóstolos, para verificar se a sua pregação estava em sintonia com a deles, recebeu apenas esta recomendação: que não descuidasse os pobres.

Não se trata apenas de levar assistência e socorro, sem dúvida indispensáveis para aliviar necessidades pontuais e imediatas dos pobres, mas de “ouvir o clamor dos pobres e socorrê-los,” de para promover a sua inclusão social. Nem é missão reservada apenas a algumas pessoas: é de todos os membros da Igreja, atuantes nas mais diversas áreas de suas competências profissionais e responsabilidades sociais. O Papa convida a ir além de alguns atos esporádicos de generosidade e a formar uma nova mentalidade, uma cultura, superando o excessivo individualismo para pensar e agir solidariamente, tendo sempre presente o horizonte da comunidade e da grande família humana (cf. n. 188s).

“Precisamos crescer em solidariedade”, ensina Francisco, também no que diz respeito às relações entre os povos, onde a exacerbada defesa dos direitos individuais, ou das vantagens dos povos mais ricos, passa por cima do direito mais elementar à vida digna de populações e nações inteiras, que continuam a viver na miséria e sem chances de sair dela. De maneira clara e corajosa, Francisco retoma o conceito da “destinação universal dos bens deste mundo” para todos os seus habitantes: “respeitando a independência e a cultura de cada nação, é preciso recordar-se sempre de que o planeta é de toda e para toda a humanidade”.

Usando palavras de seu predecessor, Paulo VI (Octogesima adveniens, 23,1971), Francisco apela para os povos mais ricos, tocando numa questão melindrosa: ”é preciso repetir que os mais favorecidos devem renunciar a alguns dos seus direitos, para colocar, com mais liberalidade, os seus bens ao serviço dos outros” (n. 190).

A opção preferencial da Igreja pelos pobres não tem motivação ideológica, nem implica na exclusão dos que não são pobres: ela tem sua origem e inspiração no exemplo e nas palavras do próprio Jesus e deverá ser traduzida em ações concretas de solidariedade para com os doentes, os pobres e todos os deserdados dos bens deste mundo; mas também na promoção da justiça social e no cuidado de todo ser humano despojado de sua dignidade. A Igreja, acaso, poderia deixar de fazer isso e de convidar todos a fazer o mesmo, como caminho para o bem comum e a paz?

A evangelização seria incompleta, se não tomasse em consideração a constante interpelação recíproca constante entre o Evangelho e a vida concreta, pessoal e social (n. 181). Francisco adverte aqueles que, dentro ou fora da Igreja, pensam, deva a religião ficar reservada apenas aos espaços da vida privada: “ninguém pode exigir de nós que releguemos a religião para a intimidade secreta das pessoas, sem qualquer influência na vida social e nacional, sem nos preocupar com a saúde das instituições da sociedade civil, sem nos pronunciar sobre acontecimentos que interessam aos cidadãos” (n. 183).

Bem, e por qual motivo os católicos não fazem isso? Não é que falte quem já o faz; mas, é verdade, temos muito pela frente! Entre o “dever fazer” e o “fazer” vai uma grande distância. Nada é automático na condição humana, nem também na vida dos crentes em Deus; o Cristianismo apela, por princípio, à consciência e à liberdade humana; graça divina e autonomia do homem são dois pólos que precisam se encontrar.

A palavra do papa Francisco, dirigida aos membros da Igreja, longe de ser triunfalista, é um chamado à realidade e à atitude consciente; a “alegria do Evangelho” é um bem para a comunidade humana inteira, não podendo ficar retida no coração dos fiéis: ela é “boa nova” para todos. Para os pobres, em primeiro lugar.

Papa ao Fórum de Davos: a humanidade seja servida pela riqueza e não governada por ela

Dignidade do homem, economia a serviço do bem comum, inclusão social, luta contra a fome e atenção aos refugiados: esses são os principais temas da mensagem enviada, nesta terça-feira, 21 de janeiro, pelo Papa Francisco ao Fórum Econômico Mundial, que se realiza em Davos, na Suíça, até o próximo sábado, dia 25. No documento pontifício, endereçado ao Presidente executivo do Fórum, Klaus Schwab, o Santo Padre faz votos de que o encontro se torne “ocasião para uma reflexão aprofundada sobre as causas da crise econômica mundial”, porque – escreve –, apesar de em alguns casos a pobreza ter sido reduzida, “por vezes permaneceu mesmo assim uma ampla exclusão social”, e ainda hoje, “a maioria de homens e mulheres continua a experimentar todos os dias a insegurança, muitas vezes com consequências dramáticas”. Daí, o convite do Papa a fim de que a política e a economia trabalhem para a promoção de “uma abordagem inclusiva que leve em consideração a dignidade da pessoa e o bem comum”.

