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Carta dos Bispos participantes do 13º Intereclesial das CEBs ao Povo de Deus

Os 72 bispos participantes do 13º Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), realizado de 7 a 11 de janeiro, em Juazeiro do Norte, diocese de Crato (CE),  enviaram uma carta ao povo de Deus, na qual demonstram sensibilidade aos “gritos dos excluídos que ecoaram” no evento. “(…) gritos de mulheres e jovens que sofrem com a violência e de tantas pessoas que sofrem as consequências  do agronegócio, do desmatamento, da construção de hidrelétricas, da mineração, das obras da copa do mundo, da seca prolongada no nordeste, do tráfico humano, do trabalho escravo, das drogas, da falta de planejamento urbano que beneficie os bairros pobres; de um atendimento digno para a saúde…”, afirmam.

Na carta, os bispos também reafirmam o “empenho e compromisso de acompanhar, formar e contribuir na vivência de uma fé comprometida com a justiça e a profecia, alimentada pela Palavra de Deus, pelos sacramentos, numa Igreja missionária toda ministerial que valoriza e promove a vocação e a missão dos cristãos leigos (as), na comunhão”.

Segue, na íntegra, o texto:

Carta dos Bispos participantes do 13º Intereclesial de Comunidades Eclesiais de Base ao Povo de Deus

Irmãs e Irmãos,

“Vós sois o sal da terra (…) Vós sois a luz do mundo” (Mt 5,13.14).

Nós, bispos participantes do 13º Intereclesial de CEBs, em número de setenta e dois, como pastores do Povo de Deus, dirigimos nossa palavra a vocês participantes das Comunidades Eclesiais de Base com seus animadores e animadoras e demais irmãs e irmãos que assumem ministérios e outras responsabilidades.

Em Juazeiro do Norte (CE), terra do Padre Cícero Romão Batista, na centenária diocese de Crato, nos encontramos com romeiros e romeiras, e com eles também nos fizemos romeiros do Reino.

Acolhemos com muita a alegria a carta que o Papa Francisco enviou ao Bispo Diocesano D. Fernando Pânico trazendo a mensagem aos participantes do 13º intereclesial das CEBs e que foi lida na celebração de abertura.

Participamos das conferências; dos testemunhos no Ginásio poli-esportivo, denominado Caldeirão Beato José Lourenço; de debates e grupos em diversas escolas (ranchos e chapéus) situadas em diversas áreas das cidades de Juazeiro e do Crato; das visitas missionárias às famílias e a algumas instituições; da celebração em memória dos profetas e mártires da fé, da vida, dos direitos humanos, da justiça, da terra e das águas realizada no Horto onde se encontra a grande estátua de Pe. Cícero comungando com a causa dos pobres: povos indígenas, quilombolas, pescadores artesanais e demais sofredores e com a causa do ecumenismo  na promoção da cultura da vida e da paz, do encontro. Tivemos também a grande alegria de participar da celebração eucarística de encerramento na Basílica de Nossa Senhora das Dores quando todos os presentes foram enviados para que no retorno às comunidades de origem possamos ser de fato sal da terra e luz do mundo.

Estamos vendo como as CEBs estando enraizadas na Palavra de Deus, aí encontram luzes  para levar adiante sua missão evangelizadora vivenciando o que nos pede a todos o lema: “Justiça e Profecia a serviço da vida”. Desse modo, cada comunidade eclesial vai sendo sal da terra e luz do mundo animando os seus participantes a darem esse mesmo testemunho.

Muito nos sensibilizaram os gritos dos excluídos que ecoaram neste 13º intereclesial: gritos de mulheres e jovens que sofrem com a violência e de tantas pessoas que sofrem as consequências  do agronegócio, do desmatamento, da construção de hidrelétricas, da mineração, das obras da copa do mundo, da seca prolongada no nordeste, do tráfico humano, do trabalho escravo, das drogas, da falta de planejamento urbano que beneficie os bairros pobres; de um atendimento digno para a saúde…

Sabemos dos muitos desafios que as comunidades enfrentam na área rural e nas áreas urbanas (centro e periferias). Nossa palavra é de esperança e de ânimo junto às comunidades eclesiais de base que, espalhadas por todo este Brasil, pelo continente latino-americano e caribenho e demais continentes representados no encontro, assumem a profecia e a luta por justiça a serviço da vida. Desejamos que sejam de modo muito claro e ainda mais forte comunidades guiadas pela Palavra de Deus, celebrantes do Mistério Pascal de Jesus Cristo, comunidades acolhedoras, missionárias, atentas e abertas aos sinais da ação do Espírito de Deus, samaritanas e solidárias.

