Conferência de Aparecida

O papa Francisco vai reformar a Igreja?

Cardeal Odilo Pedro Scherer*

Muito se tem falado e escrito sobre a reforma da Igreja promovida pelo papa Francisco. Fala-se até mesmo que ele estaria escrevendo uma “nova Constituição” da Igreja. Como entender a reforma da Igreja promovida pelo Papa?

Reforma e renovação fazem parte da dinâmica da vida da Igreja. Embora dotada de uma missão sobrenatural e de dons divinos, ela é uma realidade humana e, como todas as organizações humanas, também ela precisa renovar-se para acompanhar melhor as circunstâncias históricas e sociais em que está inserida.

A Igreja crê ser orientada, não apenas por projetos humanos, mas pelo Espírito de Deus, que “renova a face da terra” e também da Igreja. Nesse sentido, o Concílio Vaticano II já afirmava, há 50 anos, que ela é uma realidade “semper reformanda”: precisa reformar-se constantemente. Esta renovação, porém, precisa ser entendida como tensão a uma fidelidade constante e sempre maior à própria razão de ser e de existir. Ela se reforma para ser mais ela mesma (cf. Unitatis redintegratio, 6).

O conceito de reforma pode causar desconfiança e até resistência, quando não for bem entendido. Há o temor de que a busca de reforma signifique trama contra o passado ou até mesmo infidelidade ou traição a ele. Pode haver também a identificação pura e simples de reforma com movimentos de ruptura com a Igreja; nesse sentido, lembra-se logo da Reforma protestante, de Lutero e Calvino, no século XVI. De qual reforma está se tratando nas atuais circunstâncias da vida da Igreja?

Ao longo da história da Igreja, muitas foram as reformas na Igreja; e, quando elas foram levadas a sério, a Igreja saiu rejuvenescida e revitalizada. Grandes momentos de renovação foram, por exemplo, a reforma gregoriana, promovida por Gregório VII, no século 11, a reforma tridentina, após o Concílio de Trento, no século XVI, e a reforma desencadeada pelo Concílio Vaticano II.

É justamente ao espírito desse Concílio que o papa Francisco está se refazendo, no seu intuito de renovação da Igreja. Ele tem sinalizado que Vaticano II mostra o rumo que deve ser seguido pela Igreja, como já haviam feito seus predecessores. Meio século após a celebração do Concílio, ainda há muito que se fazer para colocar em prática as grandes intuições e propostas daquela assembleia, de importância extraordinária para a vida e a missão da Igreja.

O papa Francisco está, evidentemente, promovendo uma reforma na Cúria Romana. Trata-se do organismo de assessoria do Papa e de colaboração com ele no exercício de sua própria missão diante de toda a Igreja Católica. Nesse sentido, não deveria haver motivo de susto ou estranheza; a Cúria precisa ser adequada de tempos em tempos, para continuar a prestar bem o seu serviço ao Papa e à Igreja. Porém, a “Constituição”, que está sendo reformada, não é a da Igreja, mas apenas da Cúria Romana, com o conjunto das normas que a regem. O Papa não vai mudar os Dez Mandamentos, nem reescrever o Evangelho.

No entanto, mudar a Cúria Romana, por quanto necessário, ainda não significa necessariamente reformar Igreja. Isso requer bem mais do que adequar algum organismo ou estrutura de serviço. Aqui é preciso retomar a compreensão da própria Igreja, que é a comunidade de todos aqueles que tomam parte nela, em todo o mundo. Ainda em sua recente visita em Assisi, no dia 4 de outubro, o Papa destacava que a Igreja não é formada apenas por bispos, padres e freiras, mas por todos os batizados.

Justamente nessa ocasião, na terra de São Francisco, o Francisco de Roma apontava para uma das questões centrais para a reforma da Igreja: a fidelidade a Jesus Cristo, ao seu Evangelho e à missão recebida dele. Para tanto, ela precisa estar sempre atenta para não perder a sua própria identidade e a sua inequívoca referência a Jesus Cristo crucificado e ressuscitado. Logo no dia seguinte à sua eleição, ele dizia aos cardeais, com os quais celebrou a Missa na Capela Sistina: se a Igreja perdesse essa referência a Jesus Cristo, ela se tornaria uma ONG piedosa e já não seria mais a Igreja de Jesus Cristo…

A Igreja precisa de uma reforma interior, nas convicções e posturas; isso identifica-se com o conceito teológico de conversão. Se a Igreja precisa mudar constantemente, para ser mais igual a si mesma, ela também precisa de constante conversão, para ser fiel a si mesma. Na Conferência de Aparecida, aberta em 2007 por Bento XVI, já se apontava para a necessidade da conversão pastoral e missionária.

