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Bispos assinam petição para beatificação de dom Luciano

O arcebispo de Mariana e presidente da CNBB, dom Geraldo Lyrio Rocha, anunciou para os bispos reunidos na 49ª Assembleia da Conferência que a partir de agosto a arquidiocese de Mariana dará início ao processo de beatificação de dom Luciano Mendes de Almeida, morto no dia 27 de agosto de 2006. Dom Geraldo solicitou que os bispos assinassem a petição da beatificação a ser encaminhada à Santa Sé ao que os mais de 300 bispos responderam com uma sonora salva de palmas, pondo-se prontos para atender ao pedido.

Segundo dom Geraldo, somente após a aprovação do pedido pela Santa Sé é que a arquidiocese poderá instalar o tribunal que conduzirá o processo de beatificação. O tempo determinado para entrar com o pedido de instauração do processo de beatificação de uma pessoa é de cinco anos após sua morte.

Dom Luciano Mendes de Almeida

Dom Luciano foi arcebispo de Mariana durante 18 anos (1988 a 2006). Antes, atuou na Região Belém como bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo. Foi secretário e presidente da CNBB por dois mandatos consecutivos em cada uma das funções. Estimado por todo o episcopado brasileiro, dom Luciano ficou conhecido especialmente pelo seu amor aos pobres e excluídos e pela defesa dos direitos humanos.

Na opinião do Pe. Julio, a beatificação de dom Luciano Mendes será sinal de justiça a um bispo servidor, despojado. defensor e amigo dos pobres e indefesos.

Ouça entrevista à Rádio 9 de Julho de dom Angélico Sandalo Bernardino, que trabalhou com dom Luciano:

D. Edmar Peron toma posse em São Paulo

O novo bispo auxiliar D. Edmar Peron será acolhido pela Região Belém na quinta-feira, dia 18, às 20h, na igreja Nossa Senhora de Lourdes, na Água Rasa (ver mapa abaixo).

D. Edmar tomou posse na Arquidiocese de São Paulo domingo, 14 de março, em missa solene celebrada na Catedral da Sé.

A cerimônia foi presidida pelo cardeal D. Odilo Scherer e teve a participação dos demais bispos auxiliares, diversos padres, fieis, além de parentes e amigos que vieram de Maringá para acompanhar o novo bispo.

Em discurso, D. Edmar agradeceu a todos:

Assista abaixo à homilia do 4º Domingo da Quaresma, nas palavras de D. Odilo:

Veja onde fica e como chegar à igreja Nossa Senhora de Lourdes:
Exibir mapa ampliado

Voar com o cardeal Lorscheider

Pe. Geovane Saraiva

Livro sobre o Cardeal Lorscheider, “A Ternura de um Pastor”, com 228 páginas, da Editora Caligráfica Ltda, de minha autoria, será lançado no dia 17.05.2009, as 18h, por ocasião da inauguração da estátua de Dom Aloísio, na Praça da Igreja de Santo Afonso.

Dom Aloísio, um frade menor que se tornou grande, entre todos ele foi o maior, porque colocou a sua vida em favor da vida, da vida por inteiro, marcando decisivamente a nossa história. Bondade sem limites, que em Deus encontrou o sentido da vida e o amor nele se fez dom para os irmãos. Do povo cearense ele afirmou: “A bondade e a acolhida do povo foi grande, com muita compreensão e muito apoio. A alma profundamente religiosa dessa boa gente é uma preciosidade. Senti uma especial acolhida da imprensa local. Foi uma presença bem viva nestes 22 anos […] Aquilo que se diz do sertanejo, deve dizer-se também do povo todo”.

O nosso querido Prof. Miguel Brandão disse algo bonito sobre o nosso amado pastor, com grande sabedoria: “Palavras que se encarna, vida que se oferece, alimento que se faz comunhão e ressuscita – Agradecendo a Deus a presença santificadora e operante de Dom Aloísio, nesses 22 anos, em que conosco viveu, lutou, chorou e sorriu: anunciando e denunciando, indo à frente, no meio, na retaguarda, e celebrando”.