Reconhecendo nas CEBs o jeito antigo e novo da Igreja ser, muito nos alegraram os sinais de profecia e de esperança presentes na Igreja e na sociedade, dos quais as CEBs se fazem sujeito. Que não se cansem de ser rosto da Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas e não de uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças, como nos exorta o querido Papa Francisco (cf. EG 49).

Para tanto, reafirmamos, junto às Cebs, nosso empenho e compromisso de acompanhar, formar e contribuir na vivência de uma fé comprometida com a justiça e a profecia, alimentada pela Palavra de Deus, pelos sacramentos, numa Igreja missionária toda ministerial que valoriza e promove a vocação e a missão dos cristãos leigos (as), na comunhão.

Com o coração cheio de gratidão e esperança, imploramos proteção materna da Virgem Mãe das Dores e das Alegrias.

Juazeiro do Norte, 11 de janeiro de 2014, festa do Batismo do Senhor.

Episcopado é serviço, não honra: diz o Papa Francisco

Amem os presbíteros e os diáconos, os pobres e os indefesos e velem com amor pelo rebanho inteiro. Foram algumas das exortações feitas na tarde desta quinta-feira pelo Papa Francisco durante a missa – na Basílica de São Pedro – de ordenação episcopal do presidente da Pontifícia Academia Eclesiástica, Dom Giampiero Gloder, e do núncio apostólico na República de Gana, Dom Jean-Marie Speich. O Santo Padre leu o texto da homilia ritual, prevista no Pontifical Romano para o rito da Ordenação episcopal, fazendo espontaneamente alguns acréscimos.

Papa: “Quereis pregar, com fidelidade e perseverança, o Evangelho de Cristo?”

Eleitos: “Sim, quero!”

Seguindo a antiga tradição dos santos padres, essas e outras perguntas foram dirigidas aos dois ordenandos, antes da homilia da celebração.

Os bispos, “custódios e dispensadores dos ministérios de Cristo” – disse o Papa Francisco –, são chamados a seguir o exemplo do Bom Pastor e a servir ao povo de Deus.

Como se recorda no Pontifical Romano, ao bispo “compete mais o servir do que o dominar”:

“De fato, Episcopado é o nome de um serviço, não de uma honra. Sempre em serviço, sempre a serviço.”

Após exortar a anunciar a Palavra em toda ocasião, oportuna e inoportuna – como se lê no Pontifical Romano –, o Santo Padre recordou a centralidade da oração:

“Um bispo que não reza é um bispo na metade do caminho. E se não reza ao Senhor acaba no mundanismo.”

O serviço alimentado pela Palavra – acrescentou o Pontífice – deve ser orientado pelo amor:

“Amem, amem com amor de pai e de irmão todos aqueles que Deus lhes confiou. Em primeiro lugar, amem os presbíteros e os diáconos. São seus colaboradores, são, para vocês, os mais próximos dos próximos. Jamais façam um presbítero esperar, esperar uma audiência, respondam imediatamente. Estejam próximos deles. Mas amem também os pobres, os indefesos e aqueles que precisam de acolhimento e de ajuda. Tenham grande atenção por aqueles que não pertencem ao único rebanho de Cristo, porque também estes lhes foram confiados no Senhor. Rezem muito por eles.”

Além de servir e amar, os bispos são chamados a velar “pelo rebanho inteiro”, em nome do Pai, de seu Filho Jesus Cristo e do Espírito Santo que dá vida à Igreja, concluiu o Papa Francisco. (RL)

Fonte: News. Va

Carta do Papa Francisco aos bispos da Argentina

Queridos irmãos,

Recebam estas linhas de saudações e também de desculpas por não poder participar, devido a “compromissos assumidos recentemente” (ficou bem?). Estou espiritualmente junto com vocês e peço ao Senhor que os acompanhe muito nestes dias.