O papa Francisco tem falado com insistência dessa “reforma” interior, ao dirigir-se aos diversos setores da vida da Igreja. Exortou os jovens, reunidos em Copacabana, a manterem firme a esperança, a serem fiéis a Jesus Cristo e a não terem medo de ir contra a corrente; em Assisi, há poucos dias, falando da vida humilde e simples de São Francisco, alertou para o “mundanismo” e as vaidades, que podem tomar conta da vida dos cristãos, também dos eclesiásticos…

Da mesma forma, ele indica com insistência aos gestores de organizações administrativas da Igreja o caminho da retidão, da honestidade e da justiça no cuidado dos bens necessários à realização da missão da Igreja. Aos que desempenham cargos de responsabilidade, lembra que a autoridade deve ser exercida como um serviço ao próximo. E recorda a todos o valor profundo de cada pessoa e o respeito por toda vida humana, ainda mais, quando exposta a fragilidades e riscos.

Chamando a Igreja à vida coerente com o exemplo e os ensinamentos de Jesus Cristo, ele aponta para as reformas mais lentas e difíceis; e essas não são feitas por decreto, nem dependem apenas do papa Francisco…

*Arcebispo de São Paulo
@DomOdiloScherer

Igreja do Brasil prepara 5ª Semana Social

As Pastorais Sociais e Organismos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realizam, desde o início dos anos 90, as Semanas Sociais Brasileiras. Esses eventos contaram com a participação dos mais diversos agentes das Igrejas e da sociedade organizada em todo o Brasil. Este ano, a CNBB, por meio da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, Justiça e da Paz, propõe a realização da 5ª Semana Social Brasileira com o tema “A participação da Sociedade no Processo de Democratização do Estado – Estado para quê e para quem”.

Segundo os organizadores da Semana, o objetivo é mobilizar as comunidades eclesiais, os movimentos, as pastorais, os organismos e as forças sociais para refletir sobre as estruturas sociais, políticas e econômicas do Brasil e participar do processo de sua democratização, promovendo a inclusão dos pobres e excluídos na construção de um país justo, democrático, solidário e sustentável.

Mais informações no vídeo Semanas Sociais Brasileiras:

httpv://www.youtube.com/watch?v=aMTlibg99-0

Sábado tem reunião sobre a “Carta Pastoral” de D. Odilo

A comunidade São Miguel Arcanjo reúne-se no sábado, 4 de junho, a partir das 15h na igreja para debater e responder as questões da “Carta Pastoral” de  D. Odilo Pedro Scherer, cardeal arcebispo de São Paulo. O documento propõe uma reflexão sobre a paróquia, “comunidade das comunidades”: como ela está? Conhecemos bem a realidade dela? Nossa paróquia é animada por verdadeiro ardor missionário?

Para ler a Carta na íntegra, clique aqui.

 

José Comblin: Bruxelas, 22/03/1923, Bahia, 27/03/2011

José Oscar Beozzo

É com tristeza que comunico a vocês que, na manhã de hoje, domingo, dia 27 de março, depois de completar 88 anos, nesta semana, faleceu no interior da Bahia, onde estava assessorando grupos de base, o amigo e mestre de todos nós, José Comblin.

Levantou-se cedo, tomou banho, aprontou-se, mas não apareceu para a oração da manhã. Procuram-no e o encontraram-no sentado no quarto e já morto.

Rezemos por ele que dedicou praticamente toda sua vida ao povo e à Igreja da América Latina, no Brasil, no Chile e no Equador e em centenas de assessorias por todos os países. Ele veio para o Brasil em 1958, junto com o Pe. Michel Schooyans e o Pe. Laga, todos doutores por Lovaina, mas que foram dar aulas no seminário menor, para onde os mandou o Bispo Paulo de Tarso!

Esteve conosco antes da Conferência de Aparecida, analizando a situação e dando- nos todo apoio, para as iniciativas do Fórum.

Perdemos um mestre e um guia inquieto e exigente como os velhos profetas, denunciando sempre nossas incoerências na fidelidade aos preferidos de Deus: o pobre, o órfão, a viúva, o estrangeiro. Trabalhou por uma Igreja profética a serviço destes últimos nas nossas sociedades.

Que ele siga nos inspirando e acompanhando.

Sentiremos e muita sua falta.

Um abraço fraterno para todos vocês. Rezemos pelo Comblin, sua família e as igrejas e comunidades que o acolheram, em especial, Talca de Dom Larrain, no Chile, Dom Proaño em Riobamba, no Equador e, no Brasil, Recife do Dom Helder, Paraíba do Dom José Maria Pires e agora Dom Cappio, em Barra, no sertão da Bahia, onde estava residindo.

Foto de arquivo do O Arcanjo no Ar – na Casa de Oração do Povo da Rua – lançamento do livro A Profecia na Igreja,  do Padre Comblin – març/2009.

