comunicação

Mensagem do Papa Bento XVI para o Dia Mundial da Comunicação

Verdade, anúncio e autenticidade de vida, na era digital
5 de junho de 2011

Queridos irmãos e irmãs!

Por ocasião do XLV Dia Mundial das Comunicações Sociais, desejo partilhar algumas reflexões, motivadas por um fenômeno característico do nosso tempo: a difusão da comunicação através da rede internet. Vai-se tornando cada vez mais comum a convicção de que, tal como a revolução industrial produziu uma mudança profunda na sociedade através das novidades inseridas no ciclo de produção e na vida dos trabalhadores, também hoje a profunda transformação operada no campo das comunicações guia o fluxo de grandes mudanças culturais e sociais. As novas tecnologias estão a mudar não só o modo de comunicar, mas a própria comunicação em si mesma, podendo-se afirmar que estamos perante uma ampla transformação cultural. Com este modo de difundir informações e conhecimentos, está a nascer uma nova maneira de aprender e pensar, com oportunidades inéditas de estabelecer relações e de construir comunhão.

Aparecem em perspectiva metas até há pouco tempo impensáveis, que nos deixam maravilhados com as possibilidades oferecidas pelos novos meios e, ao mesmo tempo, impõem de modo cada vez mais premente uma reflexão séria acerca do sentido da comunicação na era digital. Isto é particularmente evidente quando nos confrontamos com as extraordinárias potencialidades da rede internet e a complexidade das suas aplicações. Como qualquer outro fruto do engenho humano, as novas tecnologias da comunicação pedem para ser postas ao serviço do bem integral da pessoa e da humanidade inteira. Usadas sabiamente, podem contribuir para satisfazer o desejo de sentido, verdade e unidade que permanece a aspiração mais profunda do ser humano.

No mundo digital, transmitir informações significa com frequência sempre maior inseri-las numa rede social, onde o conhecimento é partilhado no âmbito de intercâmbios pessoais. A distinção clara entre o produtor e o consumidor da informação aparece relativizada, pretendendo a comunicação ser não só uma troca de dados, mas também e cada vez mais uma partilha. Esta dinâmica contribuiu para uma renovada avaliação da comunicação, considerada primariamente como diálogo, intercâmbio, solidariedade e criação de relações positivas. Por outro lado, isto colide com alguns limites típicos da comunicação digital: a parcialidade da interação, a tendência a comunicar só algumas partes do próprio mundo interior, o risco de cair numa espécie de construção da autoimagem que pode favorecer o narcisismo.

Sobretudo os jovens estão a viver esta mudança da comunicação, com todas as ansiedades, as contradições e a criatividade própria de quantos se abrem com entusiasmo e curiosidade às novas experiências da vida. O envolvimento cada vez maior no público areópago digital dos chamados social network, leva a estabelecer novas formas de relação interpessoal, influi sobre a percepção de si próprio e por conseguinte, inevitavelmente, coloca a questão não só da justeza do próprio agir, mas também da autenticidade do próprio ser. A presença nestes espaços virtuais pode ser o sinal de uma busca autêntica de encontro pessoal com o outro, se se estiver atento para evitar os seus perigos, como refugiar-se numa espécie de mundo paralelo ou expor-se excessivamente ao mundo virtual. Na busca de partilha, de “amizades”, confrontamo-nos com o desafio de ser autênticos, fiéis a si mesmos, sem ceder à ilusão de construir artificialmente o próprio “perfil” público.

As novas tecnologias permitem que as pessoas se encontrem para além dos confins do espaço e das próprias culturas, inaugurando deste modo todo um novo mundo de potenciais amizades. Esta é uma grande oportunidade, mas exige também uma maior atenção e uma tomada de consciência quanto aos possíveis riscos. Quem é o meu “próximo” neste novo mundo? Existe o perigo de estar menos presente a quantos encontramos na nossa vida diária? Existe o risco de estarmos mais distraídos, porque a nossa atenção é fragmentada e absorvida por um mundo “diferente” daquele onde vivemos? Temos tempo para refletir criticamente sobre as nossas opções e alimentar relações humanas que sejam verdadeiramente profundas e duradouras? É importante nunca esquecer que o contato virtual não pode nem deve substituir o contato humano direto com as pessoas, em todos os níveis da nossa vida.

Também na era digital, cada um vê-se confrontado com a necessidade de ser pessoa autêntica e reflexiva. Aliás, as dinâmicas próprias dos social network mostram que uma pessoa acaba sempre envolvida naquilo que comunica. Quando as pessoas trocam informações, estão já a partilhar-se a si mesmas, a sua visão do mundo, as suas esperanças, os seus ideais. Segue-se daqui que existe um estilo cristão de presença também no mundo digital: traduz-se numa forma de comunicação honesta e aberta, responsável e respeitadora do outro. Comunicar o Evangelho através dos novos midia significa não só inserir conteúdos declaradamente religiosos nas plataformas dos diversos meios, mas também testemunhar com coerência, no próprio perfil digital e no modo de comunicar, escolhas, preferências, juízos que sejam profundamente coerentes com o Evangelho, mesmo quando não se fala explicitamente dele. Aliás, também no mundo digital, não pode haver anúncio de uma mensagem sem um testemunho coerente por parte de quem anuncia. Nos novos contextos e com as novas formas de expressão, o cristão é chamado de novo a dar resposta a todo aquele que lhe perguntar a razão da esperança que está nele (cf. 1Pd 3,15).

O compromisso por um testemunho do Evangelho na era digital exige que todos estejam particularmente atentos aos aspectos desta mensagem que possam desafiar algumas das lógicas típicas da web. Antes de tudo, devemos estar cientes de que a verdade que procuramos partilhar não extrai o seu valor da sua “popularidade” ou da quantidade de atenção que lhe é dada. Devemos esforçar-nos mais em dá-la conhecer na sua integridade do que em torná-la aceitável, talvez “mitigando-a”. Deve tornar-se alimento cotidiano e não atração de um momento. A verdade do Evangelho não é algo que possa ser objeto de consumo ou de fruição superficial, mas dom que requer uma resposta livre. Mesmo se proclamada no espaço virtual da rede, aquela sempre exige ser encarnada no mundo real e dirigida aos rostos concretos dos irmãos e irmãs com quem partilhamos a vida diária. Por isso permanecem fundamentais as relações humanas diretas na transmissão da fé!