Manifesto a vocês um desejo: eu gostaria que os trabalhos da assembleia tivessem como marco referencial o Documento de Aparecida e o “Rema mar adentro”. Lá estão as orientações de que nós precisamos neste momento da história. Acima de tudo, peço que vocês tenham uma especial preocupação com o crescimento da missão continental em seus dois aspectos: a missão programática e a missão paradigmática. Que toda a pastoral tenha uma perspectiva missionária.

Uma Igreja que não sai de si mesma adoece, cedo ou tarde, em meio à atmosfera pesada do seu próprio fechamento. É verdade, também, que uma Igreja que sai às ruas pode sofrer o que qualquer pessoa na rua pode sofrer: um acidente. Diante desta alternativa, quero lhes dizer francamente que prefiro mil vezes uma Igreja acidentada a uma Igreja doente. A doença típica da Igreja fechada é ser autorreferencial; olhar para si mesma, ficar encurvada sobre si mesma, como aquela mulher do Evangelho. É uma espécie de narcisismo que nos leva à mundanidade espiritual e ao clericalismo sofisticado, e, depois, nos impede de experimentar “a doce e reconfortante alegria de evangelizar”.

Desejo a todos vocês esta alegria, que tantas vezes vem unida à Cruz, mas que nos salva do ressentimento e da tristeza. Esta alegria nos ajuda a ser cada dia mais fecundos, desgastando-nos e puindo-nos no serviço ao santo povo fiel de Deus; esta alegria crescerá mais e mais à medida que levarmos a sério a conversão pastoral que a Igreja nos pede.

Obrigado por tudo o que vocês fazem e por tudo o que vão fazer. Que o Senhor nos livre de maquiar o nosso episcopado com as belas aparências da mundanidade, do dinheiro e do “clericalismo de mercado”. Nossa Senhora nos ensinará o caminho da humildade e daquele trabalho silencioso e valente que o zelo apostólico faz prosperar.

Peço, por favor, que vocês rezem por mim, para que eu não me sinta acima de ninguém e saiba escutar o que Deus quer e não o que eu quero. Rezo por vocês.

Um abraço de irmão e uma especial saudação ao povo fiel de Deus que está sob os seus cuidados. Desejo a todos vocês um santo e feliz tempo pascal.

Que Jesus os abençoe e Nossa Senhora cuide de vocês.

CNBB: 50 Assembleias

Dom Demétrio Valentini

A CNBB estará nestes dias em Assembleia. Já é tradição consolidada: celebrada a Páscoa, os bispos respiram uma semana, e na outra já partem para o local de sua assembleia.

Até pouco tempo atrás era Itaici, bairro de Indaiatuba, que acabou ficando mais famoso do que o próprio município, exatamente por sediar as Assembleias da CNBB. Agora o endereço é outro, e promete ser definitivo: o Santuário de Aparecida, que vai se confirmando cada vez mais como capital católica do Brasil. Mesmo sem todas as instalações previstas, lá se realizam agora as assembleias da CNBB.

A deste ano traz consigo uma curiosidade especial, e uma coincidência. Com a deste ano, são 50 Assembleias Gerais, realizadas pela CNBB ao longo de sua história, que começou em 1952, ano de sua fundação.

Por curiosa coincidência, se completam 50 assembleias justo quando se completam 50 anos da abertura do Concílio, ocorrida em 1962.

Como pode acontecer a mesma contagem, com datas diferentes?

A explicação é simples. Nos primeiros tempos, a CNBB se reunia de dois em dois anos. Depois passou a se reunir anualmente.

A coincidência não estava, certamente, nos planos de ninguém. Mas acabou reforçando a estreita relação existente entre a história da CNBB e o Concílio Ecumênico Vaticano Segundo.

A CNBB foi fundada dez anos antes do Concílio. E isto não foi nada irrelevante. Ao contrário, quando chegou o Concílio, os bispos do Brasil já tinham a sua “conferência episcopal”, coisa que poucos países tinham. Isto possibilitou que os bispos brasileiros contassem com a valiosa ajuda da articulação entre os episcopados, que a CNBB começou a fazer, valendo-se, sobretudo, da agilidade de Dom Helder Câmara, o seu Secretário Geral.