Mensagem da CNBB para o Dia do Trabalho – 1º de Maio

“Por meio do seu trabalho o ser humano se une e serve os seus irmãos, pode exercitar uma caridade autêntica e colaborar no acabamento da criação divina” (Concílio Vaticano II, GS 67,2).

Ao celebrar o Dia do Trabalhador e da Trabalhadora, a CNBB reafirma seu compromisso de colaborar na construção de uma sociedade politicamente democrática, economicamente justa, ecologicamente sustentável e culturalmente plural. Afirmam os bispos na Conferência de Aparecida: “Com sua voz, a Igreja unida à de outras instituições nacionais e mundiais, tem ajudado a dar orientações prudentes e a promover a justiça, os direitos humanos e a reconciliação dos povos” (Documento de Aparecida, 98).

A Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2010 denunciou os desvios decorrentes de um modelo econômico voltado para o lucro e para o acúmulo de bens, sem considerar o valor da pessoa humana e sem estar a serviço do bem comum. Entre os desvios encontra-se a prioridade do capital sobre a pessoa humana e, em decorrência disso, do trabalho.

No Brasil e em outros países, o mundo do trabalho continua dividido em categorias: a dos integrados, em número reduzido, com bons salários e vínculo aos círculos mundiais da produção; os semi-integrados, trabalhadores em situação de risco, aqueles que trabalham precariamente e de forma intermitente; e os excluídos, trabalhadores que estão fora da sociedade salarial ou dos vínculos de proteção dos direitos sociais, os desempregados, sub-empregados. Há que se lembrar também dos aposentados e aposentadas, nem sempre reconhecidos pelo bem que fizeram e ainda podem fazer pelo País, e convivendo, tantas vezes, com graves perdas salariais. O direito de todos ao trabalho e a inclusão universal na rede de proteção social tornam-se objetivos obrigatórios para todos os que buscam construir uma sociedade justa e solidária.

Em sua saudação neste 1º de maio, a CNBB faz ressoar as aspirações dos trabalhadores e trabalhadoras pelo reconhecimento de seus direitos, e expressa seu apoio em favor da consolidação e ampliação dos direitos trabalhistas em nosso país. Entre esses direitos, destacamos, sobretudo, o combate ao trabalho escravo pela aprovação da PEC 438/0; a reforma agrária e o limite da propriedade da terra; o incentivo à agricultura familiar e camponesa nos contornos de cada bioma brasileiro; a diminuição da jornada de trabalho sem redução de salários; a ampliação dos fundos solidários e a construção do marco da economia solidária; a implementação de uma política de emprego para a juventude; a correção das perdas nas aposentadorias e a indexação justa de seus benefícios; a universalização da proteção social previdenciária para todo o mundo do trabalho, de sorte que o Brasil possa incluir totalmente a força de trabalho no seguro social.

A CNBB convida todos os trabalhadores e trabalhadoras, que participam da obra criadora de Deus pela dignidade de seu trabalho, a manterem viva a fé em Jesus Cristo, na busca de relações justas e solidárias no mundo do trabalho e no conjunto da sociedade brasileira.

Que Nossa Senhora Aparecida e São José Operário acompanhem todas as pessoas que, pelo seu trabalho, constroem condições dignas para sua família, buscam o bem comum e protegem a vida em nosso Planeta.

Brasília, 01 de maio de 2010

Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana
Presidente da CNBB

Dom Luiz Soares Vieira
Arcebispo de Manaus
Vice-Presidente da CNBB

Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário Geral da CNBB

CNBB em Brasília

Dom Demétrio Valentini

Desta vez a assembleia anual da CNBB se realiza em Brasília. O costume era outro. Durante trinta anos, o mosteiro de Itaici acolheu as assembleias. A tal ponto que o bairro de Indaiatuba, que leva este nome, acabou ficando mais conhecido do que a própria cidade, cujo prefeito cada ano comparecia na abertura da assembleia, e pedia aos bispos que, por favor, se lembrassem que Itaici é um bairro de Indaiatuba, no Estado de S. Paulo.

Desta vez a realização da assembleia em Brasília é uma clara deferência da CNBB para honrar a capital do país, que acaba de completar 50 anos de sua inauguração. No mesmo sentido, o 16º Congresso Eucarístico Nacional, cuja data se emenda à da assembleia, reforça a homenagem que a Igreja quer prestar a Brasília.

Na verdade, a intenção é mais ampla. Realizando neste ano na capital do país sua assembleia, e aí celebrando o Congresso Eucarístico, a Igreja quer ressaltar os muitos motivos que ela tem para sentir-se vinculada à história do país, com o qual se identifica de tantas maneiras.