Em todo o caso, quero convidar os cristãos a unirem-se confiadamente e com criatividade consciente e responsável na rede de relações que a era digital tornou possível; e não simplesmente para satisfazer o desejo de estar presente, mas porque esta rede tornou-se parte integrante da vida humana. A web está a contribuir para o desenvolvimento de formas novas e mais complexas de consciência intelectual e espiritual, de certeza compartilhada. Somos chamados a anunciar, neste campo também, a nossa fé: que Cristo é Deus, o Salvador do homem e da história, aquele em quem todas as coisas alcançam a sua perfeição (cf. Ef 1,10). A proclamação do Evangelho requer uma forma respeitosa e discreta de comunicação, que estimula o coração e move a consciência; uma forma que recorda o estilo de Jesus ressuscitado quando se fez companheiro no caminho dos discípulos de Emaús (cf. Lc24,13-35), que foram gradualmente conduzidos à compreensão do mistério mediante a sua companhia, o diálogo com eles, o fazer vir ao de cima com delicadeza o que havia no coração deles.

Em última análise, a verdade que é Cristo constitui a resposta plena e autêntica àquele desejo humano de relação, comunhão e sentido que sobressai inclusivamente na participação maciça nos vários social network. Os crentes, testemunhando as suas convicções mais profundas, prestam uma preciosa contribuição para que a web não se torne um instrumento que reduza as pessoas a categorias, que procure manipulá-las emotivamente ou que permita aos poderosos monopolizar a opinião alheia. Pelo contrário, os crentes encorajam todos a manterem vivas as eternas questões do homem, que testemunham o seu desejo de transcendência e o anseio por formas de vida autêntica, digna de ser vivida. Precisamente esta tensão espiritual própria do ser humano é que está por detrás da nossa sede de verdade e comunhão e nos estimula a comunicar com integridade e honestidade.

Convido sobretudo os jovens a fazerem bom uso da sua presença no areópago digital. Renovo-lhes o convite para o encontro comigo na próxima Jornada Mundial da Juventude em Madri, cuja preparação muito deve às vantagens das novas tecnologias. Para os agentes da comunicação, invoco de Deus, por intercessão do Patrono São Francisco de Sales, a capacidade de sempre desempenharem o seu trabalho com grande consciência e escrupulosa profissionalidade, enquanto a todos envio a minha Bênção Apostólica.

Bento XVI

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Nota da CNBB sobre ética e programas de TV

Têm chegado à CNBB diversos pedidos de uma manifestação a respeito do baixo nível moral que se verifica em alguns programas das emissoras de televisão, particularmente naqueles denominados Reality Shows, que têm o lucro como seu principal objetivo.

Nós, bispos do Conselho Episcopal Pastoral (CONSEP), reunidos em Brasília, de 15 a 17 de fevereiro de 2011, compreendendo a gravidade do problema e em atenção a esses pedidos, acolhendo o clamor de pessoas, famílias e organizações, vimos nos manifestar a respeito.

Destacamos primeiramente o papel desempenhado pela TV em nosso País e os importantes serviços por ela prestados à Sociedade. Nesse sentido, muitos programas têm sido objeto de reconhecimento explícito por parte da Igreja com a concessão do Prêmio Clara de Assis para a Televisão, atribuído anualmente.

Lamentamos, entretanto, que esses serviços, prestados com apurada qualidade técnica e inegável valor cultural e moral, sejam ofuscados por alguns programas, entre os quais os chamados reality shows, que atentam contra a dignidade de pessoa humana, tanto de seus participantes, fascinados por um prêmio em dinheiro ou por fugaz celebridade, quanto do público receptor que é a família brasileira.

Cônscios de nossa missão e responsabilidade evangelizadoras, exortamos a todos no sentido de se buscar um esforço comum pela superação desse mal na sociedade, sempre no respeito à legítima liberdade de expressão, que não assegura a ninguém o direito de agressão impune aos valores morais que sustentam a Sociedade.

Dirigimo-nos, antes de tudo, às emissoras de televisão, sugerindo-lhes uma reflexão mais profunda sobre seu papel e seus limites, na vida social, tendo por parâmetro o sentido da concessão que lhes é dada pelo Estado.

Ao Ministério Público pedimos uma atenção mais acurada no acompanhamento e adequadas providências em relação à programação televisiva, identificando os evidentes malefícios que ela traz em desrespeito aos princípios basilares da Constituição Federal (Art. 1º, II e III).

Aos pais, mães e educadores, atentos a sua responsabilidade na formação moral dos filhos e alunos, sugerimos que busquem através do diálogo formar neles o senso crítico indispensável e capaz de protegê-los contra essa exploração abusiva e imoral.

Por fim, dirigimo-nos também aos anunciantes e agentes publicitários, alertando-os sobre o significado da associação de suas marcas a esse processo de degradação dos valores da sociedade.

Rogamos a Deus, pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida, luz e proteção a todos os profissionais e empresários da comunicação, para que, usando esses maravilhosos meios, possamos juntos construir uma sociedade mais justa e humana.

Brasília, 17 de fevereiro de 2011

Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana
Presidente da CNBB

Dom Luiz Soares Vieira
Arcebispo de Manaus
Vice-Presidente da CNBB

Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário Geral da CNBB

Mensagem do Papa Bento XVI para o Dia Mundial das Comunicações

Verdade, anúncio e autenticidade de vida, na era digital

Queridos irmãos e irmãs!

Por ocasião do XLV Dia Mundial das Comunicações Sociais, desejo partilhar algumas reflexões, motivadas por um fenômeno característico do nosso tempo: a difusão da comunicação através da Internet. Vai-se tornando cada vez mais comum a convicção de que, tal como a revolução industrial produziu uma mudança profunda na sociedade através das novidades inseridas no ciclo de produção e na vida dos trabalhadores, também hoje a profunda transformação operada no campo das comunicações guia o fluxo de grandes mudanças culturais e sociais. As novas tecnologias estão mudando não só o modo de comunicar, mas a própria comunicação em si, podendo-se afirmar que estamos perante uma ampla transformação cultural. Com este modo de difundir informações e conhecimentos, está nascendo uma nova maneira de aprender e pensar, com oportunidades inéditas de estabelecer relações e de construir comunhão.