A CNBB foi fundada em 1952, quando, dá para dizer, nasceu e foi batizada, assumindo sua identidade própria de “conferência episcopal”. Mas foi durante o Concílio que a CNBB foi “crismada”, se consolidando como expressão prática de instituição a serviço da “colegialidade episcopal”.

Foi graças à CNBB que o local onde se hospedavam os bispos do Brasil acabou ficando ponto de referência para o aprofundamento dos temas em debate no Concílio, em vista da consolidação dos grandes consensos que depois eram expressos nas votações conciliares.

Uma das decisões práticas do Concílio foi exatamente a organização de todos os episcopados nacionais em “Conferências Episcopais”. Já teria bastado a experiência positiva do Brasil para recomendar a implantação das Conferências Episcopais em todos os países.

Das 50 assembleias já realizadas, uma das mais importantes foi sem dúvida a de 1965, quando o Concílio ainda estava em pleno andamento, e os bispos do Brasil, ainda em Roma, se deram conta que deviam se organizar para implementar as orientações do Concílio. Foi então que decidiram aprovar o primeiro “Plano de Pastoral de Conjunto”, para a aplicação do Concílio, a ser assumido por todas as dioceses.

Assim, a CNBB colaborou para a realização do Concílio. E a CNBB foi decisiva para a aplicação do Concílio na Igreja do Brasil.

Por isto, a coincidência deste ano é muito mais do que ocasional. É a feliz expressão da profunda convergência entre CNBB e Concílio Vaticano II.

A Quinquagésima Assembleia da CNBB, e os 50 anos do Concílio, têm tudo a ver com a caminha da Igreja em nosso tempo!

Mensagem da CNBB para o 1º de Maio

Neste 1º de maio, dia do trabalho, celebra-se também em Roma, um grande acontecimento: a beatificação do papa João Paulo II. Ele acompanhou de perto as grandes mudanças culturais, políticas e econômicas ocorridas no final do milênio, fazendo-se ele próprio um dos protagonistas dessas mudanças.

Neste dia do trabalhador e da trabalhadora, a CNBB, fazendo-se solidária com a classe trabalhadora brasileira, quer manifestar suas preocupações com o que vem acontecendo hoje no mundo do trabalho, consciente de que se trata de amplo debate político sobre as opções econômicos às quais o trabalho está sendo submetido.

A desregulamentação social que vem se impondo às relações trabalhistas, está atingindo de cheio a vida da classe trabalhadora. Muitas conquistas seguidamente são desrespeitadas pelo poder publico e pelas corporações econômicas nacionais e internacionas.

O sagrado direito do trabalhador ao descanso semanal ficou seriamente comprometido. Acentua-se o ritmo acelerado de execução das grandes obras de infraestrutura, com contratos coletivos de trabalho, que acabam esgotando rapidamente a capacidade do trabalhador e sua resistência física. Basta lembrar, recentemente, os problemas acontecidos nas obras das represas de Jirau e Santo Antonio, no Rio Madeira, em Porto Velho, Rondônia.

Continua a exploração do trabalho, sob formas novas e de diversas maneiras. Ainda persistem em nosso país situações de trabalho escravo, inclusive, utilizando-se de crianças e adolescentes, que o poder público procura combater com severidade.

Doutro lado, multiplicam-se milhares de iniciativas de trabalho em mutirões, visando o bem comum, em múltiplas formas de economia solidária, onde o fruto do trabalho é um bem coletivo. O trabalho humano permanece sendo um meio indispensável de sobrevivência e lugar de desenvolvimento das capacidades das pessoas, e que as habilita para o desenvolvimento da sociedade.

Essas desafiantes realidades no mundo do trabalho nos obrigam a prosseguirmos na luta pelo trabalho livre, digno, remunerado com justiça e que respeite a pessoa do trabalhador e o meio ambiente. É necessário provocar uma mobilização nacional que envolva desde as comunidades eclesiais, os movimentos sociais, os sindicatos, os órgãos de administração pública, municipal, estadual e federal, para lançar mão de todos os recursos humanos e materiais, a fim de acelerar o processo de ampliação de oportunidade de trabalho digno para todos.

O Beato João Paulo II, que tanto amou a classe trabalhadora, continue a interceder, lá no céu, pelo bem de toda a humanidade e nos ensine sempre a reconhecer no trabalho humano a realidade mais importante, fundamental e decisiva da vida em sociedade.