Como de costume, a pauta da assembleia é sempre muito carregada. Os assuntos vão sendo recolhidos ao longo do ano. E precisam receber o tratamento de acordo com sua importância. Por isto, engana-se quem pensa que a assembleia vai se limitar ao cardápio proporcionado pelos assuntos na ordem do dia da imprensa. Se necessário, estes também podem receber o tratamento adequado, sobretudo na análise de conjunta que a assembleia sempre faz. Mas não é a imprensa que pauta a assembleia. Ela não vai sacrificar suas prioridades para tratar, por exemplo, do assunto da pedofilia.

Basta conferir seu tema central, e os temas que a assembleia caracteriza como prioritários, para dar-nos conta da intensidade dos trabalhos.

O tema central tem uma formulação que talvez dificulte a percepção de sua abrangência por parte de quem não está acostumado aos últimos acontecimentos e às recentes orientações pastorais da Igreja: “Discípulos e servidores da Palavra de Deus e a Missão da Igreja no mundo”.

Acontece que recentemente a Igreja fez um sínodo sobre a Palavra de Deus. A CNBB se mostra pronta a inserir as reflexões do Sínodo no cotidiano de sua vida. A referência aos “discípulos” e à “missão” é para dizer que a CNBB continua mantendo as duas dimensões fundamentais que a Conferência de Aparecida expressou em forma de “discípulos e missionários de Jesus Cristo”. Esta a intenção do tema central.

Como temas “prioritários”: as Comunidades Eclesiais de Base, os cem anos do movimento ecumênico, a avaliação das Diretrizes Pastorais, a questão agrária neste início de século 21.

Não podem faltar os diversos temas “estatutários”, como o relatório da Presidência e das diversas Comissões Episcopais, através das quais se estrutura o trabalho da CNBB. Será proposta uma declaração sobre a situação política que o país vive neste ano.

Portanto, um punhado de assuntos que exigem trabalho, que é realizado com sessões pela manhã, pela tarde e sempre que necessário à noite também.

Com isto, a CNBB acaba fazendo, sem o dizer explicitamente, um sério questionamento à burocracia estatal, especialmente ao Congresso Nacional. A CNBB se reúne dez dias por ano, e trata de tomar as decisões que se fazem necessárias. Depois, cada bispo retorna para suas dioceses e leva adiante sua missão, afinado com as orientações da assembleia. Não estaria aí uma boa sugestão para o Congresso Nacional? Por que não faz como a CNBB? Bastariam alguns períodos intensos de trabalho por ano em Brasília, onde seriam tomadas as decisões já amadurecidas junto ao povo nas bases. A continuidade dos trabalhos poderia ser garantida, como na CNBB, por uma Comissão Central que mantém expediente contínuo em Brasília, e se reúne mensalmente para municiar a continuidade dos trabalhos nas bases. Ainda mais com os recursos que hoje a informática nos oferece, os deputados e senadores poderiam se manter cotidianamente informados, com a vantagem de continuarem próximos à realidade do povo, o que sempre é salutar para quem precisa lidar com as esferas da burocracia.

Mesmo que não o diga explicitamente, a CNBB reunida em Brasília está clamando por uma radical e profunda reforma nas estruturas políticas, a começar por mudanças substanciais na organização do Congresso Nacional. Para que ele deixe de desperdiçar tantos recursos a serviço de sua inoperância escandalosa.

América Latina: Quo Vadis?

Dom Demétrio Valentini

Esta pergunta, que a ficção histórica criou para Cristo interpelar Pedro, quando este queria fugir de Roma, com medo de enfrentar o monstro imperial, pode ser repetida agora para a América Latina, em especial, para a Igreja Católica em nosso continente.

Para onde vai a América Latina? Para onde vai a Igreja latinoamericana?

A Diocese de Jales tem motivos especiais para se identificar com a caminhada da Igreja da América Latina. Suas próprias coordenadas geográficas a situam no marco zero do Rio Paraná, cujas águas vão dar no Estuário da Prata, irmanando países do Mercosul, e sinalizando com clareza o mapa deste continente privilegiado de águas e de riquezas de biodiversidade.

Mas sobretudo o fato da Diocese ter sido criada no dia 12 de dezembro de 1959, dedicado à Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira da América Latina, lhe deu desde o início esta conotação latino americana. Agora a Diocese está se aproximando do jubileu de ouro de sua criação. Ela procura ler em suas datas históricas o enigma de sua vocação, com claros traços de sua vinculação com a América Latina.

Na recente Conferência Episcopal, realizada em Aparecida, de âmbito latinoamericano, os bispos vincularam os destinos da Igreja à causa da vida dos seus povos. O seu tema estabelecia com clareza o objetivo resultante da identidade e da missão dos cristãos, como discípulos e missionários de Jesus Cristo, “para que nele nossos povos tenham vida”

Portanto, a Igreja quer se pensar não a partir de si própria, ou em torno de interesses corporativos, mas em torno das causas vitais dos povos latinoamericanos.