Aparecem em perspectiva metas até há pouco tempo impensáveis, que nos deixam maravilhados com as possibilidades oferecidas pelos novos meios e, ao mesmo tempo, impõem de modo cada vez mais premente uma reflexão séria acerca do sentido da comunicação na era digital. Isto é particularmente evidente quando nos confrontamos com as extraordinárias potencialidades da Internet e a complexidade das suas aplicações. Como qualquer outro fruto do engenho humano, as novas tecnologias da comunicação pedem para ser postas ao serviço do bem integral da pessoa e da humanidade inteira. Usadas sabiamente, podem contribuir para satisfazer o desejo de sentido, verdade e unidade que permanece a aspiração mais profunda do ser humano.

No mundo digital, transmitir informações significa com frequência sempre maior inseri-las numa rede social, onde o conhecimento é partilhado no âmbito de intercâmbios pessoais. A distinção clara entre o produtor e o consumidor da informação aparece relativizada, pretendendo a comunicação ser não só uma troca de dados, mas também e cada vez mais uma partilha. Esta dinâmica contribuiu para uma renovada avaliação da comunicação, considerada primariamente como diálogo, intercâmbio, solidariedade e criação de relações positivas. Por outro lado, isto colide com alguns limites típicos da comunicação digital: a parcialidade da interação, a tendência a comunicar só algumas partes do próprio mundo interior, o risco de cair numa espécie de construção da auto-imagem que pode favorecer o narcisismo.

Sobretudo os jovens vivem esta mudança da comunicação, com todas as ansiedades, as contradições e a criatividade própria de quantos se abrem com entusiasmo e curiosidade às novas experiências da vida. O envolvimento cada vez maior no público areópago digital dos chamados social network, leva a estabelecer novas formas de relação interpessoal, influi sobre a percepção de si próprio e por conseguinte, inevitavelmente, coloca a questão não só da justeza do próprio agir, mas também da autenticidade do próprio ser. A presença nestes espaços virtuais pode ser o sinal de uma busca autêntica de encontro pessoal com o outro, se se estiver atento para evitar os seus perigos, como refugiar-se numa espécie de mundo paralelo ou expor-se excessivamente ao mundo virtual. Na busca de partilha, de “amizades”, confrontamo-nos com o desafio de ser autênticos, fiéis a si mesmos, sem ceder à ilusão de construir artificialmente o próprio “perfil”público.

As novas tecnologias permitem que as pessoas se encontrem para além dos confins do espaço e das próprias culturas, inaugurando deste modo todo um novo mundo de potenciais amizades. Esta é uma grande oportunidade, mas exige também uma maior atenção e uma tomada de consciência quanto aos possíveis riscos. Quem é o meu “próximo” neste novo mundo? Existe o perigo de estar menos presente a quantos encontramos na nossa vida diária? Existe o risco de estarmos mais distraídos, porque a nossa atenção é fragmentada e absorvida por um mundo “diferente” daquele onde vivemos? Temos tempo para reflectir criticamente sobre as nossas opções e alimentar relações humanas que sejam verdadeiramente profundas e duradouras? É importante nunca esquecer que o contato virtual não pode nem deve substituir o contato humano direto com as pessoas, em todos os níveis da nossa vida.

Também na era digital, cada um vê-se confrontado com a necessidade de ser pessoa autêntica e reflexiva. Aliás, as dinâmicas próprias dos social network mostram que uma pessoa acaba sempre envolvida naquilo que comunica. Quando as pessoas trocam informações, estão já partilhando a si mesmas, a sua visão do mundo, as suas esperanças, os seus ideais. Segue-se daqui que existe um estilo cristão de presença também no mundo digital: traduz-se numa forma de comunicação honesta e aberta, responsável e respeitadora do outro. Comunicar o Evangelho através dos novos midia significa não só inserir conteúdos declaradamente religiosos nas plataformas dos diversos meios, mas também testemunhar com coerência, no próprio perfil digital e no modo de comunicar, escolhas, preferências, juízos que sejam profundamente coerentes com o Evangelho, mesmo quando não se fala explicitamente dele. Aliás, também no mundo digital, não pode haver anúncio de uma mensagem sem um testemunho coerente por parte de quem anuncia. Nos novos contextos e com as novas formas de expressão, o cristão é chamado de novo a dar resposta a todo aquele que lhe perguntar a razão da esperança que está nele (cf. 1 Pd 3, 15).

O compromisso por um testemunho do Evangelho na era digital exige que todos estejam particularmente atentos aos aspectos desta mensagem que possam desafiar algumas das lógicas típicas da web. Antes de tudo, devemos estar cientes de que a verdade que procuramos partilhar não extrai o seu valor da sua “popularidade” ou da quantidade de atenção que lhe é dada. Devemos esforçar-nos mais em dá-la conhecer na sua integridade do que em torná-la aceitável, talvez “mitigando-a”. Deve tornar-se alimento quotidiano e não atração de um momento. A verdade do Evangelho não é algo que possa ser objeto de consumo ou de fruição superficial, mas dom que requer uma resposta livre. Mesmo se proclamada no espaço virtual da rede, aquela sempre exige ser encarnada no mundo real e dirigida aos rostos concretos dos irmãos e irmãs com quem partilhamos a vida diária. Por isso permanecem fundamentais as relações humanas diretas na transmissão da fé!

Em todo o caso, quero convidar os cristãos a unirem-se confiadamente e com criatividade consciente e responsável na rede de relações que a era digital tornou possível; e não simplesmente para satisfazer o desejo de estar presente, mas porque esta rede tornou-se parte integrante da vida humana. A web contribui para o desenvolvimento de formas novas e mais complexas de consciência intelectual e espiritual, de certeza compartilhada. Somos chamados a anunciar, neste campo também, a nossa fé: que Cristo é Deus, o Salvador do homem e da história, Aquele em quem todas as coisas alcançam a sua perfeição (cf. Ef 1, 10). A proclamação do Evangelho requer uma forma respeitosa e discreta de comunicação, que estimula o coração e move a consciência; uma forma que recorda o estilo de Jesus ressuscitado quando Se fez companheiro no caminho dos discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 13-35), que foram gradualmente conduzidos à compreensão do mistério mediante a sua companhia, o diálogo com eles, o fazer vir ao de cima com delicadeza o que havia no coração deles.