Brasília, 1º de maio de 2011

Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana
Presidente da CNBB

Dom Luiz Soares Vieira
Arcebispo de Manaus
Vice-Presidente da CNBB

Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário-Geral da CNBB

Assembleia da CNBB começa dia 4 em Aparecida

Começa, na próxima quarta-feira, 4, em Aparecida (SP), a 49ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Esta será a terceira vez que a CNBB faz sua Assembleia em Aparecida. As duas anteriores aconteceram em 1954 e 1967, respectivamente, 2ª e 8ª Assembleias.

Dois temas marcarão, de forma especial, a assembleia deste ano: as eleições e as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Serão eleitos, para um mandato de quatro anos, o presidente, vice-presidente e secretário geral.

Além destes, os bispos elegerão, também para um mandato de quatro anos, os presidentes das Comissões Episcopais Pastorais, que atualmente são dez. Estes presidentes de Comissões com os três membros da Presidência formam o Conselho Episcopal Pastoral da CNBB (Consep).

O texto das novas Diretrizes, que também têm duração de um quadriênio, foi elaborado por uma Comissão de bispos, presidida pelo arcebispo de São Luís (MA), dom José Belisário da Silva, e assessorada por peritos. A base do texto são as atuais Diretrizes, aprovadas em 2008 incorporando o conteúdo do documento final da V Conferência do Episcopado da América Latina e Caribe, realizada em 2007, em Aparecida (SP), e outros documentos da Igreja publicados desde então, como a recente Exortação Apostólica Pós-Sinodal “Verbum Domini” do Papa Bento XVI.

Outros temas estarão na pauta dos bispos como as Diretrizes para o Diaconato Permanente, assuntos de liturgia, assuntos da Comissão Pastoral para a Doutrina da Fé, situação dos povos indígenas, análise da conjuntura eclesial e social, assuntos de Comunicação, Jornada Mundial da Juventude, 5ª Semana Social Brasileira.

A Igreja no Brasil tem 456 bispos, sendo 301 na ativa e 155 eméritos. Estão inscritos para a Assembleia 336 (296 da ativa e 40 eméritos). Outras 119 pessoas participam da Assembleia como assessores, peritos, convidados, colaboradores, prestadores de serviço, totalizando 455 pessoas.

Programação

Os trabalhos começarão todos os dias com a missa às 7h30, no Santuário Nacional de Aparecida, com transmissão pelas TVs e rádios de inspiração católica. No domingo, 8, a missa será ao meio dia. As demais atividades ocorrerão no Centro de Eventos Pe. Vitor Coelho, no pátio do Santuário. Serão duas sessões de trabalho pela manhã, começando às 9h15, e duas à tarde, começando com a oração às 15h30 e terminando às 19h30.

No sábado, 7, só há trabalho pela manhã porque à tarde tem início o retiro espiritual dos bispos, que será orientado pelo prefeito da Congregação para os Bispos, cardeal Marc Ouellet. O retiro termina no domingo com a missa ao meio dia no Santuário.

Todos os dias (exceto sábado e domingo), às 15h, haverá Coletiva de Imprensa, na Sala de Imprensa da Assembleia. Serão designados três bispos para atender à imprensa. A coletiva será coordenada pelo porta-voz da Assembleia, dom Orani João Tempesta, Arcebispo do Rio de Janeiro e presidente da Comissão Episcopal para a Educação, Cultura e Comunicação da CNBB.

Expectativas para a 47ª Assembleia da CNBB

Expectativas de dom Dimas para a 47ª Assembleia Geral da CNBB
Em entrevista à Assessoria de Imprensa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o secretário-geral, dom Dimas Lara Barbosa, falou sobre suas expectativas para a 47ª Assembleia Geral dos Bispos que começa nesta quarta-feira, 22. Confira, nas palavras de dom Dimas, o que vai acontecer de mais importante durante os dez dias de Assembleia que envolverá 330 bispos, além de 36 assessores, 19 funcionários, 17 secretários regionais, entre outros.

Qual a expectativa para essa 47ª Assembleia Geral da CNBB?