Na verdade, o atestado histórico mais válido que a Igreja pode ostentar em nosso continente, é o de ter trilhado o caminho do povo, mesmo que nem sempre tenha acertado o passo com suas verdadeiras causas.

Os países da América Latina têm traços muito semelhantes, que lhe desenham o seu perfil histórico. É uma histórica complexa, marcada sobretudo pelo processo de colonização, que atropelou povos indígenas e populações escravas trazidas da África.

Recentemente, a América Latina foi perpassada por um eletrizante circuito de consciência histórica, conferido pelo despertar da Igreja Católica Latinoamericana, por ocasião do desencadear do processo de renovação eclesial suscitado pelo Concílio Vaticano Segundo.

Foi o único continente que abraçou, coletivamente, a causa da renovação conciliar, graças à providencial criação do CELAM, em 1955, às vésperas do Concílio, o que lhe possibilitou posicionar-se coletivamente, de maneira articulada, face às propostas conciliares, sobretudo pela Conferência Episcopal de Medellín, em 1968.

Foi assim que a Igreja da América Latina se constituiu num sujeito histórico, em condições de agir coletivamente, e determinar mudanças e avanços significativos, fruto deste singular momento de intensa identidade, coincidindo com os ventos favoráveis da renovação conciliar.

Mas não demorou que os ventos mudassem de direção, partindo até de dentro da realidade latino americana, com a manifestação de resistências diante do processo conciliar.

A Conferência de Aparecida teve o melhor de sua intuição na retomada da identidade própria da Igreja Latino Americana. Neste sentido, ela retoma a inspiração de Medellín.

A interrogação que permanece se refere à consistência desta retomada. Ela ainda precisa enfrentar ventos contrários. A Igreja da América Latina passa por uma provação histórica como nunca. Ela se vê questionada em sua condição de Igreja chamada a expressar a fé cristã do povo de nosso continente. Um continente que ainda quer ser cristão, e um povo que quer ser Igreja.

Que feições deveria assumir a Igreja de Cristo em nosso continente, para expressar adequadamente a fé cristã, fazendo-a produzir frutos de vida abundante para os povos latino americanos?

João Batista Libanio: “A morte não deve ser o critério de leitura…”

IHU – Unisinos

Nestes dias de celebração da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, a esperança que nasce da pessoa de Jesus frente ao mal e à morte é um convite a fazermos uma nova leitura da realidade. E em Jesus podemos encontrar a força e a confiança necessárias para superar e vencer o mal que ainda existem em nossa sociedade.

Para o Pe. João Batista Libanio, a Páscoa é um momento central para se compreender que cada situação concreta da vida desperta uma maneira diferente de se entender o amor de Deus. Em entrevista concedida por telefone, Libanio afirma que “toda situação humana é um jogo dialético entre vida e morte”.

Nesse sentido, “a Ressurreição quer dizer que a vida é mais importante do que a morte, e que, portanto, a morte não deve ser o critério de leitura dos acontecimentos”, afirma o doutor em teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.

João Batista Libanio é padre jesuíta, escritor, filósofo e teólogo. É também mestre e doutor em Teologia, pela Pontifícia Universidade Gregoriana (PUG) de Roma. Atualmente, leciona na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia e é Membro do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais. É autor de diversos livros, dentre os quais “Teologia da revelação a partir da Modernidade” (5. ed. Rio de Janeiro: Loyola, 2005), “Qual o caminho entre o crer e o amar?” (2. ed. São Paulo: Paulus, 2005) e “Qual o futuro do Cristianismo” (2. ed. São Paulo: Paulus, 2008).

Confira a entrevista:

IHU On-Line – O que o tempo pascal convida os cristãos a fazer ou a refletir sobre o mundo e a Igreja de hoje?

João Batista Libanio – Todo momento litúrgico tem uma peculiaridade. O momento da Quaresma foi um momento especialmente penitencial, de conversão e de revisão das nossas estruturas. E a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) apresentou esse problema muito grave da segurança e da paz, não para que nós os esqueçamos, mas para que continuemos a cultivar e a tentar encontrar soluções para essas duas questões.

Agora, a Páscoa já quer olhar o aspecto de esperança que se realizou na pessoa de Jesus: quer dizer, essa luta contra o mal, essa luta contra a morte, essa luta contra tudo o que há de perverso na sociedade termina com a vitória da ressurreição. Portanto, a última palavra não vem do mal, mas vem da salvação. Isso nos dá muita esperança, muita confiança.