Em última análise, a verdade que é Cristo constitui a resposta plena e autêntica àquele desejo humano de relação, comunhão e sentido que sobressai inclusivamente na participação maciça nos vários social network. Os que creem, testemunhando as suas convicções mais profundas, prestam uma preciosa contribuição para que a web não se torne um instrumento que reduza as pessoas a categorias, que procure manipulá-las emotivamente ou que permita aos poderosos monopolizar a opinião alheia. Pelo contrário, os que creem encorajam todos a manterem vivas as eternas questões do homem, que testemunham o seu desejo de transcendência e o anseio por formas de vida autêntica, digna de ser vivida. Precisamente esta tensão espiritual própria do ser humano é que está por detrás da nossa sede de verdade e comunhão e nos estimula a comunicar com integridade e honestidade.

Convido sobretudo os jovens a fazerem bom uso da sua presença no areópago digital. Renovo-lhes o convite para o encontro comigo na próxima Jornada Mundial da Juventude em Madrid, cuja preparação muito deve às vantagens das novas tecnologias. Para os agentes da comunicação, invoco de Deus, por intercessão do Patrono São Francisco de Sales, a capacidade de sempre desempenharem o seu trabalho com grande consciência e escrupulosa profissionalidade, enquanto a todos envio a minha Bênção Apostólica.

Vaticano, Festa de São Francisco de Sales, 24 de Janeiro de 2011.

BENEDICTUS PP. XVI

Na Idade Mídia…

Wanderley de Oliveira

Regulação do conteúdo da mídia é necessária, ocorre em outros países e não significa censura, diz ministro Franklin Martins.

A regulamentação nas comunicações eletrônicas, especialmente quando se tratam de concessões públicas, é uma tarefa que cabe ao Estado fazer, à sociedade discutir, ao Congresso legislar e às agências, depois, fazerem a regulação e fiscalizarem. É isso que, segundo o ministro chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Franklin Martins, ficou claro após o encerramento do seminário internacional sobre Comunicações Eletrônicas e Convergência de Mídias, na quarta-feira (10/11), em Brasília.

A reportagem do site O Arcanjo no ar esteve presente ao evento, primeiro para se interar do panorama nacional e internacional sobre o ambiente das convergências de mídias, que vem a ser na prática o que já realizamos em nosso sitio na rede mundial de computadores, que junta no mesmo veículo, jornalismo, fotografia, rádio e vídeo. Segundo para trazer as boas novas no campo da comunicação eletrônica para nossos prezados leitores. Terceiro para intervir nos debates para apresentarmos nossas propostas com vistas a ampliar a democratização dos meios de comunicação em nosso país.

Louvamos a iniciativa do governo em abrir este espaço democrático de debates sobre o tema. Mas notamos que ainda estamos longe dos objetivos de uma comunicação plenamente livre e democrática no país.

Segundo o jornalista Gabriel Priolli Neto, presente no evento, o processo político brasileiro é um dos fatores que obstruem o avanço do setor no país, segundo ele “não há ruptura nos pactos políticos, então o presente sempre tem que negociar com o passado anacrônico para estabelecer o futuro”. Partilha dessa visão uma “fonte” do Conselho Curador da TV Brasil, rede de rádio e televisão pública – “Num ambiente de convergências de mídias, as pessoas tem uma visão estreita, míope, pois desconhecem totalmente as novas tecnologias de comunicação”.

Para o relator do projeto de Lei nº 29, o deputado Jorge Bitar do PT/RJ, uma legislação que protegeria a cultura nacional e fomentaria a divulgação da cultura local e regional, ela não será votada este ano e tem dúvidas de quando será.

Outros ainda se manifestaram otimistas, para Luiza Erundina, deputada federal por São Paulo, considera que – “a eleição da nova Presidente pode garantir um avanço nessa discussão”; para o professor Laurindo Lalo Leal Filho da ECA/ USP – “as novas tecnologias criam uma perspectiva de novos atores, que querem assumir o protagonismo neste cenário”.

Luiza Erundina - Deputada Federal por São Paulo

Luiza Erundina - Deputada Federal por São Paulo

Sintomaticamente o diretor presidente do Grupo Bandeirantes de Comunicação (Rádio e TV Bandeirantes), Johnny Saad não quis atender a nossa reportagem. Esta é a postura, prepotência e arrogância, dos “senhozinhos” dos latifúndios da comunicação em nosso país. Apenas algumas famílias, não passam de dez, dominam a propriedade dos veículos de rádio, tv, jornais e revistas. Monopólios não combinam com uma sociedade democrática, principalmente os veiculos que são uma concessão pública. Urge a “reforma agrária no ar” neste país.

Já são 75 de milhões de usuários ativos na internet no Brasil. A voz das ruas, das urnas, agora também se fazem ouvir na frequência digital. Àqueles que pretendem, sejam no governo, na iniciativa privada a controlar as mentes, ou que só pensam na corrida do ouro, ponham as barbas de molho (hoje se diz: fiquem ligados), pois um novo padrão de comunicação está sendo gestado no país e no mundo.

A sequência de fotos abaixo dá uma ideia de como as imagens são captadas e transmitidas pelas ondas no ar:

Tomada geral do palco

Tomada geral do palco

Close do palestrante francês

Close do palestrante francês

Monitor da mesa de corte dentro do auditório com close do palestrante

Monitor da mesa de corte dentro do auditório com close do palestrante

Mesa de corte das imagens

Mesa de corte das imagens

Mesa de corte dentro do caminhão de externas da TV Brasil

Mesa de corte dentro do caminhão de externas da TV Brasil

Unidade móvel com microondas para transmissão da imagem

Unidade móvel com microondas para transmissão da imagem

Televisor do telespectador

Televisor do telespectador

Congresso de Leigos – Oficina da Comunicação

Oficina Temática Vida e Missão do Leigo no Mundo da Comunicação Social

Neste sábado, dia 06 de novembro de 2010, foi realizada a Oficina Temática Vida e Missão do Leigo no Mundo da Comunicação Social. Os Delegados das seis Regiões Episcopais da Arquidiocese de São Paulo (Belém, Brasilândia, Ipiranga, Lapa, Santana e Sé) se reuniram na sede do Sindicato dos Jornalistas para avaliar as propostas das oficinas regionais. Também avaliaram as propostas do Vicariato Episcopal para a Pastoral da Comunicação, bem como da Oficina Anúncio Querigmático.