Dom Dimas – Estamos com a pauta bastante ampla e apertada, o que significa que a nossa Igreja é muito dinâmica. Isso para quem está organizando o evento é muito atípico, porque a Assembleia não pode ser muito pesada e ao mesmo tempo tem que ser eficiente. Os temas são de tal importância que vale qualquer sacrifício que isso possa exigir de nós bispos e assessores. Basta lembrar o tema central quando nós não apenas aprovaremos as novas “Diretrizes da Formação Presbiteral”, como também discutiremos as implicações dessa formação numa perspectiva mais ampla. Debateremos ainda os temas prioritários: “O Brasil na Missão Continental” e “Iniciação à Vida Cristã”. São temas de grande atualidade que vêm responder, de maneira muito concreta, aos desafios propostos no Documento de Aparecida (DAp), cuja proposta é que passemos a ser discipulos e missionários e que, a partir de uma experiência com Cristo, nos tornemos também missionários na situação concreta para a qual o Senhor nos envia. Devemos discutir também temas relacionados com a Amazônia, como é o caso de um instituto de formação missionária para essa região. Outros temas que também fazem parte do dia a dia da Igreja vão nos ocupar bastante. A expectativa, portanto, é boa. Aliás, estou ansioso para colher os resultados dessa Assembleia, uma vez que incidirá diretamente nos rumos da Igreja no Brasil nos próximos anos.

O que mais chama a atenção no estudo da formação dos padres?

Dom Dimas – A formação é um processo. Há vários anos na CNBB se vem discutindo que é importante ter presentes não apenas algumas regrinhas a serem observadas [na formação dos padres], mas todo o processo formativo em todas as suas dimensões, que devem ser apreendidos no todo. A formação não é só intelectual, ministrada nos cursos de filosofia e teologia, ou mesmo no propedêutico [curso que antecede o estudo da filosofia], mas inclui a formação espiritual, humano-afetiva, pastoral [formação para a vida em comunidade], e um aprofundamento da experiência da vida de fé, ou seja, o próprio candidato ao ministério ordenado deve experienciar a mistagogia, que faz parte da tradição da Igreja: ser introduzido na vivência do mistério pascal de Cristo.

Quais os maiores desafios da formação sacerdotal na atualidade?

Dom Dimas – Primeiro precisamos ter em mente que tipos de padres queremos ter, para que tipo de Igreja. Padres – como todos os missionários, leigos e leigas, agentes de pastoral – são chamados para anunciar o Evangelho num meio específico. Numa cultura e num tempo que também são singulares. Por isso é muito importante que se contemple durante esta Assembleia a formação permanente daqueles que já são ministros ordenados. Os grandes desafios da formação são aqueles próprios do nosso tempo. Os seminaristas não são jovens de outro mundo, são jovens provenientes das famílias que nós temos com todas as crises a que estão submetidas em nossa sociedade. Eles vêm de um mundo pluricultural, globalizado, individualista, violento, marcado pela desvalorização da dignidade da pessoa humana, pelas tecnologias da informação, pela internet. Esses são os jovens que vêm para nossos seminários, muitos deles, inclusive, provenientes de famílias desestruturadas, com uma formação escolar, muitas vezes precária, como costuma acontecer em tantas das nossas escolas. Muitos chegam semialfabetizados, por causa da má qualidade das escolas que frequentaram. Então, o jovem seminarista não é, repito, alguém de outro mundo, pelo contrário, é um jovem comum, das nossas sociedades, que precisa ter na formação respostas para conseguir identificar o caminho, o processo formativo que o leve a amadurecer a própria opção vocacional, a experiência de Deus e do serviço aos irmãos.

A Assembleia da CNBB é uma das poucas oportunidades de todos os bispos do Brasil se encontrarem. Como o senhor vê esse encontro olhando na perspectiva de unidade e fraternidade da Igreja?