Eu diria que a Ressurreição é uma grande experiência filial, por assim dizer, usando um conceito bem atual de cuidado e de ternura. Assim como a mãe cuida do seu filho pequenino e cria uma condição básica de confiança, saber que o Senhor Jesus, que nos amou e se entregou por nós, venceu a morte e todos os males nos dá uma confiança muito profunda, de que também nós, com a força dele, temos condições de ir vencendo e trabalhando contra o mal que impera na sociedade.

IHU On-Line – Como a paixão de Cristo se expressa na “paixão” do mundo e da Igreja hoje?

João Batista Libanio – Gosto muito da ideia de Jon Sobrino que fala dos povos crucificados. Até então, a reflexão olhava mais as pessoas enquanto indivíduos, isto é, uma mãe que perde o filho, o esposo que perde a sua esposa, uma situação de desemprego etc., sempre em uma condição de sofrimento. E aí temos uma palavra de esperança, porque o Senhor Jesus foi aquele que assumiu o sofrimento humano até o extremo.

Agora, podemos ampliar esse horizonte para o aspecto social. E não o sofrimento do indivíduo, mas o sofrimento de classes, de regiões, de países, e até de fenômenos, como agora na Itália, em Aquila, com o terremoto que fez muita gente sofrer. Nesse sentido, a vida humana traz sofrimentos coletivos. E, nesses momentos, nós gritamos, como Jó perguntando a Deus: como isso é possível?

Um ateu dizia que, enquanto uma criança inocente sofrer, todos os argumentos para a existência de Deus são inúteis. Outro dizia que um escândalo contra Deus é o sofrimento. Ora, isso seria correto se fosse um Deus distante, um Deus que ficasse fora, o famoso Deus de certas religiões, um Deus ocioso, como dizem os antigos. Mas nós sabemos que o nosso Deus não ficou fora da história humana. Ele entrou nela, e isso mostra que Ele está ao lado não só dos indivíduos, mas também dos povos. E pode prometer a eles essa esperança, que começa agora, pela presença, pelo carinho, pelo amor. Eles não são desprezados de Deus, mas sim amados de Deus, mesmo nas condições tão desprezadas em que estão.

IHU On-Line – Qual a sua avaliação dos chamados “erros de governo e comunicação” de Bento XVI (caso dos lefebvrianos, o aborto da menina do Recife, a questão dos preservativos na África)?

João Batista Libanio – Temos que perceber que hoje estamos numa situação bem diferente. Antes, a Igreja tinha muita liberdade para tomar posições internas sem que as repercussões fossem para fora do nosso âmbito e, portanto, para âmbitos que desconhecem a regra interna da Igreja.

Suponhamos que um clube de futebol tome uma medida respectiva a um jogador por ser um problema interno do clube. Disso, ninguém iria reclamar em tempos antigos. Hoje, isso sai na imprensa, e a pressão sobre o técnico, sobre o diretor do clube é tão grande que eles ficam sem saber o que fazer. Se isso vale para um clube, isso vale muito mais para a Igreja que é universal. Então, uma medida que seria puramente interna, por exemplo celebrar a missa em latim ou celebrar a missa em português, não tem nada a ver com a política de Obama, nem de Lula, nem com os interesses do Estado de São Paulo.

Mas hoje não. Hoje todas essas medidas têm uma repercussão social muito grande. E talvez isso não seja suficientemente levado em conta nos mundos mais burocráticos, porque ficam muito fechados entre si, e só percebem que o incêndio começou depois que o fogo já está muito alto. Então, tenho a impressão de que falta, talvez, uma certa assessoria mais sensível às repercussões midiáticas de medidas até justas e dignas no interior da Igreja, mas que hoje não podem ser tomadas sem mais, porque as repercussões são muito graves, e isso faz com que a imprensa selecione esses pontos escuros da vida do Papa e crie uma imagem muito escura dele, que não corresponde talvez à verdade.

Isso me faz lembrar de um fato de um psicólogo que um dia levou a um auditório uma folha branca enorme e colocou um pontinho preto no meio e perguntou às pessoas o que elas estavam vendo. E o pessoal gritou: “Um pontinho preto”. E ele perguntou: “E a folha branca, vocês não veem, não?”. É um pouco isso o que está acontecendo no pontificado do nosso papa. Eles escolhem os pontos escuros e fazem toda uma pintura escura, porque somam todos os pontos escuros e esquecem todas as outras coisas positivas. Agora, uma assessoria melhor ou mais sutil poderia evitar talvez esses equívocos, que acabam difamando a Igreja e também dificultando ou escurecendo a imagem do Papa.

IHU On-Line – Como os cristãos católicos podem entender e assimilar essas situações à luz da Páscoa?

João Batista Libanio – Eu acho difícil, não porque os cristãos sejam melhores ou piores, mas porque a cultura atual envolve a todos nós. Nós vivemos em uma cultura de muita autonomia, de muita liberdade, de uma enorme possibilidade de oferecer e de receber informação. Então, esses atos adquirem uma tal grandeza que as pessoas normais são afetadas.