“É intolerável – escreve Francisco -, que milhares de pessoas continuem a morrer todos os dias de fome, apesar de serem disponíveis notáveis quantidades de alimento que frequentemente são desperdiçadas”. Ao mesmo tempo, o Papa sublinha que “não podemos ficar indiferentes diante de tantos refugiados em busca de condições de vida minimamente dignas e que não só não encontram hospitalidade, mas às vezes, tragicamente, morrem durante o percurso de um lugar para outro”. “Sei que essas são palavras fortes e até mesmo dramáticas – destaca o Santo Padre –, mas elas querem tanto afirmar quanto desafiar a habilidade deste encontro a fazer a diferença”. O que é necessário, reafirma o Pontífice, é “um sentido de responsabilidade renovado, profundo e amplo da parte de todos”, para “servir mais eficazmente ao bem comum e tornar os bens deste mundo mais acessíveis a todos”.

Fazendo suas as palavras de Bento XVI na Caritas in veritate, o Papa Francisco sublinha, ainda, que a igualdade não dever ser somente econômica, mas também deve basear-se em uma “visão transcendente da pessoa”, de modo que se possa obter “uma melhor distribuição da riqueza, a criação de fontes de emprego e uma promoção integral dos pobres que vá além de uma mentalidade puramente assistencialista”.

A mensagem do Pontífice se conclui com um forte apelo: “Peço a todos – escreve – que façam de modo que a humanidade seja servida pela riqueza e não governada por ela”, na ótica de “uma abordagem ética que seja verdadeiramente humana”, levada avante por pessoas “de grande honestidade e integridade”, guiadas por “altos ideais de equidade, generosidade e cuidado pelo autêntico desenvolvimento da família humana”.

Tendo chegado à 44ª edição, o Fórum de Davos tem a participação, neste ano, de 2.500 pessoas, dos quais cerca de 40 Chefes de Estado ou de Governo. Presentes também numerosas ONGs e vários representantes religiosos: representando a Igreja Católica estão os cardeais Peter Turkson, Presidente do Pontifício Conselho da Justiça e da Paz; Dom John Onayekan, Arcebispo de Abuja, na Nigéria, e Luis Antonio Tagle, Arcebispo de Manila, nas Filipinas, além do Arcebispo de Dublin, Dom Diarmuid Martin. (SP)

Fonte: News.Va

Papa pede mudança no tratamento dos idosos

O Papa Francisco apelou sábado, dia 23 de novembro, no Vaticano a uma mudança no tratamento dado aos idosos doentes, para que se complemente o “modelo biomédico” e se contrarie a “tortura dos silêncios”.

“É necessário empenhar-se numa assistência que, ao lado do tradicional modelo biomédico, se enriqueça de espaços de dignidade e liberdade, longe dos fechamentos e dos silêncios, da tortura dos silêncios”, disse, perante os participantes na conferência internacional promovida pelo Conselho Pontifício para a Pastoral no Campo da Saúde.

A iniciativa do organismo da Santa Sé, dedicada ao tema ‘A Igreja ao serviço da pessoa idosa doente: o cuidado das pessoas afetadas por patologias neurodegenerativas’, conta com a participação de uma delegação portuguesa constituída por 50 pessoas.

Os participantes são acompanhados por monsenhor Vítor Feytor Pinto, até agora coordenador nacional da Pastoral da Saúde, naquele que é o seu último ato oficial.

O Papa Francisco destacou a necessidade de acompanhar a vida religiosa das pessoas idosas com “graves patologias degenerativas”, assinalando a importância do aspeto espiritual e da relação com Deus num momento em que se perdem capacidades cognitivas.

“Estas patologias desafiam o mundo sociosanitário seja na dimensão da pesquisa, seja na da assistência e do cuidado nas estruturas socioassistenciais, bem como na família, que continua a ser o lugar privilegiado de acolhimento e de proximidade”, acrescentou.

Francisco falou dos idosos como “protagonistas” na vida da Igreja, pedindo que as comunidades católicas sejam exemplo para a sociedade na sua relação com os mais velhos, pessoas “sempre importantes, mais, indispensáveis”.

“Recordemos que a vida humana conserva sempre o seu valor aos olhos de Deus, para lá de qualquer visão discriminadora”, frisou.

A intervenção concluiu-se com uma saudação aos “caros amigos” mais velhos: “Vós não sois apenas destinatários do anúncio da mensagem evangélica, mas sois também sempre anunciadores, de pleno direito, por força do vosso batismo”.

Fonte: Arquidiocese de São Paulo

Homem e Mulher imagem de DEUS!

JESUS deixa claro que o homem e a mulher tem a dignidade de serem a imagem de DEUS, que numa sociedade patriarcal não se pode aceitar a supremacia do homem sobre a mulher por qualquer que seja o motivo.

Seguir JESUS é ter presente a importância do AMOR nas relações humanas, nas mais íntimas e nas comunitárias e sociais.

Quem ama transforma a sua vida e a vida de seus irmãos e irmãs, acolhe os pequenos e enfraquecidos, não exclui e age contra a exclusão.

A radicalidade do AMOR é exigente e não pode ser banalizada.

Quando JESUS se declara pela vida e dignidade da mulher tem, também, em vista a situação de Herodes que vivia com a mulher de seu meio irmão Felipe, Herodíades.

Tal situação revelava e escondia grandes intrigas e intresses políticos de poder e dominação e que custaram a vida de João Batista.