Fundamental. A necessidade de, em primeiro lugar, planejar a pastoral foi apontada pelo então papa João XXIII antes mesmo de já existir essa prática. A prática do planejamento pastoral é relativamente recente na história da Igreja no Brasil. Depois a complexidade da nossa sociedade é cada vez mais crescente e desafiadora, a tal ponto que nenhum bispo, por mais dotado que seja, pode dar conta dela toda. Hoje você não encontra nenhum filósofo, sociólogo ou analista que queira dar conta da realidade como um todo. A experiência do planejamento conjunto é fundamental, mais ainda a experiência da colegialidade que faz parte de um colégio episcopal em comunhão com o sucessor de Pedro. Essa experiência de colegialidade a gente exprime de várias formas, nas assembleias dos regionais ou províncias eclesiásticas, mas de uma maneira mais plena, na Assembleia Geral. São, portanto, momentos preciosos e, mesmo que um dia descobríssemos formas tecnológicas para substituí-los, como por exemplo as video-conferências, que nós queremos aproveitar em breve para uso dos bispos por meio da CNBB, ressalto: nenhuma tecnologia substitui a beleza e o específico de um encontro pessoal de uma Assembleia. É ali que o colégio dos bispos fala, se manifesta e exerce de maneira colegiada o seu ônus de pastor.

Quais dificuldades para se organizar uma Assembleia Geral que envolve mais de 300 bispos, além de assessores, peritos, funcionários e colaboradores?

Dom Dimas – Nós já temos uma larga experiência na realização de Assembleias gerais. Essa experiência acumulada permite uma revisão de modo que os erros cometidos numa Assembleia podem ser corrigidos na próxima. Nesse sentido, a Assembleia tem um ritmo próprio que proporciona a repetição do evento ano após ano com um aprimoramento crescente. Agora, evidentemente, você manter 400 ou 500 pessoas, entre bispos, assessores, peritos, funcionários e convidados, representantes de organismos, secretários de regionais durante dez dias, em plena atividade, de maneira dinâmica, leve, gostosa e produtiva, isso exige de quem organiza a Assembleia muita criatividade, muito empenho e bastante preocupação.

Esta assembleia vai homenagear Dom Helder no centenário de seu nascimento. O que dom Helder Câmara, fundador da CNBB, representa para a Igreja? O que os bispos recordarão ao celebrar o seu centenário de nascimento?

Dom Dimas – Dom Helder, sem dúvida, é um dos pastores que a Igreja pode ostentar diante do mundo como alguém cuja vida foi marcada por um profetismo muitas vezes itinerante, até por conta da censura a que ele foi submetido. Dom Helder chegou a ser conhecido mais no exterior do que no Brasil, por conta do bloqueio da imprensa. Sem dúvida, ele é o modelo de um grande pastor, um poeta, místico, alguém que viveu a sua opção pelos pobres de uma maneira muito coerente, pela própria exigência da situação muito radical em que viveu. Uma pessoa que é apresentada como modelo para os bispos do Brasil de hoje e de amanhã.

O Ano Catequético Nacional merecerá uma celebração no dia 24, durante a Assembleia. Em que o Ano Catequético contribuirá para o crescimento da fé do povo brasileiro?

Dom Dimas – Mais do que a celebração do dia 24, a celebração do Ano Catequético vai servir para levar a todos a consciência da necessidade de se colocar no caminho do discipulado. Trata-se do próprio processo mistagógico que nós queremos apresentar aos batizados e, ao mesmo tempo, celebrar e viver.

Dom Helder Câmara está vivo em Itaici

Os corredores do mosteiro da Vila Kostka, em Itaici, município de Indaiatuba (SP) falam por si só. A casa dos jesuítas, sede da 47ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), lembra, em frases e fotografias presentes em 39 banners o centenário de nascimento do arcebispo de Olinda e Recife (PE).

Frases como: “Irmão dos pobres – meu irmão”; “A miséria é uma ofensa ao criador e pai”; “Ajudar a criar um mundo mais humano é um dos sonhos da minha vida”, de autoria do bispo dos pobres, foi a forma que a Conferência encontrou para celebrar os cem anos de nascimento do Dom.

Além dos painéis, um dos momentos mais solenes desta Assembleia será a sessão plenária em homenagem ao centenário de nascimento do bispo falecido em 1999.

O secretário-geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa, ao dirigir palavras sobre o Dom, afirma tratar-se de um “pastor que a Igreja ostenta diante do mundo marcado pelo profetismo itinerante”, em virtude da situação de censura à qual foi submetido.

Ainda segundo o secretário, dom Helder é modelo para os bispos de hoje e de amanhã. “Ele é um modelo a ser seguido. Um pastor, místico, poeta, alguém que viveu a sua opção pelos pobres de uma maneira muito coerente e singular”.