Oficina de Comunicação - Congresso de Leigos 2010

A Região Belém participou ativamente dos trabalhos com sete delegados. O Carlos, do site O Arcanjo no Ar e da Paróquia São Miguel Arcanjo, participou como um dos delegados da Região Belém.

Oficina de Comunicação - Congresso de Leigos 2010

O objetivo da oficina em nível arquidiocesano consistia em analisar e agrupar as propostas nos três eixos, Formação, Organização e Ação. Objetivou, ainda, não buscar nessas propostas as soluções para os problemas encontrados nas respectivas áreas abordadas, mas concentrar-se na superação dos desafios, para que haja uma atuação efetiva, competente e organizada dos cristãos leigos.

A organização do evento contou com a participação do Vicariato da Comunicação, inclusive com a equipe do Jornal O São Paulo, tendo disponibilizado material de excelente qualidade para possibilitar a triagem das propostas, de modo a possibilitar seu enquadramento na formação, organização e ação. No final foram elaborados por seis grupos um projeto arquidiocesano para o tema da comunicação social.

Oficina de Comunicação - Congresso de Leigos 2010

No próximo dia 21 de novembro, no Ginásio Poliesportivo do Ibirapuera,  ocorrerá a apresentação dos projetos do Congresso de Leigos, com a reflexão e aprovação daqueles produzidos pelas oficinas temáticas. Haverá um momento cultural e depois a celebração da Santa Missa presidida pelo Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer.

Conselhos fortalecem a democracia

Bia Barbosa, Jonas Valente, Pedro Caribé e João Brant, do Coletivo Intervozes

A aprovação do Conselho Estadual de Comunicação pela Assembleia Legislativa do Ceará foi a senha para uma nova ofensiva da mídia comercial contra a regulamentação do setor e iniciativas análogas em debate em outros Estados.

O argumento é o de que os conselhos seriam órgãos de censura da mídia pelo governo.

A afirmação confunde e esconde o objetivo real dessas estruturas, que já existem em áreas vitais para o desenvolvimento, como saúde e educação, garantindo a participação da população na elaboração das políticas públicas para tais setores e a fiscalização da prestação do serviço público de acordo com a legislação.

Ao contrário do que bradam os grupos de comunicação, e até mesmo a OAB, os conselhos visam a ampliação do exercício da liberdade de expressão, e não sua restrição; portanto, nada têm de inconstitucionais. Não se trata de censurar conteúdos, muito menos de definir a atuação da imprensa.

Ao criá-los, os Estados não definem novas regras para a radiodifusão, o que seria prerrogativa da União, mas apoiam a aplicação dos princípios constitucionais e leis já existentes, muitas vezes ignorados por concessionárias de rádio e TV.

Os conselhos tratam das políticas estaduais, como o desenvolvimento da precária radiodifusão pública e comunitária local, o acesso da população à banda larga, e de critérios democráticos de distribuição das verbas publicitárias governamentais, feitas, em geral, de forma pouco transparente.

Em parceria com o Poder Executivo federal, podem ainda, por exemplo, fazer audiências para ouvir a população no momento de renovação de uma outorga de TV. Ou encaminhar ao Ministério Público denúncias de discriminação, que se multiplicam em programas policialescos exibidos à luz do dia.

Assim, os conselhos nada mais são do que espaços para a sociedade brasileira, representada em sua diversidade, participar da construção de políticas públicas de comunicação, acompanhar a prestação desse serviço e cobrar das devidas instâncias a responsabilização por violações das regras do setor.

Tratar a legítima reivindicação da população de se fazer ouvir nesses processos como ameaça à liberdade de imprensa é movimento daqueles que, pouco afeitos à sua responsabilidade social, querem manter privilégios em um campo marcado pela concentração de propriedade, homogeneização cultural e desrespeito à legislação.

O que a sociedade reivindica é justamente o exercício direto da liberdade de expressão por todos os segmentos, e não apenas pelos poucos que detêm o controle dos meios e impõem suas ideias à opinião pública como se fossem porta-vozes de uma diversidade que ignoram e omitem. Essa é a real censura à liberdade de expressão no país.

Ao questionar esse modelo, a Conferência Nacional de Comunicação, que reuniu milhares de representantes de organizações sociais, governos (não apenas o federal) e empresários que compreenderam a importância do debate democrático com a população, aprovou, em votação quase unânime, a criação de um conselho nacional e de conselhos estaduais.

Infelizmente, a cobertura sobre o tema tem distorcido as propostas e censurado visões favoráveis aos conselhos, o que comprova que setores dos meios de comunicação interditam o debate quando ele toca em seus interesses comerciais.

É sintomático que aqueles que se arvoram no papel de informar censurem o contraditório e defendam um ambiente desprovido de obrigações legais e mecanismos de fiscalização. A regulação da comunicação está consolidada em todas as democracias como baliza de Estados efetivamente plurais.

Se nesses países, com sistemas de comunicação mais desenvolvidos, iniciativas como essa não são consideradas ameaças à liberdade de expressão, por que aqui deveriam ser?

A Igreja e as mídias sociais

J. B. Libanio

O evangelho e a difusão da Igreja não se compuseram sem dificuldades. Jesus começou, na linguagem especialmente de Lucas, cercado de multidões. Ao ler o evangelista, tem-se a impressão de que as massas seguiam a Jesus por todas as partes a ponto de ele nem ter tempo para comer. As multiplicações dos pães se deram nesse contexto de êxito missionário. O povo chegou a esquecer a comida. Em outro momento, precisou subir à barca para evitar a pressão da multidão.

A vida pública de Jesus tem outra face. Na narrativa de João, depois do sermão do pão, as pessoas se vão. E ficam os seguidores próximos. Provavelmente pequenino grupo. E a interpelação de Jesus soa carregada de dor. “Vós também quereis ir embora (Jo 6, 67)?”