“Doado totalmente, seu dia-a-dia é uma sucessão ininterrupta de encargos relacionados com a missão, abraçados com coragem, coerência e na serena alegria de que fala o Eclesiástico: A alegria do coração é a vida do homem, a alegria do homem aumenta os seus dias” (Eclo 30, 22), foram as palavras sábias de Irmã Maria Montenegro, falecida ano passado.

O Senador Pedro Simon disse “Dom Aloísio foi uma grande reserva moral do país e um grande líder religioso. Representou o pensamento da Igreja principalmente nas horas mais difíceis, mais dramáticas, quando foi Secretário Geral e Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Na hora do arbítrio, ele teve coragem e foi um grande mestre da Igreja Católica”. Por aí iremos mergulhar na vida e na ação pastoral do grande pastor dos empobrecidos, a exemplo de Dom Helder Câmara e tantos outros seguidores de Jesus, o Bom Pastor.

O livro “A Ternura de um Pastor” é de nossa iniciativa. Penso que deste modo estamos contribuindo para a história do Ceará, do Nordeste e do Brasil. Dom Aloísio foi extraordinário em tudo e seus escritos não podem ficar só arquivados ou nas gavetas e muito menos cair no esquecimento. Vamos fazer um belo vôo, uma viagem com o Cardeal Aloísio Lorscheider, através dos seus escritos, da sua vida e da sua ação pastoral.

A visão profética de um Pastor

Pe Geovane Saraiva

A CNBB é devedora a Dom Aloísio pelo muito que fez […] com sua voz mansa, seu jeito bondoso foi um grande profeta, suas palavras repercutiram em todo o país.
Dom Geraldo Lírio da Rocha

Dom Aloísio Lorscheider que escolheu como lema episcopal “In cruce salus et vitae” – Na cruz a salvação e a vida, recebeu de Deus um coração manso e humilde como o de Jesus e o Senhor nele também fez maravilhas.

Sua voz suave, sua palavra segura, porém pacífica, dirigida ao pobre ou ao rico e poderoso sempre produziu bons frutos, ao referir-se a esse dom com que o grande pastor foi agraciado, Frei Jorge Hartmann diz: “Esse grande profeta de Deus defendeu a vida, amou e defendeu os pobres, injustiçados e perseguidos. Homem do diálogo, da abertura e do ecumenismo”…

Homem de visão profética, realmente, fundou no Ceará três seminários: Propedêutico, de Filosofia e de Teologia, para melhor qualificar aqueles desejavam a vida sacerdotal; instalou – no antigo prédio onde funcionava o Seminário da Prainha – o ITEP – Instituto Teológico Pastoral do Ceará, voltado especialmente para a formação de leigos, engajados na Igreja, sem esquecer, porém, a formação para o magistério religioso que se passou a ser feito no ICRE – Instituto de Ciências Religiosas. Para formar catequistas, missão até então confiada a católicos de boa vontade criou a Escola Pastoral Catequética – ESPAC.

Tal era a dedicação do Pastor que a despeito de suas múltiplas atividades ainda exerceu o magistério no ITEP até 1992.

Pelo muito que fez pela cultura e o povo cearense recebeu os títulos de:

– Cidadão de Fortaleza – concedido pela Câmara Municipal.
– Cidadão do Ceará – concedido pela Assembléia Estadual.
– Doctor honoris causa, concedido pela Universidade Federal do Ceará.
– Doctor honoris causa – concedido pela Universidade Estadual do Ceará.
– Recebeu a Sereia de Ouro pelo Sistema Verdes Mares de Comunicação.
– Recebeu do Governo do Ceará a Medalha de Abolição.

Foi um precursor em nosso Estado na defesa dos oprimidos, fundou o Centro de Defesa dos Direitos Humanos instalado em 05 de Maio de 1982 e fundou as pastorais Operárias e indígenas, criando ainda o Ninho cearense para abrigar as mulheres vítimas da prostituição.