Sínodos e Concílio

Dom Demétrio Valentini *

Neste domingo começa em Roma mais um sínodo. É a décima segunda assembléia geral do sínodo, desde que esta instância da Igreja foi instituída pelo Papa Paulo VI, no final do Concílio Ecumênico Vaticano Segundo, no ano de 1965.

Para compreender sua finalidade e seu alcance, o sínodo precisa ser colocado em referência ao Concílio. Pois na verdade ele foi instituído por Paulo VI em vista do término do Concílio Vaticano II, com a intenção de continuar o processo conciliar. O concílio estava terminando, e Paulo VI queria dotar a Igreja de um instrumento ágil, que permitisse retomar o clima conciliar sem alterar a normalidade da Igreja. Esta a intenção de Paulo VI.

Os estatutos que configuraram esta iniciativa permanecem os mesmos, na sua essência, desde o primeiro sínodo realizado em 1967, pouco tempo depois de concluído o Concílio. Fundamentalmente, a assembléia sinodal é composta por representantes eleitos pelas Conferências Episcopais, podendo o Papa acrescentar outros, através de convites pessoais feitos a bispos ou a peritos.

Para se ter uma idéia, a CNBB tem uma quota de quatro representantes a serem eleitos, dentro de um universo de quatrocentos bispos brasileiros, pois para o sínodo podem também ser eleitos os bispos eméritos. Nestes casos, a representação das grandes conferências fica prejudicada. A Conferência episcopal do Uruguai, por exemplo, com menos de dez dioceses, tem um representante garantido no Sínodo.

Mas o que mais importa num sínodo nem é a representação proporcional dos seus membros. Ele pretende desencadear um processo participativo que envolva toda a Igreja em torno de um assunto relevante. Desta vez, por exemplo, a incidência da Sagrada Escritura na vida da Igreja, a partir do documento conciliar sobre o mesmo assunto.

Os sínodos têm a ver com a dinâmica conciliar. A Igreja precisa, permanentemente, ir conferindo sua caminhada ao longo da história, a partir dos diferentes lugares onde ela procura cumprir a missão recebida de Cristo. E para isto ela necessita partilhar a diversidade de vivências, que contribuem para perceber melhor as respostas que o Espírito lhe sugere. Se para captar “o que o Espírito quer dizer às Igrejas”, na expressão do Apocalipse, ela se limita a um lugar só, a Igreja acaba empobrecendo suas referências, não dando conta da riqueza do Evangelho, capaz de suscitar respostas adequadas a cada situação diferente que a Igreja vai vivendo.

Foi o que motivou Paulo VI a instituir a atual forma de representação episcopal, concretizada nos sínodos que foram se realizando a partir do último concílio. Ele queria contar, no governo da Igreja, com a ajuda mais direta e mais diversificada do episcopado mundial. Portanto, sínodos para ajudar o Papa a governar a Igreja.

Aí mora o limite maior da atual fórmula de sínodos. Eles não deliberam. Eles só apresentam sugestões ao Papa, em forma de “proposições”, entregues ao Papa no final de cada sínodo, junto com a escolha, por voto secreto, de um “conselho pós-sinodal”, para ajudar a discernir as proposições e transformá-las num documento com gênero literário próprio, identificado como “exortação pós-sinodal”.

Foram muitas as vozes que sugeriram dar mais consistência aos sínodos, conferindo-lhes a incumbência de tomar decisões estratégicas, junto com o Papa, no momento em que se realiza a assembléia sinodal. Com certeza, os sínodos passariam a ter uma incidência muito maior na Igreja, e desencadeariam um processo participativo muito mais intenso. Eles teriam a missão de captar, de maneira viva e atual, as demandas trazidas pelos representantes eleitos pelas Conferências Episcopais, traduzindo estas demandas em compromissos a serem assumidos por todas as Igrejas, como procurou fazer Aparecida.

O processo conciliar faz parte da dinâmica da Igreja. Ele precisa acontecer em cada Igreja local. Quanto mais ele for acionado, mais a Igreja poderá dar conta dos apelos que a realidade lhe apresenta.

* Bispo de Jales, São Paulo.