O processo avançou até a solidão de Jesus no horto. Interroga a Pedro: “Não foste capaz de ficar vigiando uma só hora?” Já não lhe pede uma vida de seguimento, mas uma hora só. Nem isso. Dorme. E depois foge e trai. E na cruz revela-se o fracasso completo. Morre no absoluto abandono. Nada leva a crer que o Jesus do evangelho atribuía importância ao êxito publicitário e propagandístico. Pelo menos, ele não se enveredou por esse caminho.

Nos inícios do Cristianismo, Paulo se transformou no apóstolo maior de longas viagens e muitas pregações. Ousou pregar no areópago de Atenas (At 17, 22-32). Fracassou, ao tocar o mistério da ressurreição de Jesus. Os ouvintes o abandonaram com um simples “outro dia te ouviremos”. Os atos chegam a dar a impressão de sucessos de massa com os sermões de Pedro, com milhares de batismos. Mas, seguindo os fatos, os cristãos praticamente desaparecem de Jerusalém. As conversões se dão antes gota a gota pela via familiar que pelos movimentos de massa. Até à conversão do Império a fé cristã trilhou caminhos pouco chamativos.

As massas vieram depois. O Cristianismo se fez religião do Império. Pagou, em termos evangélicos, pesado preço. Chegou às aberrações da Inquisição, de Cruzadas sangrentas, do poderio mundano de papas.

Tem sofrido nos últimos tempos enorme desgaste. Por onde virá a renovação? A mídia social pode ser um caminho para recuperar a presença na sociedade? A trajetória histórica do Cristianismo deixa-nos perplexos em face de tal proposta. Cabe sério discernimento. Não há espaço para soluções superficiais e de pura exterioridade. Nem tem sentido depositar nela esperanças. O evangelho passa pelo testemunho, pela vida de entrega, pela força do amor. No entanto, há uma palavra do evangelho que nos abre caminho. A palavra de Deus se assemelha à semente. Não há limite para lançá-la. A mídia procede como semeador que semeia por todos os lados. Vale como primeiro passo. Mas o evangelho continua a ensinar-nos que ela só frutifica em terra boa que não se trabalha midiaticamente, mas por meio da catequese, da liturgia, das pastorais diversas.

Mensagem do papa para o 44º Dia Mundial das Comunicações

“O sacerdote e a pastoral no mundo digital: os novos media ao serviço da Palavra”
[Domingo,16 de Maio de 2010]

Queridos irmãos e irmãs!

O tema do próximo Dia Mundial das Comunicações Sociais – “O sacerdote e a pastoral no mundo digital: os novos media ao serviço da Palavra” – insere-se perfeitamente no trajeto do Ano Sacerdotal e traz à ribalta a reflexão sobre um âmbito vasto e delicado da pastoral como é o da comunicação e do mundo digital, que oferece ao sacerdote novas possibilidades para exercer o seu serviço à Palavra e da Palavra. Os meios modernos de comunicação fazem parte, desde há muito tempo, dos instrumentos ordinários através dos quais as comunidades eclesiais se exprimem, entrando em contacto com o seu próprio território e estabelecendo, muito frequentemente, formas de diálogo mais abrangentes, mas a sua recente e incisiva difusão e a sua notável influência tornam cada vez mais importante e útil o seu uso no ministério sacerdotal.

A tarefa primária do sacerdote é anunciar Cristo, Palavra de Deus encarnada, e comunicar a multiforme graça divina portadora de salvação mediante os sacramentos. Convocada pela Palavra, a Igreja coloca-se como sinal e instrumento da comunhão que Deus realiza com o homem e que todo o sacerdote é chamado a edificar n’Ele e com Ele. Aqui reside a altíssima dignidade e beleza da missão sacerdotal, na qual se concretiza de modo privilegiado aquilo que afirma o apóstolo Paulo: “Na verdade, a Escritura diz: “Todo aquele que acreditar no Senhor não será confundido”. […] Portanto, todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Mas como hão de invocar Aquele em quem não acreditam? E como hão de acreditar n’Aquele de quem não ouviram falar? E como hão de ouvir falar, se não houver quem lhes pregue? E como hão de pregar, se não forem enviados?” (Rm 10,11.13-15).

Hoje, para dar respostas adequadas a estas questões no âmbito das grandes mudanças culturais, particularmente sentidas no mundo juvenil, tornaram-se um instrumento útil as vias de comunicação abertas pelas conquistas tecnológicas. De fato, pondo à nossa disposição meios que permitem uma capacidade de expressão praticamente ilimitada, o mundo digital abre perspectivas e concretizações notáveis ao incitamento paulino: “Ai de mim se não anunciar o Evangelho!” (1 Cor 9,16). Por conseguinte, com a sua difusão, não só aumenta a responsabilidade do anúncio, mas esta torna-se também mais premente reclamando um compromisso mais motivado e eficaz. A este respeito, o sacerdote acaba por encontrar-se como que no limiar de uma “história nova”, porque quanto mais intensas forem as relações criadas pelas modernas tecnologias e mais ampliadas forem as fronteiras pelo mundo digital, tanto mais será chamado o sacerdote a ocupar-se disso pastoralmente, multiplicando o seu empenho em colocar os media ao serviço da Palavra.

Contudo, a divulgação dos “multimidia” e o diversificado “espectro de funções” da própria comunicação podem comportar o risco de uma utilização determinada principalmente pela mera exigência de marcar presença e de considerar erroneamente a internet apenas como um espaço a ser ocupado. Ora, aos presbíteros é pedida a capacidade de estarem presentes no mundo digital em constante fidelidade à mensagem evangélica, para desempenharem o próprio papel de animadores de comunidades, que hoje se exprimem cada vez mais frequentemente através das muitas “vozes” que surgem do mundo digital, e anunciar o Evangelho recorrendo não só aos media tradicionais, mas também ao contributo da nova geração de audiovisuais (fotografia, vídeo, animações, blogues, páginas internet) que representam ocasiões inéditas de diálogo e meios úteis inclusive para a evangelização e a catequese.