A mulher e as crianças, desvalorizadas e tratadas com crueldade no tempo de JESUS, são por ELE defendidas e acolhidas mostrando um novo caminho de vida e convivência, onde os fracos tem precedência e valor.

A ação de JESUS mostra quem ELE é, e como devem ser seus seguidores!

Primeiro de Maio!

Dia do Trabalho!

A mensagem da CNBB nos contemplou, manifesta o pensamento de toda a Igreja.

A defesa da dignidade dos trabalhadores que não podem pagar pela crise que não fabricaram. Não podemos esquecer também dos aposentados e pensionistas, que amargam dura sobrevivência numa sociedade de privilégios e impunidade que espantam.

O Mês de Maio é o mês de Maria!

Rezemos o terço, oração do povo e dos pobres.
Oração de contemplação e ação.
Oração evangelizadora e pacificadora.

O mês de Maio é dedicado a Maria que nos enternece e nos leva para JESUS!

Começamos o mês de Maio com a primeira sexta-feira, dedicada ao Coração de Jesus!

O primeiro de Maio, dia de São José Operário.

Que este Mês de Maio seja momento de maior reflexão e comprometimento com a construção de vida com dignidade e justiça.

Violentada e respeitada

Frei Betto

Completei 60 anos a 10 de dezembro. Sou um dos mais destacados consensos entre os associados à ONU. Fui aprovada por 192 países. No entanto, raros os que me respeitam.
Infelizmente não recebi, até hoje, aprovação do Estado do Vaticano. Logo ele, que se propõe a defender os valores encarnados por Jesus, que coincidem com os meus.

Nasci no pós-guerra. O mundo ansiava por justiça e paz. Ao longo desses 60 anos, sofri todo tipo de violações: a Coréia dividiu-se em duas; o Vietnã teve sua população civil bombardeada pela França e pelos EUA; empresas usamericanas de produtos químicos – as mesmas que monopolizam as sementes transgênicas – chegaram ao perverso requinte de criar o agente laranja e o napalm, destinados a intoxicar letalmente seres vivos.

Fui violentada na África do Sul, vítima do apartheid, e no Oriente Médio, onde ainda sofro em decorrência de preconceitos étnicos e religiosos. Na continente africano, todos os meus preceitos são ignorados, por culpa do neocolonialismo e da indiferença das nações ricas. Estas só se lembram das africanas quando se trata de vender suas armas.

Em Guantánamo, o governo dos EUA promove descarado acinte contra todos os meus princípios. No Iraque e no Afeganistão, os excessos praticados são ainda mais graves.

Padeci também na União Soviética e na China. Sob a bandeira da nova sociedade, reprimiram manifestações de pensamento e religião; decretaram a censura; perseguiram opositores políticos; implantaram, em nome do socialismo, um capitalismo de Estado.

Na América Latina tenho uma trágica trajetória. Ditaduras militares seviciaram-me de todas as maneiras: prisões arbitrárias, torturas, desaparecimentos, banimentos, assassinatos, seqüestros de crianças…

Sofri massacres em El Salvador, Guatemala, Colômbia e Peru. Grupos paramilitares se vangloriam de violar-me. E em alguns países, como é o caso do Brasil, meus transgressores continuam impunes. Felizmente a OEA me leva a sério e trata de apurar denúncias que recebe.

Hoje, sou duramente vilipendiada pelo narcotráfico e o terrorismo. As drogas corroem profundamente a dignidade humana; o terrorismo, tanto de Estado quanto de grupos fundamentalistas, inocula no ser humano o medo e a ira como condição existencial.

No Brasil, estou longe de merecer o devido respeito. Muitos nem querem ouvir falar de mim. Julgam que sou mulher de bandido. Sou ignorada pelos policiais que torturam; e também pelos que praticam exploração sexual de crianças, discriminação de negros e indígenas, preconceito à homossexualidade e agressão às mulheres.

Sofro, de modo especial, em decorrência da estrutura injusta que perdura no país, sobretudo a desigualdade social acentuada pela falta de reforma agrária. O latifúndio figura entre os meus principais inimigos, ao lado da devastação ambiental.

Contudo, há avanços. Comissões de Justiça e Paz se multiplicam pelo país. Inúmeras ONGs se dedicam à minha causa. O governo Lula deu status de ministério à Secretaria Especial dos Direitos Humanos, à frente da qual se encontra um homem íntegro e corajoso: Paulo de Tarso Vannuchi.

Nas escolas, sou cada vez mais estudada. Há um setor da Justiça atento às ameaças e violações que sofro. As leis Afonso Arinos e Maria da Penha inibem e/ou punem uma parcela de meus agressores. A aprovação dos estatutos da Criança e do Adolescente, e do Idoso são avanços que me favorecem.

Se muitos ainda não me respeitam mundo afora, ao menos já não ousam falar mal de mim abertamente. Empresas e governos se sentem obrigados a levar em conta também meus direitos ecológicos, sociais e raciais.

Sou um projeto de futuro. Só na medida em que eu for assumida e respeitada, a humanidade haverá de desfrutar a felicidade como experiência pessoal e fenômeno coletivo.

Meu nome é Declaração Universal dos Direitos Humanos.