Não podemos exigir heroísmo das pessoas. Jesus mesmo suportou tantas críticas. Muitas vezes teve que ficar calado diante de Herodes, de Pilatos. Agora, a massa, o grande povo não é santo. Ele reage conforme a cultura. Nós podemos incentivar para que haja uma maior profundidade espiritual, mas não podemos evitar que a grande massa responda conforme a cultura do momento, porque essa é a nossa condição humana.

IHU On-Line – O que o sofrimento e a solidão de Jesus na cruz podem nos ensinar hoje, em nossa realidade, sobre quem é Deus?

João Batista Libanio – A solidão de Jesus tem duas faces. É o silêncio, que aparece na reza daqueles salmos – “Meu Deus, Meu Deus, por que me abandonaste?” -, mas também a face do “Senhor, em tuas mãos eu entrego o meu espírito”. Quer dizer, Jesus sentiu, claro, essa solidão, mas ao mesmo tempo – e isso é muito difícil de entendermos -, sentiu uma imensa confiança, uma total confiança no amor do Pai que não o abandonava e não o abandonou minuto nenhum, instante nenhum.

Ele não morreu desesperado, como muitas vezes a gente diz, nem abandonado. Ele morreu envolvido pela experiência profunda de acolhida de Deus Pai, a quem disse “Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito”. Entregar o espírito tem o sentido de morte, de entregar para nós o Espírito Santo, como é a interpretação de João. Ele, na cruz, nos ajuda a fazer essa dupla experiência. No momento de silêncio, de vazio da nossa vida, tentar pensar naqueles outros momentos em que somos envolvidos por muito amor, por muita ternura, seja de pessoas humanas – nossos pais, nossos amigos, ou outras pessoas que estiveram presentes em nossa vida -, seja sobretudo pela certeza absoluta de que Deus, que nos cria e nos chama para o amor, continua nos amando e nos criando, porque a criação não é um ato solto, mas é um ato permanente.

João coloca Maria ao lado da cruz – mesmo que isso não tenha sido histórico, mas isso não tem muita importância para a reflexão teológica. Então, Jesus também foi envolvido pelo amor materno. Ele sabia que podia confiar, porque o amor que o criou como mãe e o amor cuidadoso de José lhe deram uma solidez, uma base de confiança fundamental humana muito grande. E isso também aparece na cruz, na relação com a mãe. Jesus mostra essas duas confianças básicas para a nossa vida, a dos nossos pais e mães – a confiança tutelar – e a de Deus. Essa solidão de Jesus mostra, ao mesmo tempo, esse abandono no amor que o envolvia e mostra que também nós, nesse momento de solidão, temos alguém nos ama e nos encobre: tanto pessoas humanas como o próprio Deus.

IHU On-Line – Como é possível apresentar os mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo em uma linguagem compreensível à modernidade?

João Batista Libanio – Tenho a impressão de que podemos trabalhar a linguagem simbólica, eu diria, tomando uma certa distância daquele famoso filme, “A Paixão de Cristo”, de Mel Gibson, que é todo cheio de sangue. O mundo de hoje gosta muito de ver os fatos de uma maneira cruel: quanto mais sangrento melhor. Eu tenho a impressão que não é por esse viés que deveríamos caminhar. Não é aumentando o realismo da Paixão de Jesus, colocando mais sangue, mais cruz, mais espinhos, mas de uma forma simbólica. Não que o sofrimento não tenha sido real, mas simbólico no sentido etimológico da palavra, isto é, uma realidade visível que nos mostra uma realidade invisível.

Esse visível do sofrimento de Jesus não é o fim, não podemos para nele. Ele aponta para uma outra realidade maior, e é essa outra realidade maior que é mais importante, que é, no fundo, a revelação da ternura e do amor infinito de Deus. Se conseguirmos falar disso, conseguiremos entender uma mãe que passa um mês inteiro dormindo mal cuidando de um filho. Ninguém deseja que as pessoas durmam mal um mês inteiro, mas a mãe passa por isso, sobre esse amor que é enorme.

Agora mesmo, em Belo Horizonte, conheci um pai que trabalha no Tribunal, cuja filha passou dois meses na UTI, e ele passou praticamente todo o tempo ali perto. Um homem que emagreceu, que ficou quase esquálido. Ninguém deseja isso para ninguém. Mas de fato ele fez, porque a filha estava entre a vida e a morte. Foi um sinal de amor. Acho que isso quase todas as pessoas entendem, e não só entendem, mas também praticam. Portanto, não é só Jesus que fez isso: quantos pais, quantas mães, mesmo as enfermeiras que cuidam dos velhinhos aqui em casa. E eu digo para elas: “Vocês são verdadeiros sacramentos do amor de Jesus”. Eu acho que é nesse sentido que a Paixão de Jesus é bonita.