Através dos meios modernos de comunicação, o sacerdote poderá dar a conhecer a vida da Igreja e ajudar os homens de hoje a descobrirem o rosto de Cristo, conjugando o uso oportuno e competente de tais meios – adquirido já no período de formação – com uma sólida preparação teológica e uma espiritualidade sacerdotal forte, alimentada pelo diálogo contínuo com o Senhor. No impacto com o mundo digital, mais do que a mão do operador dos media, o presbítero deve fazer transparecer o seu coração de consagrado, para dar uma alma não só ao seu serviço pastoral, mas também ao fluxo comunicativo ininterrupto da «rede».

Também no mundo digital deve ficar patente que a amorosa atenção de Deus em Cristo por nós não é algo do passado nem uma teoria erudita, mas uma realidade absolutamente concreta e atual. De fato, a pastoral no mundo digital há de conseguir mostrar, aos homens do nosso tempo e à humanidade desorientada de hoje, que “Deus está próximo, que, em Cristo, somos todos parte uns dos outros” [Bento XVI, Discurso à Cúria Romana na apresentação dos votos de Natal: L’Osservatore Romano (21-22 de Dezembro de 2009) pág. 6].

Quem melhor do que um homem de Deus poderá desenvolver e pôr em prática, mediante as próprias competências no âmbito dos novos meios digitais, uma pastoral que torne Deus vivo e atual na realidade de hoje e apresente a sabedoria religiosa do passado como riqueza donde haurir para se viver dignamente o tempo presente e construir adequadamente o futuro? A tarefa de quem opera, como consagrado, nos media é aplanar a estrada para novos encontros, assegurando sempre a qualidade do contacto humano e a atenção às pessoas e às suas verdadeiras necessidades espirituais; oferecendo, às pessoas que vivem nesta nossa era “digital”, os sinais necessários para reconhecerem o Senhor; dando-lhes a oportunidade de se educarem para a expectativa e a esperança, abeirando-se da Palavra de Deus que salva e favorece o desenvolvimento humano integral. A Palavra poderá assim fazer-se ao largo no meio das numerosas encruzilhadas criadas pelo denso emaranhado das auto-estradas que sulcam o ciberespaço e afirmar o direito de cidadania de Deus em todas as épocas, a fim de que, através das novas formas de comunicação, Ele possa passar pelas ruas das cidades e deter-se no limiar das casas e dos corações, fazendo ouvir de novo a sua voz: ‘Eu estou à porta e chamo. Se alguém ouvir a minha voz e Me abrir a porta, entrarei em sua casa, cearei com ele e ele comigo” (Ap 3, 20).

Na Mensagem do ano passado para idêntica ocasião, encorajei os responsáveis pelos processos de comunicação a promoverem uma cultura que respeite a dignidade e o valor da pessoa humana. Este é um dos caminhos onde a Igreja é chamada a exercer uma “diaconia da cultura” no atual “continente digital”. Com o Evangelho nas mãos e no coração, é preciso reafirmar que é tempo também de continuar a preparar caminhos que conduzam à Palavra de Deus, não descurando uma atenção particular por quem se encontra em condição de busca, mas antes procurando mantê-la desperta como primeiro passo para a evangelização. Efetivamente, uma pastoral no mundo digital é chamada a ter em conta também aqueles que não acreditam, caíram no desânimo e cultivam no coração desejos de absoluto e de verdades não caducas, dado que os novos meios permitem entrar em contacto com crentes de todas as religiões, com não-crentes e pessoas de todas as culturas. Do mesmo modo que o profeta Isaías chegou a imaginar uma casa de oração para todos os povos (cf. Is 56,7), não se poderá porventura prever que a internet possa dar espaço – como o “pátio dos gentios” do Templo de Jerusalém – também àqueles para quem Deus é ainda um desconhecido?

O desenvolvimento das novas tecnologias e, na sua dimensão global, todo o mundo digital representam um grande recurso, tanto para a humanidade no seu todo como para o homem na singularidade do seu ser, e um estímulo para o confronto e o diálogo. Mas aquelas apresentam-se igualmente como uma grande oportunidade para os crentes. De fato nenhum caminho pode, nem deve, ser vedado a quem, em nome de Cristo ressuscitado, se empenha em tornar-se cada vez mais solidário com o homem. Por conseguinte e antes de mais nada, os novos media oferecem aos presbíteros perspectivas sempre novas e, pastoralmente, ilimitadas, que os solicitam a valorizar a dimensão universal da Igreja para uma comunhão ampla e concreta; a ser no mundo de hoje testemunhas da vida sempre nova, gerada pela escuta do Evangelho de Jesus, o Filho eterno que veio ao nosso meio para nos salvar. Mas, é preciso não esquecer que a fecundidade do ministério sacerdotal deriva primariamente de Cristo encontrado e escutado na oração, anunciado com a pregação e o testemunho da vida, conhecido, amado e celebrado nos sacramentos sobretudo da Santíssima Eucaristia e da Reconciliação.

A vós, queridos Sacerdotes, renovo o convite a que aproveiteis com sabedoria as singulares oportunidades oferecidas pela comunicação moderna. Que o Senhor vos torne apaixonados anunciadores da Boa Nova na “ágora” moderna criada pelos meios atuais de comunicação.

Com estes votos, invoco sobre vós a proteção da Mãe de Deus e do Santo Cura d’Ars e, com afeto, concedo a cada um a Bênção Apostólica.

Vaticano, 24 de Janeiro – Festa de São Francisco de Sales – de 2010.
BENEDICTUS PP. XVI

Pastoral Cibernética

Dom Orani João Tempesta

Enquanto em nosso país discute-se se todos têm o direito humano à utilização por todos dos meios de comunicação e à liberdade de informação devido a algumas tentativas de exclusão, imposições e censuras – e temos exemplos próximos de nós dessa nova maneira de conceber a democracia –, a Igreja prepara-se para celebrar mais um Dia Mundial das Comunicações. Este foi o único “dia” criado pelo documento do Concílio, que foi um dos dois primeiros a serem aprovados – o da Comunicação!

Neste Ano Sacerdotal, o Santo Padre dirige-se diretamente aos sacerdotes, mas a mensagem é válida para toda a Igreja, principalmente neste tempo de tanta comunicação.