O seu pensamento foi publicado pela Editora Vozes em 2005 sob o título “Espiritualidade do Padre Diocesano” e no ano seguinte em obra editada pelas Paulinas sob o tema; “A Teologia a Serviço da Pregação e da Vida”. Escreveu também o Ministério da Igreja no Concílio Vaticano II e sobre as idéias fundamentais do mesmo.

Como Cardeal participou nos dois conclaves que elegeram os sucessores do Papa Paulo VI, nos quais foram escolhidos suas santidades João Paulo I – o Papa do sorriso – falecido um mês após sua posse e em seguida o Papa João Paulo II.

Por sua presença tão forte na Igreja em muitas ocasiões a imprensa aventava a hipótese de que Dom Aloísio Lorscheider seria o primeiro Papa latino-americano. Outra, porém, era a vontade de Deus e assim, em 13 de Agosto de 1995 foi o nosso querido Pastor assumir a Arquidiocese de Aparecida do Norte.

Dom Helder Câmara: profeta brasileiro

Maria Clara Lucchetti Bingemer

Arcebispo vermelho, bispo comunista, santo, místico, poeta, profeta – de tudo isso e muito mais foi chamado Dom Helder Câmara. Amigo de Paulo VI e do cardeal Eugenio Salles, inovador e criativo, ao
mesmo tempo em que obediente e dócil a Igreja Católica da qual era pastor, Dom Helder é certamente uma figura ímpar do século que passou.

Brasileiro ilustre, sem dúvida, esse magro cearense que era fiel a Igreja e ao mesmo tempo dialogava com o mundo com toda a tranqüilidade e intimidade. Conhecido no Brasil e no exterior, admirado por uns e odiado por outros, Dom Helder em seu centenário de nascimento, celebrado neste ano, não deixa de instigar nossas consciências e provocar admiração. Impossível não tomar posição diante de sua pessoa e sua vida.

Quando, em 20 de abril de 1952, aquele frágil sacerdote nordestino foi nomeado bispo escolheu como lema do seu ministério episcopal “IN MANUS TUAS”. Provavelmente intuía, mas não sabia que era ao mesmo tempo uma profecia e um programa de vida. As três palavras latinas queriam significar sua entrega confiante nas mãos de Deus, seu único Senhor. Essa entrega levou-o longe pelos caminhos de um serviço criativo e profético ao povo de Deus, pelo qual pagou seu preço, mas que desempenhou alegre até o fim.

No dia 7 de fevereiro completaram-se cem anos do nascimento de Dom Helder Câmara, cearense de Fortaleza e décimo primeiro filho de família simples, numerosa e bem constituída. Desde pequeno, brincava de padre, armando altares e oficiando missas em casa. Ao comunicar a seu pai, afastado da Igreja, seu desejo de abraçar a vocação sacerdotal, o jovem Helder ouviu palavras que nunca esqueceu: “Meu filho, você sabe o que é ser padre? Padre e egoísmo nunca podem andar juntos. O padre tem que se gastar, se deixar devorar”.

A vida no seminário e os estudos do jovem Helder foram marcados pela firmeza vocacional e o brilho intelectual. Ordenado aos 22 anos, antes da idade mínima requerida para tal e com licença especial da Santa Sé, Pe. Helder reuniu desde o principio qualidades raras em uma mesma pessoa: inteligência, cultura e liderança incontestáveis ao lado de um imenso amor e dedicação integral aos mais pobres.