IHU On-Line – Como pode se estabelecer uma ponte de ligação entre o mistério da fé cristã e a contemporaneidade?

João Batista Libanio – A fé é a acolhida de uma palavra revelada. E ela pede de mim conversão e compromisso. São as três dimensões fundamentais, para mim, da fé. Então, existe a Palavra revelada de Deus, que não é só a que está na Escritura, mas é aquela que está na Escritura lida e interpretada ao longo dos séculos. Essa palavra está nos provocando continuamente. Para quê? Para que nós a interpretemos.

Porém, nós só podemos interpretá-la dentro da contemporaneidade, com os problemas que nós temos das relações com as outras religiões, do feminismo, da fome no mundo etc. Acolhendo a palavra, ela pede que eu me converta, para ver como eu vou vivê-la dentro desse mundo concreto, que foi uma tentativa que [a V Conferência Geral do Episcopado Latinoamericano e do Caribe de] Aparecida quis fazer. Ela disse que é importante o encontro pessoal com Jesus, a conversão e o ser missionário.

É a partir daí que temos que perguntar o que essa situação concreta provoca em nós. Cada situação concreta desperta uma maneira diferente de se entender o amor de Deus, que é universal, e que, agora, se encontra nessa situação bem definida, bem determinada.

IHU On-Line – Como os sofredores e os marginalizados do mundo, especialmente dentro da própria Igreja, podem experimentar a Ressurreição?

João Batista Libanio – Só por meio de pastorais concretas que pensem neles. Isto é, por meio de gestos. Do contrário, vamos ter um discurso abstrato e genérico. E os gestos têm que ser físicos e concretos, que as nossas pastorais, portanto, levem a sério e coloquem o problema social como centro de organização.

Se o Apostolado da Oração, a Renovação Carismática, movimentos que são muito bonitos dentro da Igreja, não tiverem nenhum envolvimento com esse mundo social, se não forem um sinal e uma presença desse amor de Deus para essas pessoas, eles não estarão realizando aquilo que é mais profundo no cristianismo. Isso nós temos que dizer com todas as letras. Já dizia São Tiago: sem atos, sem ações, a fé é morta.

Então, uma fé bonita, cantada, perfumada e incensada só mostra a sua validez e a sua força no momento em que tenha a caridade e o amor, como em Mateus 25: “Tive fome, tive sede, estava nu, estava preso e me socorrestes”. Todo o cristão tem que perguntar: como eu estou vivendo a minha fé em relação àquelas pessoas que sofrem? Mas de uma maneira real, concreta, que seja a presença amorosa, respeitosa, digna de Deus em relação aos pobres.

IHU On-Line – A partir da Páscoa, quais são os desafios e as esperanças que o Cristo morto e ressuscitado apresenta ao mundo de hoje?

João Batista Libanio – A Páscoa é a vitória sobre a morte e sobre o mal, e não só em um sentido físico, mas todas as mortes que existem na Terra e as pequenas mortes de cada um de nós, como um matrimônio que rompe, por exemplo. Então, se esse casal ficar desesperado, vai ter que encontrar no Ressuscitado uma força para reconstruir a sua vida. Os filhos continuam aí, e eles precisam do carinho dos dois, e como eles vão trabalhar isso?

Portanto, se tomarmos cada situação humana, vamos perceber que toda situação humana é um jogo dialético entre vida e morte. E a Ressurreição quer dizer que a vida é mais importante do que a morte, e que, portanto, a morte não deve ser o critério de leitura dos acontecimentos.

A propaganda nos dá a ideia de que o mundo de hoje é só de morte, de crimes, de misérias. Para cada jovem americano que metralha os seus companheiros, existem milhões de jovens que não fazem isso e que vão à aula, brincam, jogam. Nós criamos uma imagem terrível da humanidade, e parece que a morte está vencendo. E a Ressurreição quer dizer “não”.

Para cada mãe que mata a sua criança, para cada padrasto, como aquele no Recife, que prostitui e viola a sua afilhada, existem milhões de mães, milhões de padrastos, milhões de pais que são ternos, que são carinhosos. Acreditar que existe essa vitória do bem em cada momento em que lemos os fatos maus é que é a grande lição da Ressurreição.

Gostaria de deixar a minha mensagem de esperança para um mundo tão desesperançado. E que não nos deixemos dominar por uma mídia sensacionalista, para a qual praticamente só existem notícias de corrupção, de sexo violento, de violência dos assaltos e que esquece que o mais bonito da humanidade é a convivência entre os seres humanos.

(Reportagem de Moisés Sbardelotto)