A mensagem do Papa Bento XVI para o 44° Dia Mundial das Comunicações, a ser celebrado no domingo, dia 16 de maio, que no Brasil coincide com o Dia da Ascensão do Senhor, trata da evangelização no mundo digital. O tema para este ano, no contexto do Ano Sacerdotal, figura assim: “O sacerdote e a pastoral no mundo digital: os novos media ao serviço da Palavra”. Esta mensagem mostra intensamente a solicitude papal de pastor empenhado em prol da difusão da mensagem do Evangelho. O apelo que faz aos sacerdotes de toda a Igreja revela como o seu coração arde de amor pela causa da difusão da Boa-Nova de Jesus Cristo. Ele tem profunda consciência de que o encontro do homem de hoje com Jesus é, como sempre foi, um evento de primeira importância. Por isso, não mede esforços para promover, como pastor universal da Igreja, a amizade verdadeira com Cristo, amizade decisiva, capaz de imprimir à vida uma nova direção e um colorido novo. O ardor do coração missionário do Papa quer atingir os corações dos sacerdotes e dos fiéis de toda a Igreja. O Evangelho deve ser comunicado! A Palavra deve ser anunciada! Os sacramentos da salvação devem ser administrados! O serviço da caridade jamais pode cessar! Na verdade, a Igreja existe para Deus e para abrir aos homens acesso a Deus, promovendo a fraternidade entre os membros da família humana, que deve tornar-se, cada vez mais, família de Deus. Assim, a comunicação não pode faltar!

Bento XVI pede aos sacerdotes que lancem mão dos meios modernos de comunicação, principalmente daqueles que nos últimos anos conheceram uma larga difusão, como a internet, a fim de que a mensagem de Jesus Cristo possa difundir-se de modo eficaz no mundo contemporâneo. Os homens, que cada vez mais se valem dos novos meios de comunicação, devem ouvir, através deles, também o anúncio de Deus e do seu Filho amado, nosso Redentor. Disse o Papa com muito acerto e com a visão de um pastor que quer sempre acompanhar de perto as ovelhas que Cristo lhe confiou: “Também no mundo digital deve ficar patente que a amorosa atenção de Deus em Cristo por nós não é algo do passado nem uma teoria erudita, mas uma realidade absolutamente concreta e atual. De fato, a pastoral no mundo digital há de conseguir mostrar, aos homens do nosso tempo e à humanidade desorientada de hoje, que ‘Deus está próximo, que, em Cristo, somos todos parte uns dos outros’”. E lança a pergunta, que é um desafio para os sacerdotes: “Quem melhor do que um homem de Deus poderá desenvolver e pôr em prática, mediante as próprias competências no âmbito dos novos meios digitais, uma pastoral que torne Deus vivo e atual na realidade de hoje e apresente a sabedoria religiosa do passado como riqueza donde haurir para se viver dignamente o tempo presente e construir adequada mente o futuro?”

Muitas vezes a difusão de mentiras e calúnias são tão difundidas que parecem tornar-se verdadeiras, e nós não estamos presentes no meio digital para dar a alternativa da verdade, restaurando-a ou anunciando-a. O grande segredo de toda comunicação católica é a pessoa que está por trás do teclado, da câmera, do microfone, da direção – se tiver princípios cristãos todo o trabalho será de utilidade para a vida humana com dignidade.

A Igreja, com seus sacerdotes, deve levar a sério as palavras do Santo Padre. O êxito de sua missão evangelizadora depende, em parte, de seu empenho efetivo no campo dos modernos meios de comunicação, este vasto horizonte missionário que nos foi aberto. É certo, porém, e os sacerdotes estão conscientes disto, que o anúncio através dos novos media não substitui, de maneira alguma, o contato pessoal e a vida comunitária do Povo de Deus. Aliás, todo anúncio da fé deve reforçar concretamente os laços que nos unem a Cristo e entre nós, tornando autêntica a nossa vida comunitária, e benfazeja a nossa presença amiga entre os irmãos. Os sacramentos da nossa fé, que significam e comunicam eficazmente a graça da Redenção, só podem acontecer no âmbito bem concreto da vida comunitária da Igreja. E o serviço da caridade, do qual a Igreja jamais descuida, não pode renunciar ao contato vivo com o irmão. Desse modo, o empenho do sacerdote no anúncio do Evangelho através dos novos recursos e meios de comunicação que o mundo atual nos disponibiliza deve contribuir para promover e reforçar os laços da união dos homens com Deus e da unidade dos homens entre si.

No texto da mensagem, o Santo Padre fala da “diaconia da cultura” que a Igreja é chamada a exercer. Com efeito, a cultura é o espaço onde o homem acontece. O homem gera a cultura, mas também é gerado por ela. A cultura, assim, pode ajudar o homem a desenvolver suas ricas potencialidades, mas também pode impor-lhe graves limitações. Prestar um serviço à cultura, no sentido de torná-la mais humanizada e humanizante, é dever de todos nós. E a Igreja sabe que o autêntico humanismo não coloca Deus entre parênteses. Sem Deus nenhum humanismo é verdadeiramente tal. A cultura precisa de Deus, porque o homem tem sede de Deus. Como ser naturalmente religioso, o homem só encontra o sentido último de sua existência tendo como referência fundamental o relacionamento com Deus. Santo Agostinho, grande conhecedor da condição humana, o exprimiu através de palavras que se tornaram célebres: “Fizestes-nos, Senhor, para vós, e nosso coração estará inquieto enquanto não repousar em vós” (Confissões I, 1).

Assim, presta-se grandíssimo serviço à cultura quando a Igreja anuncia a Palavra de Deus, do Deus cheio de poder e de bondade que se manifestou em Jesus Cristo. Os sacerdotes, valendo-se da nova “ágora” dos tempos atuais, os novos media, contribuirão de modo decisivo para o incremento da cultura e o engrandecimento do homem de hoje. Até mesmo aqueles para os quais o Deus que nos fala em Jesus é ainda um desconhecido poderão ser atingidos, conforme as palavras do Papa: “Do mesmo modo que o profeta Isaías chegou a imaginar uma casa de oração para todos os povos (cf. Is 56,7), não se poderá porventura prever que a internet possa dar espaço – como o ‘pátio dos gentios’ – do Templo de Jerusalém também àqueles para quem Deus é ainda um desconhecido?” Os novos meios de comunicação constituem, na verdade, como bem disse Bento XVI, um “continente digital”, um amplo continente que está a reclamar a presença do anúncio salvífico. Avancemos para as águas mais profundas!