Ao mesmo tempo em que organizava reuniões com lavadeiras e operárias e assessorava a Juventude Operária Brasileira (JOC), escrevia artigos em revistas, planejava a catequese a nível estadual e assumia cargos públicos na secretaria de educação do Ceara. A habilidade política foi uma constante em sua vida, assim como a naturalidade que desde sempre teve frente aos meios de comunicação, sendo uma das primeiras personalidades eclesiásticas brasileiras a aparecer constantemente na televisão. Quem é da minha geração certamente não esquecera sua figura de olhos vivos e penetrantes conclamando o país a solidariedade quando estourou o açude de Orós, causando situação de calamidade para a população nordestina. Parece ouvir ainda sua voz de característico sotaque nordestino: Orós precisa de nós.

A sagração episcopal multiplicou à enésima potencia a personalidade fulgurante do nordestino magro e franzino, vestido com uma eterna batina bege. Sua criatividade e capacidade de trabalho inventavam e implantavam sem cessar novas coisas na Igreja do Brasil. Deve-se a Dom Helder quase todas as iniciativas pioneiras em termos eclesiais que o país conheceu durante o século XX, entre elas a criação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, da qual foi fundador e secretário geral.

Ao mesmo tempo, no Rio de Janeiro onde era bispo auxiliar, criava a Cruzada São Sebastião, conjunto habitacional situado no coração do Leblon, bairro mais chique da cidade. Também se deve a sua iniciativa o Banco da Providência, órgão que existe até os dias de hoje e que atende os pobres da diocese do Rio de Janeiro a vários níveis.

No plano internacional, Dom Helder não teve mãos a medir diante dos múltiplos convites que recebia e atendia. Enchia auditórios e praças em Paris, Sidney, Londres, levando até o abastado primeiro mundo a quase sempre ignorada realidade sofrida e oprimida dos pobres brasileiros. Sua presença fez o país e a Igreja conhecidos e respeitados em outras latitudes.

A partir de 1964 o governo militar criou um rígido sistema de censura nos meios de comunicação brasileiros. Pretendia assim calar as vozes daqueles que defendiam os direitos humanos e denunciavam a barbárie perpetrada pelas torturas nos porões da ditadura. Dom Helder foi confinado a um penoso ostracismo. Sobre ele não se falava ou noticiava. Seu acesso à mídia fechou-se. Ele, perplexo com as acusações de comunista que lhe faziam, cunhou uma frase que ficou famosa: Quando ajudo os pobres dizem que sou santo. Quando pergunto sobre as causas da pobreza, me chamam de comunista.

Dom Helder foi reduzido a uma progressiva invisibilidade. Ficou praticamente restrito à atuação intra-eclesial onde incansavelmente continuou trabalhando. Desde Recife, sua sede episcopal a partir de 1964, foi responsável por um dos mais bem sucedidos focos de resistência ao regime militar.

Homem universal, parece não existir um só campo de atividade que Dom Helder não tenha tocado, vivido, atuado. Recebeu inúmeras homenagens e títulos pelo mundo afora: de cidadão honorário, de “doutor honoris causa”. Poeta e místico ardente, desde seu pequeno quarto no Recife levantava-se durante a madrugada para renovar seu lema de bispo: “In manus tuas”. A entrega incondicional a Deus e a seu povo expressava-se em belos poemas e livros que receberam traduções em vários idiomas. Escreveu sobre a paz, a cidade e o desafio da pastoral urbana, sobre a justiça, sobre a Igreja que nascia das chamadas minoras abraamicas. Organizou espetáculos no Maracanã sobre os sete pecados capitais, a paixão de Cristo. Gravou discos onde declamava poemas em honra de Nossa Senhora- Mariama, na Missa dos Quilombos composta por Milton Nascimento e Dom Pedro Casaldaliga.

Nas incursões na calada da noite, olhando o céu do Recife coalhado de estrelas, sua alma se expandia em louvor e adoração. Ali estava seu segredo. Ali estava a força da marca indelével que deixou por onde passou. In manus tuas. Nas mãos de seu Senhor, a alma do bispo descansava e cobrava forças para um novo amanhecer. Hoje, celebrando cem anos de seu nascimento, o Brasil agradece, comovido. E invoca sua proteção para estes tempos tão diferentes e igualmente complexos.